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domingo, 18 de janeiro de 2015

Queridos leitores, peço desculpas pelo atraso na atualização do blog, neste fim de semana. Compromissos profissionais me impediram de publicar a entrevista com Ricardo Hofstetter na sexta, conforme havia prometido. A nova edição da Viva Revista também saiu hoje, excepcionalmente. Espero que gostem do conteúdo e continuem prestigiando o Vivo no Viva.

Ricardo Hofstetter

De colaborador à autor titular. A carreira de Ricardo Hofstetter evolui dentro da soap-opera Malhação. Presente na equipe de roteiristas da trama, desde a transição de cenário (da academia para o Múltipla Escolha), Ricardo conhece como ninguém os meandros da novela e o gosto do público que a acompanha. Foi Ricardo quem emplacou a temporada de maior sucesso da trama (2004), cuja reprise o público do Viva aguarda ansiosamente. Nesta entrevista, Ricardo relembra sua participação na equipe de Malhação e comenta a temporada 2003, que estreia amanhã, 13h, no Viva. Ao autor, nossos agradecimentos.

***

- Você integrou a equipe de texto de Malhação de 1998 (como colaborador) até 2009 (como autor de Malhação ID), quase que ininterruptamente. Quais os prazeres e as dificuldades de escrever Malhação? Como manter o ritmo da temporada, ao longo de tanto tempo no ar, e se reinventar para dar continuidade à temporada seguinte?

Os prazeres e as dificuldades variam de acordo com a posição que você ocupa na equipe de roteiristas. Em Malhação, ocupei todas essas posições, desde apenas colaborador (até 2000), passando por escaletador (2001 e 2002), depois autor principal (2003 e 2004) e supervisor da temporada 2005, escrita pela Izabel Oliveira e Paula Amaral. Depois me pediram para escrever mais uma fase como autor titular e fiz a Malhação ID (2009-2010). Quando você é apenas colaborador, tudo é festa e você se diverte muito escrevendo cenas e dando ideias, sem muitos compromissos. Quando passa a escaletador, as dificuldades e a responsabilidade aumentam muito. Quando passa a autor-titular tudo tem que passar pela sua mão, a responsabilidade pelo programa é toda sua, e o nível de estresse aumenta muito, assim como a quantidade de trabalho.  Mas como adoro escrever, mesmo sob estresse, é sempre muito divertido estar no ar. O desafio é não parar um minuto de pensar em novas histórias ou novos ângulos para contar histórias manjadas. Esse é o desafio de qualquer novela no Brasil.

- Quais as suas preferências na temporada 2003 de Malhação, em termos de personagens, tramas e cenas?

Se não me falha a memória, a temporada de 2003 foi o segundo ou terceiro melhor ibope de toda a história do programa e a primeira que escrevi como autor titular. A temporada de maior ibope de toda a história do programa foi a seguinte, a de 2004, a fase da Vagabanda, onde também fui o autor titular. Então acabo sendo um pouco injusto com a fase de 2003 porque todas as minhas lembranças vão para a fase de 2004. Mas, revirando a memória, vejo que 2003 teve coisas muito boas: os atores que faziam os pais eram fantásticos (Maitê Proença, Totia Meirelles, Zé de Abreu e Evandro Mesquita), os protagonistas eram a Manuela do Monte (Luísa) e o Sérgio Marone (Victor), um casal com uma química fantástica. Lembro que o personagem da Maitê, na trama, acabava sendo entrevistada pelo Jô Soares em seu programa e acho que foi a primeira vez que misturamos ficção (a trama de Malhação) com a realidade (o Programa do Jô). A prima da Luísa, Carla (interpretada pela Nathália Rodrigues) era uma vilã da pior espécie, que mesmo sendo recebida com todo carinho na casa da prima, fazia de tudo para detonar o namoro de Luísa para ficar com Victor, uma grande sonsa. E tinha o Serginho Hondjakoff e o Cauã Raymond, em seu primeiro papel na Globo, fazendo a hilária dupla Cabeção e Maumau. Relembrando agora vejo que foi uma fase muito legal do programa. Quem assistir não vai se arrepender.

- Malhação 2003 estreou em abril daquele ano e se encerrou em janeiro de 2004, totalizando 190 capítulos, uma redução bastante drástica, comparada aos números das temporadas anteriores. A que se atribuiu essa mudança, na época?

Não foi uma mudança, na verdade o tamanho das fases variava de acordo com o fôlego de cada história. Algumas duravam mais, outras menos. Era normal essa diferença. Lembro que a fase de 1999, quando o cenário principal da novela passou de uma academia de ginástica para um colégio (o Múltipla Escolha), teve apenas 125 capítulos, bem menor do que as outras. A fase de 2003 durou o tempo que o fôlego da história permitiu, sem criar barriga. E 190 capítulos é uma novela longuíssima, são 10 meses no ar, é muita coisa!

