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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ESPECIAL

Tropicaliente parece, ao menos nas redes sociais, ser carta fora do baralho na enquete que irá decidir a próxima novela das 15h30. Concordo que, dentre as três concorrentes, esta seja a que menos apelo possui. Mas ainda assim, tem seu charme e merece voltar ao ar. Exibida em 1994, às 18h, Tropicaliente causava boa impressão com suas imagens do paradisíaco Ceará. Nem só de praia, no entanto, se fez a novela. Um bom elenco, encabeçado por Herson Capri, Sílvia Pfeifer e Regina Dourado; histórias que poderiam ser resumidas em duas linhas, mas que Walther Negrão, soube, habilmente, desenvolver; gratas revelações, como Carolina Dieckmann; e um vilãozinho de aterrorizar, Vitor Velásquez (Selton Mello). Figuras simpáticas como a de Franchico (Cássio Gabus Mendes), Gaspar (Francisco Cuoco), Adrenalina (Natália Lage) e Manuela (Cinira Camargo) deram o tom dessa novela ensolarada, que, embora não tenha ido bem em seu primeiro repeteco, merece uma nova oportunidade. E para convencer você a votar em Tropicaliente, o Vivo no Viva convocou nosso parceiro de longa data, Fábio Costa. É contigo, Fábio!
Fábio Costa foi, pode-se assim dizer, um dos primeiros amigos novelo-virtuais que fiz. Tão jovem quanto eu e tão interessado em novelas quanto eu, Fábio era tratado como referência em antigas comunidades do Orkut. Foi lá que nasceu nossa amizade, em uma conversa sobre a icônica Roda de Fogo, de Lauro César Muniz. E, coincidentemente hoje, Fábio estará à frente, representando a Editora Giostri, do lançamento do box “Obras completas de Lauro César Muniz”, que leva ao público os 16 textos teatrais que constituem a obra do autor. Apesar do compromisso com sua atividade profissional, Fábio encontrou tempo e atendeu ao pedido do blog: defender a zebra Tropicaliente aqui no #Team. Obrigado, Fábio, e sucesso, sempre!

#TeamTropicaliente
por Fábio Costa

Dentre as três novelas que concorrem à vaga atualmente ocupada por História de Amor nas reprises do canal Viva, Tropicaliente, de Walther Negrão, é a mais recente (foi ao ar em 1994) e, talvez, a menos desejada por boa parcela do público que rejeitou (em duas ocasiões) a reapresentação do remake de Pecado Capital (1998/99) e prefere produções mais antigas e marcantes.

Escrita pelo mesmo autor de Despedida de Solteiro (1992/93), que também concorre, e sem qualquer pretensão revolucionária tal qual sua “irmã”, Tropicaliente foi uma grande vitrine das belezas naturais do Ceará, cenário para o romance entre Ramiro Suarez (Herson Capri), um humilde pescador, e Letícia Velásquez (Sílvia Pfeifer), requintada, culta, de família rica, filha do empresário Gaspar Velásquez (Francisco Cuoco).

Os dois não puderam se casar e cada um foi para o seu lado, embora o sentimento não tenha deixado de existir. Letícia se casou com Jordí (Jonas Bloch), pai de seus filhos Vítor (Selton Mello), típico rebelde sem causa, e Amanda (Paloma Duarte). Ramiro se uniu a Serena (Regina Dourado) e com ela teve Cassiano (Márcio Garcia) e Açucena (Carolina Dieckmann).

Letícia volta a Fortaleza depois de anos afastada, viúva, e reencontra Ramiro. Isso prejudica as intenções do arquiteto François (Victor Fasano), que pretende se casar com ela. Ainda, as duas famílias se entrelaçam também graças ao romance que surge entre Vítor e Açucena. Vítor é um rapaz perturbado, afetado pela ausência do pai, por cuja morte acusa Letícia.

Cassiano, o filho mais velho de Ramiro e Serena, namora Dalila (Carla Marins), a bela filha de Samuel (Stenio Garcia) e Ester (Ana Rosa). Samuel é grande amigo de Ramiro e seu companheiro nas lutas pelos direitos dos pescadores da aldeia em que moram. Tem com Ester um filho, Davi (Delano Avelar), que trabalha na empresa dos Velásquez e tem vergonha de sua origem pobre. Em seu desejo de ascender socialmente ele fica noivo de Olívia (Leila Lopes), filha de Bonfim (Edney Giovenazzi), amigo de Gaspar, e Isabel (Lúcia Alves), típica perua, de bom coração e tiradas ótimas sobre tudo e todos.

Em meio a esses personagens encontramos uma das melhores figuras da história: Franchico (Cássio Gabus Mendes), um rapaz meio malandro, espertalhão, que não sabe bem de onde veio nem o que pretende, e se infiltra entre ricos e pobres. É ele, por exemplo, que ajuda François em seu romance com Letícia, bem como se aproxima de Gaspar para encontrar um jeito de vencer na vida sem fazer força.

Produzida num momento em que a dramaturgia global buscava outros cenários para suas tramas além do eixo Rio-São Paulo – Sonho Meu (1993/94), de Marcílio Moraes e Lauro César Muniz, sucesso que a antecedeu no horário, se passava em Curitiba –, Tropicaliente incentivou o turismo no Ceará a ponto de lotar os hotéis durante os chamados meses de baixa temporada.

Em especial, é compreensível que muitos telespectadores que desejem rever Tropicaliente pensem assim por ser esta uma novela que evoca a infância da geração que hoje gira em torno dos 30 anos. As novelas das seis marcam a memória afetiva porque em geral eram as que assistíamos ao chegar da escola ou das brincadeiras na rua com os amigos, têm um gosto de infância, e esta é uma época na qual em geral não temos o senso crítico que se apura com a idade. É meu caso pessoal, por exemplo; na época da novela eu contava apenas sete anos.

Acho que “vale a pena ver de novo” Tropicaliente – para aproveitar o nome da sessão de reprises da “mãe” do Viva – para apreciar o ótimo trabalho de Regina Dourado como Serena, protagonista da história ao lado de Herson Capri e Sílvia Pfeifer; a beleza desta, que melhorou como atriz a cada trabalho; o Franchico de Cássio Gabus Mendes e sua irmã Adrenalina (Natália Lage), em sua amizade com o filho de Bonfim e Isabel, Pessoa (Guga Coelho), embalados por Chico Science & Nação Zumbi com “A Praieira”; os mistérios guardados pelo velho pescador Bujarrona (Nelson Dantas); a trama folhetinesca irresistível que envolve Davi, Dalila, Samuel e Ester; ver jovenzinhas em início de carreira as futuras Jade e Maysa (de O Clone), Giovanna Antonelli e Daniela Escobar; a participação destacada de Cleyde Blota do meio para o fim da novela; o veterano Francisco Cuoco num papel interessante, de esteio da família e dos negócios, ao mesmo tempo em que não abria mão de aproveitar a vida.

Não foi exatamente uma novela marcante, que tenha se tornado clássica. Motivos para rever Tropicaliente são buscados mais em carinho pessoal, memória afetiva mesmo, do que em justificativas calcadas na história da teledramaturgia, e seu lamentável esticamento – fase em que o casal Ramiro e Letícia resolve viver junto, numa cabana na praia – prejudicou muito o saldo final. Mas nem só de clássicos vive a teledramaturgia, assim como nem só de clássicos deve viver um canal como o Viva.

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Leia mais sobre Tropicaliente, no blog Agora é Que São Eles. Clique aqui!
ESPECIAL

Dois nomes ajudaram a fazer de Despedida de Solteiro o grande sucesso que a novela foi. O primeiro, um jovem loiro, de cabelos longos, que em 18 capítulos levou às adolescentes da época ao delírio, e se tornou uma das marcas registradas da trama. O segundo, o grande capitão, aquele que esteve no comando desta “embarcação” tão complicada de ser conduzida, cuidando da produção e dando o tom correto ao texto de Walter Negrão. João Vitti e Reynaldo Boury participam, hoje, do especial sobre as novelas que disputam a vaga de substituta de História de Amor. Mais curiosidades sobre Despedida de Solteiro e sobre estes dois nomes da teledramaturgia brasileira você confere nas entrevistas abaixo.
Reynaldo Boury

Na galeria dos grandes nomes da teledramaturgia brasileira, Reynaldo Boury merece lugar de destaque. De auxiliar de câmera, passou a editor, até assumir, como diretor, a novela A Moça que Veio de Longe, na Excelsior (1964). Migrou para a TV Globo em 1970 e lá esteve à frente de grandes sucessos, como Selva de Pedra, a primeira versão de Sinhá Moça e Tieta. Até se deparar com uma nova missão: implantar, em tempo recorde, a novela das 18h que substituiria Felicidade. No comando de Despedida de Solteiro, Boury, mais uma vez, viu o sucesso bater à sua porta. Após um período no núcleo de teledramaturgia da TV Pública de Angola, migrou para o SBT, sendo hoje o responsável pela exitosa Chiquititas. Na manhã deste domingo, Boury, muito gentil e extremamente atencioso, respondeu a diversas perguntas sobre a novela de Walter Negrão e seus trabalhos atuais. Confira!

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- O senhor já “apagou incêndios” na TV Globo, como quando assumiu a direção do remake de Irmãos Coragem, já no segundo terço da trama. Podemos dizer que Despedida de Solteiro se deu após um “princípio de incêndio”: o cancelamento do remake de Mulheres de Areia, em virtude da gravidez da protagonista, Glória Pires. Como foi implantar Despedida de Solteiro, praticamente às pressas? Quais as suas recordações das primeiras reuniões, escalação de elenco, pré-produção e primeiras gravações? Sentiu-se satisfeito com o resultado final da novela?

Realmente, a Glória Pires faria as gêmeas, mas, por estar grávida a Globo abandonou o projeto e fomos requisitados para a Despedida de Solteiro. Nada muito complicado, pois estávamos acostumados a este procedimento. Em Tieta, as condições foram muito piores e deu muito certo. Aqui, a cidade cenográfica já estava praticamente pronta. Foi só adereçar os cenários para uma cidade do interior, pois Mulheres de Areia seria no litoral. Nada muito difícil em transformar uma peixaria em uma oficina mecânica. E o resultado da novela foi bom, pois alcançou a meta que a Globo desejava.


- Atualmente, em Chiquititas, além de um elenco de crianças e novatos, o senhor tem o jovem Ricardo Mantoanelli em sua equipe de diretores. Em Despedida de Solteiro, o ator Cláudio Cavalcanti e Carlos Manga Júnior, dois profissionais pouco requisitados para essas funções, eram seus parceiros na direção. E também tínhamos crianças (Fernanda Nobre e Patrick de Oliveira) e novatos (como Helena Ranaldi, João Vitti, Letícia Spiller e Rita Guedes). Qual a importância do “sangue novo” para a dramaturgia, tanto em frente, como atrás das câmeras? Como o senhor garimpou tantos bons nomes para Despedida de Solteiro?

Excelente elenco a Globo sempre tinha. Também foi fácil selecionar. Algumas novidades surgiram: Rita Guedes, João Vitti, Helena Ranaldi (vinda da Manchete) Letícia Spiller; todos com talento. Lembro muito bem que a Helena Ranaldi, tinha que dirigir um caminhão. Já viu, né? Boa coisa não podia sair. Rita Guedes vinha do interior, e falava um pouco “caipirez”. Mas ambas se saíram muito bem. Foi fácil administrar. A Fernanda Nobre foi uma “cria” nossa. Menina esbanjava talento. Então foi só ir administrando. Deu certo. Com os dois diretores também aconteceu o mesmo. Carlos Manga Júnior também se revelou. Pena que não seguiu na dramaturgia; preferiu dirigir comercial, bem mais rentável. Claudio Cavalcanti foi meu parceiro em outros trabalhos. Grande talento da televisão brasileira. Ricardo Mantoanelli está começando na dramaturgia e se saindo muito bem. A Patrulha Salvadora foi uma dificuldade que ele resolveu com maestria. Tem futuro. E garimpar talentos sempre foi o nosso objetivo. Com Carrossel e agora, com Chiquititas, isso está sendo realizado.


- Como tem sido seu trabalho à frente do núcleo de dramaturgia do SBT? A aposta no segmento infantil prosseguirá? E a qual linha se dedicará o segundo horário de novelas da emissora?

O SBT precisa manter este filão infantil. Precisamos sempre seguir a faixa etária dos 05 aos 10 anos. Renovando sempre, pois as idades vão subindo e é necessário manter as crianças com uma novela saudável, familiar, onde todos possam assistir sem constrangimentos: avós, pais, filhos e netos. Novelas realizadas por uma família, para as famílias curtirem. O segundo horário de novelas, com certeza, surgirá na hora oportuna. O Silvio Santos é um mestre e não deixará esta oportunidade passar.
João Vitti

Não há quem ouça falar de Despedida de Solteiro e não se recorde, imediatamente, do Xampu. O jovem de longos cabelos loiros, que estreava na TV naquele junho de 1992, teve uma passagem meteórica pela novela, mas que se tornou fundamental para o desenvolvimento de uma das tramas paralelas, a de Bianca (Rita Guedes, que também estreava). João Vitti se tornaria conhecido em todo o país. Despedida de Solteiro seria o primeiro passo para uma carreira de sucesso que inclui, dentre outros, o Lúcio, de Éramos Seis, o jornalista Serafim, de O Cravo e a Rosa, o Jorge Luiz, de O Direito de Nascer, o Paulo, de Essas Mulheres, e o Joabe, de Rei Davi (para citar, apenas, meus trabalhos preferidos do ator). Cotado para o elenco de Os Dez Mandamentos, próxima novela da Record, João arrumou um tempinho para conceder, via Facebook, seu depoimento sobre Despedida de Solteiro para o nosso blog.

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- Em uma recente entrevista ao jornal Extra, você declarou, a respeito da escalação de seu filho, Rafael Vitti, para a nova temporada de Malhação: “Sinto Rafael mais maduro aos 18 do que eu quando estreei, aos 25”. Acredita que hoje a TV está mais estruturada para amparar novos talentos? Como se deu sua estreia na novela e como vê o trabalho de seu filho, ao lado de Felipe Camargo, seu companheiro de elenco em Despedida?

Atualmente se tem um cuidado maior com a preparação do ator (seja ele estreante ou veterano) para uma obra na televisão. Há um preparo anterior com uma série de workshops que permitem ao ator iniciar seu trabalho com mais segurança e conhecimento sobre o personagem que irá interpretar. Por exemplo: o Rafael teve um mês de preparo com seus colegas de elenco da Malhação. Tiveram aulas de fono, expressão corporal, interpretação, música e até diálogos com psicólogo para entenderem o universo em que iriam trabalhar e lidar com tranquilidade com todos os aspectos que envolvem uma exposição de imagem na Globo. Eu, como espectador, quando assisto a Malhação, percebo o resultado desse preparo no trabalho de cada um desses meninos e meninas estreantes. Isso é maravilhoso e significa que a empresa está muito atenta ao aspecto humano do nosso ofício. Comigo, foi no susto. Me ligaram numa segunda-feira em São Paulo e na quinta da mesma semana eu vim para o Rio e já comecei a gravar no dia seguinte. Foi uma loucura. rsrs... E quando o Rafael me disse que o Felipe seria seu pai na trama, eu fiquei muito feliz e tranquilo. Uma feliz coincidência.


- Xampu, seu personagem em Despedida de Solteiro, integrava o núcleo principal da novela. Você contracenou, ainda que por pouco tempo, com grandes nomes, como Lúcia Veríssimo, Lolita Rodrigues, Paulo Gorgulho, Elias Gleiser, Felipe Camargo, Mauro Mendonça e Ana Rosa. Como era a convivência com tantos talentos nos bastidores? Quais suas cenas preferidas como Xampu?

Poxa, trabalhar com veteranos como os que você citou, foi maravilhoso, um grande aprendizado e ao mesmo tempo me trazia um senso de responsabilidade muito grande. Não posso deixar de citar o mestre Reynaldo Boury, diretor da novela, que me acolheu como um filho. Sou eternamente grato a ele por esse cuidado comigo. Gosto muito das sequências que o personagem Xampu é preso numa penitenciária. Gravamos durante uma semana no Carandiru e aquela vivência me marcou para o resto da vida.


- Por que João Vitti gostaria que o público votasse em Despedida de Solteiro para ser reprisada no Canal Viva? Quais os bons motivos que o público terá para ver, ou rever, a trama?

Adoro quando reprisam um trabalho meu. Sou mais benevolente comigo nas reprises. rsrs... Despedida de Solteiro é meu início na TV e seria bacana para as moças entre 30 e 40 anos hoje, reverem o Xampu, que naquela época era uma febre.





Em tempo: João está excursionando por algumas capitais, até dezembro, com a peça A Dama do Mar, de Henrik Ibsen (numa versão de Maurício Arruda Mendonça, dirigida por Paulo de Moraes). Em janeiro, estará em cartaz em São Paulo. E em novembro, poderá ser visto no longa O Lucro Acima da Vida.

sábado, 13 de setembro de 2014

ESPECIAL

“Adeus muchachos; companheiros desta vida. Adeus amigos; meus camaradas! Já chega o tempo de empreender a retirada; chegou o dia do adeus, rapaziada!”. O bolero de Gardel, “abrasileirado” por nomes como Francisco Alves, dá o tom de Despedida de Solteiro. Um rapaz, prestes a se casar, se despede das farras com moçoilas de vida fácil, ao lado de três amigos. Mas um crime o impede de subir ao altar e sua vida, bem como a de seus companheiros, muda radicalmente após sete anos na prisão, pagando por um crime que não cometeu. Com esse mote, Walther Negrão desenvolveu uma de suas melhores novelas e conquistou uma das maiores audiências do horário das 18h nos anos 90. Negrão, infelizmente, não pode nos conceder uma entrevista sobre a trama, esta semana. Mas se comprometeu a fazê-lo nos próximos dias e, com Despedida de Solteiro vencendo a enquete ou não, disponibilizaremos aos nossos leitores tal conteúdo. Por outro lado, temos o excelente texto de Thiago Henrick, parceiro do nosso blog, sobre a novela. Votantes em Despedida de Solteiro ou indecisos, não deixem de conferir!
Thiago Henrick conhece o cenário musical brasileiro (e internacional) como ninguém. Mas o que me fez amigo deste advogado de 32 anos foi outra de suas paixões: as novelas. E mal sabia que, assim como eu, Thiago acompanhou Despedida de Solteiro assiduamente. Ao publicar sobre a enquete do Viva em minha página no Facebook, TH foi o primeiro a se manifestar: votaria em Despedida. E para entender os motivos pelos quais ele escolheu a trama de Walther Negrão, convidei esse querido amigo para participar desta seção do blog. TH, muito obrigado por ter aceitado, pelo excelente texto e pela amizade de sempre. Segue a defesa do nosso brilhante advogado em favor de Despedida de Solteiro!

#TeamDespedidaDeSolteiro
por Thiago Henrick

Novela de Walter Negrão de 1992, feita às pressas para suprir o adiamento de Mulheres de Areia, em decorrência da gravidez de Glória Pires. Ivani havia sido taxativa: “Sem Glória, eu não faço”.

A exemplo de Pecado Capital de 1975, também feita na correria, com reaproveitamento do elenco que estaria em Roque Santeiro (que foi censurada naquele ano) e se tornou um clássico absoluto do mundo das novelas, Despedida de Solteiro foi uma produção bem caprichada (até por ter sido feita a toque de caixa), e é, de longe, uma das novelas mais inspiradas de Negrão.

Um crime afeta a vida de quatro jovens, julgados e condenados por ele. Porém, eles não tiveram culpa: tudo fazia parte de um plano do diabólico Sérgio Santarém (Marcos Paulo, em atuação excelente). Com a condenação dos quatro, as histórias de seus familiares tomam rumos inesperados na cidade de Remanso. A noiva de João Marcos (Felipe Camargo), Lenita (Tássia Camargo), une-se ao mandante do crime, Sérgio Santarém, julgando ser João realmente culpado. Xampu (João Vitti), outro dos jovens condenados, não resiste e morre na prisão, prejudicando o romance entre seu colega de condenação Pedro (Paulo Gorgulho) e sua irmã Flávia (Lúcia Veríssimo). E Paschoal (Eduardo Galvão), o quarto jovem condenado, mal sabe que sua irmã Marta (Lucinha Lins) se viu em grandes apuros após sua prisão, tendo que inclusive abandonar seu filho recém-nascido para assumir os negócios da família.

A simplicidade da trama me encantou. A cidade fictícia de Remanso era acolhedora, cheia de moradores “comuns”, com anseios e receios típicos das pessoas interioranas.  Lembro também que Despedida tinha ganchos bem delineados e foi muito além do crime que traçava sua espinha dorsal, dando espaço para que o elemento humano fosse bem atuante na história.

Foi uma novela agradabilíssima, despretensiosa em termos de inovação ou audiência, mas comprometida com o interesse do público, que se manteve até o fim. Eu lembro que a trama da Lucinha Lins era a que mais me prendia. Senti a dor daquela mãe que teve que abandonar o filho, adotado pelo bonachão Vitório (Elias Gleizer), que virou logo aquele avozão amigo da criançada. Todas as crianças da época (e eu era mais uma) queriam ter um avô querido como ele.

Ana Rosa fez a, na minha opinião, melhor personagem feminina da novela. Soraya era interesseira, tinha pinta de madame, queria uma vida melhor e criticava a que levava seu marido, Cirineo (Mauro Mendonça), um mecânico simpático que tinha a companhia de sua filha Nina (Helena Ranaldi, estreando na Globo), que “pegava no pesado” como o pai. Já Soraya tinha, ao seu lado, a outra filha, Bianca (Rita Guedes, também estreando), mimada e fútil como ela.

As mocinhas da trama ficaram a cargo de Tássia Camargo (Lenita) e Lúcia Veríssimo (Flávia); seus respectivos mocinhos eram João Marcos (Felipe Camargo) e Pedro (Paulo Gorgulho). Apesar de o antagonista maior ser Sérgio Santarém (Marcos Paulo), apaixonado por Lenita, eu considero como casal principal da novela Pedro e Flávia. As pessoas torciam cotidianamente por ambos.


Despedida está longe de ser uma novela emblemática ou marcante em termos de teledramaturgia, mas dentre as três novelas que concorrem à reprise no Viva, é a mais agradável, sem dúvidas. Ela seguirá a “simplicidade especial” apresentada em História de Amor e certamente não fará a audiência do canal a cabo declinar. E ainda será uma ótima oportunidade para apresentar essa história tão encantadora a quem não teve oportunidade de vê-la. É meu voto!

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Leia mais sobre Despedida de Solteiro, em um texto de minha autoria, no blog Zappiando, de Paulo Ricardo Diniz. Clique aqui!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

ESPECIAL

Causou surpresa a presença de Lua Cheia de Amor na enquete que irá decidir a nova reprise do Canal Viva. Exibida entre dezembro de 1990 e julho de 1991, a novela chamou a atenção da audiência, mas não foi um estouro como outras produções das 19h. Os que acompanharam a trama, naquela época, lembram-se dela com saudade. Tanto pelo arrivismo de Mercedes (Isabela Garcia), como pelo recalque da maldosa Emília (Bete Mendes); pela elegância de Laís Souto Maia (Susana Vieira) ou a cleptomania de Isabela (Drica Moraes). Quem ouve falar de Lua Cheia de Amor se recorda que a novela era protagonizada por Marília Pêra, com sua Genuína Miranda, pobre de conhecimento e rica de caráter. Mas sente saudades mesmo é da translumbrante Kika Jordão (Arlete Salles), louca para adentrar “as portas douradas” da alta sociedade! É sobre todos esses destaques de Lua Cheia de Amor que falamos hoje. Para começar, uma entrevista com Ricardo Linhares, um dos autores da trama, e em seguida a opinião de um dos membros do #TeamLuaCheiaDeAmor, nosso querido amigo Wesley Vieira. Confiram!

Ricardo Linhares

Ricardo Linhares iniciou sua carreira na TV Globo com o Caso Verdade. Em seguida, integrou a equipe de roteiristas do Viva o Gordo (que retorna hoje ao Canal Viva) e do Teletema, que seguia o formato do Caso Verdade. Sua estreia nas novelas da casa foi como colaborador de Aguinaldo Silva, em O Outro (1987). No ano seguinte, esteve com Walther Negrão em Fera Radical. E após Tieta, novamente com Aguinaldo Silva e também com Ana Maria Moretzsohn, passou a autor-titular com Lua Cheia de Amor, tema dessa breve entrevista. No Viva, já podemos ver seu texto em O Tempo e o Vento e Anos Rebeldes, minisséries nas quais atuou como colaborador. Envolvido atualmente com os primeiros capítulos de Babilônia, seu próximo trabalho, às 21h, Ricardo cedeu o seu tempo para nos brindar com suas lembranças de Lua Cheia de Amor. Agradecemos sua gentileza e simpatia, e deixamos vocês, leitores, com a entrevista.

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- Você declarou em entrevista ao blog Eu Prefiro Melão, em 08 de dezembro de 2012: “Infelizmente, a minha novela (Lua Cheia de Amor) não pode ser reprisada, apesar dos inúmeros pedidos dos espectadores, por uma questão jurídica envolvendo os direitos dos herdeiros de Pedro Bloch”. Essas questões foram sanadas? De que forma o Viva conseguiu a liberação para exibir a novela, caso ela seja a vencedora da enquete? Quais lembranças guarda desta sua primeira incursão às 19h?

Esse tipo de negociação não passa pelos autores da novela. Em termos jurídicos, nem sei quais diferenças existem entre uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo e no canal Viva. Eu estou tão agradavelmente surpreso quanto os fãs da obra.

Sessão da Tarde, seu passatempo preferido na adolescência:
os jovens dos anos 90 assistiam à Lua Cheia de Amor.
Na época em que Lua Cheia de Amor foi ao ar, os adolescentes assistiam às novelas – ao contrário de hoje em dia, quando há tantas opções que a telenovela não ocupa mais uma posição de destaque entre os afazeres da garotada no dia a dia. Quando eu era jovem, por exemplo, assistir à Sessão da Tarde era um dos meus programas prediletos. Hoje, os filmes não causam mais o mesmo impacto na TV, pois estão disponíveis em diversas mídias. Lua Cheia de Amor fez muito sucesso entre os jovens de então, e acho que faz parte da memória afetiva de uma geração, hoje por volta dos 40 anos. Assistir à reprise é como uma doce volta a outros tempos. É como revisitar parentes distantes, com quem a pessoa perdeu contato, mas que continuam importantes e queridos na lembrança.


- Lua Cheia de Amor sela o início de sua parceria com Gilberto Braga, com quem você viria a colaborar, ainda em 1991, em O Dono do Mundo e, posteriormente, em inúmeros outros trabalhos juntos. Como essa amizade e a afinidade profissional de vocês se intensificou ao longo desses 24 anos que separam Lua Cheia de Amor de Babilônia, próximo trabalho de vocês, e o que podemos esperar dessa nova novela?

Com João Ximenes Braga e Gilberto Braga, seus parceiros de jornada
em Babilônia, próxima novela das 21h.
A novela me marcou de diversas maneiras. Foi um trabalho muito importante na minha parceria com Ana Maria Moretzsohn, com quem eu havia, juntamente com Aguinaldo Silva, assinado Tieta, um ano antes. Depois, nós escreveríamos juntos diversas outras histórias. Tornou-se uma parceria e uma amizade para toda a vida. E foi o primeiro, e infelizmente único até hoje, encontro profissional com a minha querida Maria Carmem Barbosa.

Lua Cheia de Amor foi uma novela escrita por três autores, com a supervisão de Gilberto Braga, livremente inspirada na peça Dona Xepa, de Pedro Bloch, e na novela homônima escrita por Gilberto. Como todo momento feliz na vida da gente, rendeu saborosos frutos, que perduram até hoje. Um deles foi o fortalecimento dos meus laços profissionais com Gilberto. Na verdade, mais ou menos nessa mesma época, eu já estava colaborando com ele na primeira versão da minissérie Anos Rebeldes, que foi interrompida e retomada posteriormente. Além de ser um dos dramaturgos mais importantes da história da TV brasileira, Gilberto virou um amigo de todas as horas, companheiro profissional de tantos anos. Novelas vão e vêm, mas a amizade permanece. E o que eu mais me orgulho da época de Lua Cheia de Amor é a minha amizade duradoura com Gilberto e Ana Maria.

Agora, eu, Gilberto e João Ximenes Braga estamos escrevendo Babilônia, que está prevista para estrear em março de 2015, após o carnaval. Com direção geral de Dennis Carvalho e Maria de Médicis. Estrelada por Glória Pires, Adriana Esteves e Camila Pitanga, a novela abordará a vida de três mulheres fortes e ambiciosas.


Susana Vieira, belíssima como Laís Souto Maia:
mais uma prova do talento da atriz.
- Por que Ricardo Linhares gostaria que o público votasse em Lua Cheia de Amor para ser reprisada no Canal Viva? Quais os bons motivos que o público terá para ver, ou rever, a trama?

São tantos motivos... Rever a translumbrante Kika Jordão (Arlete Salles), a chique Laís Souto Maia (Suzana Vieira), Marília Pera (a camelô Genuína) em estado de graça, Isabela e Maurício lindos, talentosos e novinhos... Reapresentar novelas antigas, e ainda em bom estado de conservação, como Lua Cheia de Amor, reforçam a vocação do Viva como a casa dos sonhos dos fãs da TV brasileira.
Conheci Wesley Vieira em uma das (e não me recordo qual) comunidades sobre teledramaturgia do agora praticamente extinto Orkut. Wesley reside em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, onde atua como editor-chefe na revista Olhaí. Sempre soube que ele era um apaixonado por teledramaturgia, mas só descobri seu apego por Lua Cheia de Amor no blog Eu Prefiro Melão, para o qual o jornalista escreveu um texto rememorando a novela. Hoje, Wesley vai em busca, novamente, de suas lembranças da novela, pra trazer ao leitor maiores informações sobre a trama e convencer os indecisos a votarem em uma de suas novelas preferidas. Obrigado, Wesley, pelo ótimo texto e por sua participação no Vivo no Viva.

#TeamLuaCheiaDeAmor
por Wesley Vieira

Por que Lua Cheia de Amor merece ganhar uma reprise no Canal Viva?
1 – Nunca foi reprisada (não clamam tanto por novelas nunca reprisadas? Taí!).
2 – É a mais antiga (se Lua Cheia de Amor vencer, vai comprovar, de fato, o que a audiência do Viva quer: novelas antigas more and more, please!).
3 – Movimentada e divertida (nada melhor do que uma respirada, após assistir a densa O Dono do Mundo e a romântica e soturna A Viagem).
4 – Tem Arlete Salles como Kika Jordão – o grande papel de sua vida. Inesquecível!
5 – Justiça seja feita, Marília Pêra, apesar do exagero, também fez uma Genuína com dignidade. Sua personagem é divertida e humana.
6 – Tem uma trilha sonora deliciosa (imagina, New Kids On The Block tocando para Susana Vieira).
7 – Aliás, Susana Vieira também esteve impecável. Sua personagem, Laís Souto Maia, era deliciosa.
8 – Tá, ok, Lua Cheia de Amor não foi um grande sucesso e nem teve uma grande repercussão (nem de longe foi um fracasso), mas se ela voltar no Viva, será uma oportunidade de fugir das obviedades que já foram reprisadas na Globo. Essa pode ser a chave para novelas como Bambolê ou O Sexo dos Anjos ganharem uma reprise. Let´s Go!
9 – Quem sabe, agora, como obra fechada, Lua Cheia de Amor não ganhe um novo olhar em sua trajetória. Porque há novelas que envelhecem bem. Há sucessos que envelhecem mal. Em qual dessas categorias, essa novela se encaixa?
10 – Isabela Garcia fazia uma mocinha bem ordinária. Vale a pena acompanhar a história de Mercedes, jovem que queria arranjar um marido rico, mas renegava um grande amor, justamente por achar que ele era pobre.

Bom, há outros motivos para listar a volta de Lua Cheia de Amor, novela que nem mesmo um dos autores, Ricardo Linhares, acreditava numa possível volta, justamente por questões de direitos autorais com a família de Pedro Bloch. Foi uma agradável surpresa tê-la nessa lista.

Genú, a dona da muamba... La La Miranda...
Apesar de Kika Jordão ter se tornado a marca dessa novela (aconteceu com várias outras tramas que também tiveram personagens secundários mais relevantes que os protagonistas), Genuína Miranda, mais conhecida como Genú, foi uma personagem divertida. “Vem chegando, minha gente, que já tá ficando quente... Compra madame, na minha barraca, panela bem útil e bem mais barata...” – bradava ela, em sua barraca. A dona Xepa, que era feirante na história original, virou Genú, a mulher que perdeu sua loja por conta dos desatinos do marido viciado em mesas de jogos. Muito honesta e batalhadora, Genú pegou a mercadoria que restou da loja e foi para rua vender panelas e outros objetos. Virou “a dona da muamba”, tal como exemplificado na divertida música-tema de abertura, “La Miranda” cantada magnificamente por Rita Lee.

Sobre a história
Genú é uma daquelas heroínas de novela bem simplória, quase sem instrução, mas muito sábia e generosa. Filha de mãe espanhola com pai brasileiro, ela foi muito maltratada pela vida e sem o apoio do marido, criou os dois filhos sozinha. Seu sonho é reencontrar Diego, que volta após 15 anos de sumiço sob a alcunha de Esteban Garcia (Francisco Cuoco). Mulherengo e amoral, Diego se envolve com várias mulheres deixando Genú cada vez mais desiludida com seu retorno. Seu filho, Rodrigo (Roberto Bataglin) namora a jovem Flávia (Renata Lavíola) e se sente na obrigação de casar com ela após a morte do sogro. No entanto, ele conhece a rica empresária Rutinha (Sylvia Bandeira) e desiste do casamento.  Mercedes (Isabela Garcia), a filha caçula, tem um pouco de vergonha do jeito pobre da mãe e a esnoba. Romântica na medida certa, seu sonho é encontrar um bom partido, mas como os corações são bastante insensatos, ela se apaixona por Augusto (Maurício Mattar) e o rejeita por achar que ele é apenas um pobre motorista de táxi que foi morar na mesma vila onde ela vive. Ledo engano. O rapaz idealista e independente é herdeiro de uma das maiores agências de publicidade do Brasil. Filho de Conrado (Cláudio Cavalcanti) e da sofisticada Laís (Susana Vieira), ele não liga para o dinheiro da família e seu sonho é montar o próprio negócio tendo suas ideias revolucionárias como característica.

A trilha sonora
Aliás, os desencontros entre Augusto e Mercedes eram pontuados pela linda “Heal The Pain” do astro George Michael. As trilhas sonoras eram recheadas de grandes sucessos dos anos 90 como “Só Você Vai Me Fazer Feliz (Can't Help Falling In Love)”, do Julio Iglesias; “Luz da Lua (Prendi La Luna)” na voz da espanhola Ana Belén, “You Gotta Love Someone”, do britânico Elton John; “I’m Free” do The Soup Dragons e a velha boy-band New Kids On The Block com “Let’s Try Again”. Lembro perfeitamente das inúmeras vezes que a propaganda da trilha internacional era veiculada e meu desejo era ter o disco da novela. Foram preciso 10 anos para conseguir o tão sonhado disco, ou melhor, o CD com as ótimas músicas.

Outros Personagens
Mas Lua Cheia de Amor também tinha outros personagens interessantes como a recalcada Emília (Bete Mendes), a “boca de aratanha” que teve um caso com Diego e vivia às turras com a vizinha Genú. Wagner (Mário Gomes) era o vilão da história e sua meta era roubar a agência de publicidade de Conrado. Além disso, ele vivia infernizando a vida da esposa Isabela (Drica Moraes), a filha cleptomaníaca de Laís. A ricaça Rutinha também foi outro destaque da história.

Então, bora votar em #LuaCheiadeAmorNoViva?

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Leia mais sobre Lua Cheia de Amor, em um texto de Guilherme Staush, no blog Memória da TV. Clique aqui!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

ESPECIAL

Você decide! E nós te ajudamos!
Tudo sobre as possíveis substitutas de História de Amor

História de Amor é, ao lado de A Viagem, a maior audiência do Viva desde que este entrou no ar, em 2010. Evidentemente, o canal não quer ver seus bons números minguarem após o capítulo final da trama de Manoel Carlos. Por isso, a reapresentação de Pecado Capital foi cancelada e a decisão quanto à próxima atração do horário caberá ao público.

No ar desde a última segunda (08), a enquete que irá decidir a próxima reprise do canal traz três novelas, todas elas exibidas na década de 90, com tramas distintas, mas que com um ponto em comum: são novelas leves, de fácil assimilação, voltadas para dramas pessoais de forte apelo, tais e quais as últimas produções levadas ao ar pelo Viva neste horário. Lua Cheia de Amor (1990), Despedida de Solteiro (1992) e Tropicaliente (1994), as novelas que disputam a sua preferência, são ótimas opções para a faixa das 15h30. E caso você ainda esteja em dúvida sobre o seu voto, por gostar de mais de uma das novelas concorrentes ou por não se lembrar direito de nenhuma delas, o Vivo no Viva vai te dar uma mãozinha. A partir de hoje, teremos um especial sobre as tramas que concorrem à vaga de História de Amor.

E para começar, vou evocar minhas lembranças pessoais sobre cada uma das novelas concorrentes. Espero que vocês, amigos leitores e fãs do Viva, sintam-se à vontade para relembrar bons momentos das tramas nos comentários, e escolherem a sua preferida.

Guardo na memória imagens tão “frescas” de Lua Cheia de Amor que, por muito tempo, pensei que a novela havia sido reprisada. Principalmente por me lembrar de assistir a trama com o dia ainda claro (e não sei se, em 1990, o horário de verão já estava em vigor). Hoje, acredito, essas lembranças devem vir do repeteco de algumas cenas no Vídeo Show. Susana Vieira, toda elegante, em um blazer amarelo; Marília Pêra quebrando o pau em uma loja de louças; Arlete Salles, tresloucada, gritando ao ficar presa em um banheiro com uma aranha. Adorava a abertura, que eu sempre achei curtíssima, bastante colorida e muito divertida. E a fita K7 com a trilha nacional, que uma tia minha adquiriu com uma vizinha, que vendia artigos do Paraguai e fitas piratas. Votaria em Lua Cheia de Amor por ser a mais a antiga dentre as concorrentes e pelo fato de nunca ter sido reprisada. Assim, poderia ver as cenas das quais me recordo e entender o contexto no qual elas se inserem. E poderia também ver a grande Bete Mendes em um papel diferente das "mulheres meigas e sofridas" que ela vem interpretando atualmente: a encrenqueira Emília, rival de Genuína (Marília Pêra), que popularizou a expressão “boca de aratanha”. Se não popularizou, ao menos entre nós, noveleiros que frequentávamos o antigo chat do blog Memória da TV, a expressão se propagou, graças ao meu amigo Guilherme Staush, que sempre recorria à ela.

Já de Despedida de Solteiro, guardo lembranças ainda mais fortes. Acompanhei a novela em 1992, mas, dessa época, pouco recordo sobre a trama. Lembro do anúncio nos finais do Xou da Xuxa, quando o locutor dizia, enquanto os créditos subiam, “Despedida de Solteiro. Hoje, seis da tarde. Assista agora...”. Lembro do encerramento da Escolinha do Professor Raimundo, seguindo para o início imediato de Despedida, em uma cena na qual Lenita (Tássia Camargo) bate à porta de Dona Dala (Léa Camargo), procurando por seu grande amor, João Marcos (Felipe Camargo). Léa era uma agradável presença nas novelas de Walter Negrão, na década de 90. Outra atriz de gabarito que me arrebatou nesta trama foi Lolita Rodrigues, com sua Emília Souza Bastos. Em todas as cenas, desde quando agia com autoridade com relação aos amigos do filho, até quando reagia acuada ao ser confrontada por Vitório (Elias Gleiser), que a chamava por Emilinha, Lolita deu show. Anos depois, em uma entrevista ao Programa do Jô, a veterana elegeu Emília como uma de suas melhores personagens, por nunca ter se imaginado vivendo uma milionária na tela da Globo. Viveu sim e com perfeição! Da reprise da novela, em 1996, guardo boas recordações. Meu pai, ao ver as chamadas, comentou: “Essa vale a pena ver de novo mesmo!”. Assisti um dos capítulos em uma TV em preto e branco, na casa de uma tia-avó, onde fui passar a tarde, o que, para uma criança acostumada com a TV a cores, foi uma experiência bastante divertida. Durante o repeteco, me afeiçoei à Marta, de Lucinha Lins (outra atriz que aprendi a gostar em Despedida). Adoro a cena em que Pedro (Paulo Gorgulho) lhe pede uma receita, apenas para confrontar sua letra com a do bilhete deixado no cesto em que ela abandonou Léo (Patrick de Oliveira), na porta da casa de Vitório. Despedida de Solteiro, certamente, merece o meu voto, pelo saudosismo que me causa e pela excelente trama que é.

Tropicaliente também vale por sua trama. O romance entre o pescador Ramiro (Herson Capri) e a empresária Letícia (Sílvia Pfeifer) me chamava a atenção, embora, desde o início, eu sempre tenha torcido para que Serena (da ótima Regina Dourado) reconquistasse o marido. A novela foi bastante negligenciada pela Globo. Deixou de ir ao ar por conta de alguns jogos da Copa do Mundo nos Estados Unidos, o que levou minha tia noveleira a protestar. Ela adorava tanto a novela que, quando as chamadas de Irmãos Coragem entraram no ar, exclamou “tomara que seja pra substituir a novela das oito” (na ocasião, Pátria Minha); e após ouvir “a nova novela das seis”, lamentou “ah, Tropicaliente vai acabar? É a única novela que presta atualmente”. Minha tia também adorava o nome Amanda. E eu desde sempre adorei Paloma Duarte, a intérprete de Amanda, mocinha que se jogava para cima do namorado da mãe, François (Victor Fasano). Quando ela perde um brinco na cama do arquiteto, rola o maior rebuliço! Tropicaliente me conquistou com suas chamadas, bastante elaboradas para os padrões da época. No primeiro capítulo, cheguei correndo da escola para conferir a estreia e o máximo que consegui ver foi a abertura. Já havia perdido o primeiro bloco! No Vale a Pena Ver de Novo, em 2000, anotava todas as cenas, de todos os blocos, relatando cenários e personagens. Estavam "escaletando" a novela e não sabia! Visitei as locações de Tropicaliente em 2012, numa viagem ao Ceará, e gostaria de revê-la, em especial, por este motivo: conferir no vídeo lugares tão paradisíacos, que não me recordo de ter visto na novela.


Enfim... Motivos para votar em qualquer uma das novelas não faltam. São três excelentes opções, que farão a alegria de qualquer noveleiro. É evocar o saudosismo, relembrar as tramas, ouvir de novo as trilhas sonoras e fazer, por fim, a melhor escolha. Nós vamos continuar te ajudando a tomar essa decisão!


A seguir, cenas do próximo capítulo!

Amanhã... Uma entrevista exclusiva com Ricardo Linhares, um dos autores de Lua Cheia de Amor, e o depoimento de Wesley Vieira, no #TeamLuaCheiaDeAmor. Não deixem de conferir!