- Seu último trabalho foi na novela Além do Horizonte, encerrada em maio do ano passado. Na última semana, a colunista de TV Patrícia Kogut divulgou em nota a sua nova parceria com Marcos Bernstein, autor da novela, em uma sinopse “bem diferente”. Pode nos adiantar algo deste novo trabalho?


Ricardo com a equipe de colaboradores e os autores
Carlos Gregório e Marcos Bernstein, de Além do Horizonte.

Sim, a parceria está rolando, mas ainda não dá pra adiantar nada. A única coisa que dá pra dizer é que será uma história bem diferente do padrão das histórias de novelas dos últimos tempos.



Não deixe de ler a nova edição da Viva Revista. Já "nas bancas"...

sábado, 20 de dezembro de 2014


O nosso resumo mensal de tudo o que rolou, tá rolando ou pode rolar no Viva e no blog.

O Mais do Viva deste mês é especial. Todos os tópicos da nossa coluna foram escritos por Julio Cesar Fernandes, autor do livro “A Memória Televisiva como Produto Cultural: um estudo de caso das telenovelas do Canal Viva”, lançado em agosto, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. Julio, coordenador de operações do jornalismo na TV Globo, desenvolveu o livro com base na adaptação da dissertação homônima, desenvolvida no curso de Pós-Graduação em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo. O trabalho se propôs a estudar a memória televisiva como parte da memória social e coletiva. O objetivo geral da pesquisa foi analisar a memória televisiva recuperada e construída pelo Canal Viva, por meio das novelas da Globo nele exibidas, verificando, assim, suas características como produto cultural e buscando o lugar dessa memória televisiva na trama das mediações culturais e das interações sociais.

Para adquirir a obra, consulte os sites Disal e Livraria Cultura. Maiores informações no Facebook do livro. Clique, curta, compartilhe, leia!

Saiba mais sobre “A Memória Televisiva como Produto Cultural: um estudo de caso das telenovelas do Canal Viva” na entrevista com Julio Cesar Fernandes, logo abaixo. Nossos agradecimentos ao autor, sempre simpático e muito solícito.

Entrevista
Julio Cesar Fernandes

Julio e Elmo Francfort, autor de Rede Manchete:
Aconteceu, Virou História
e Avenida Paulista, 900:
A História da TV Gazeta
.
- Como surgiu o livro “A Memória Televisiva como Produto Cultural: um estudo de caso das telenovelas no Canal Viva”? O que o motivou a escrevê-lo e como se deu todo esse processo, da coleta de dados ao resultado final?

Escrevi minha dissertação de Mestrado a cerca do Canal Viva e suas telenovelas. Sempre me interessei pela história da TV e o gênero televisivo que mais consumo é a telenovela. Então, quando surgiu o Canal Viva não tive dúvida: ele seria meu objeto de estudo.

O livro conta com um capítulo sobre a história da televisão e da telenovela no Brasil. Há também um levantamento bibliográfico de alguns conceitos como cultura e nostalgia. Por fim, há a pesquisa propriamente com entrevistas com profissionais do Canal Viva e um grupo focal com telespectadores das telenovelas no Viva.

Julio e Vida Alves, atriz pioneira e
presidente da Pró-TV.
- O livro foi lançado com o selo Pró-TV, uma importante associação que visa a preservação da memória da televisão brasileira. Como vê esta iniciativa e de que forma acredita que seria mais viável que o grande público viesse também a prestar sua contribuição?

A iniciativa da Vida Alves e da Pró-TV é louvável, desde 1995 eles batalham pela criação de um museu da televisão no Brasil. Com projetos como o da Coleção Pró-TV, o público terá a oportunidade de conhecer melhor nossa própria história e contribuir para a criação desse museu.

Espero que cada vez mais gente tome consciência dessa responsabilidade, afinal, a história é nossa!

A Novela da Minha Vida

A minha novela predileta é Quatro Por Quatro, desde que assisti pela primeira vez em 1994, me encantei. Gosto da agilidade do texto do Lombardi. Além disso, as cenas cômicas com as atrizes Letícia Spiller e Betty Lago são um prato cheio para quem gosta de humor em novela, que é o meu caso.

Aplausos Para...

Gilberto Braga. Na minha opinião, um autor completo. A “dupla” Anos Dourados e Anos Rebeldes é encantadora e traz um retrato da história do nosso País. Sem falar na adaptação do romance de Bernardo Guimarães, Escrava Isaura, e a contemporânea Celebridade.

Astros e Estrelas

Destaco o diretor Edison Braga. Trabalhei com o Edison no programa Projeto Lírios, da TV Mundo Maior. Ele foi diretor das novelas A Viagem e Mulheres de Areia, da TV Tupi. Com a extinção da Tupi, ele foi para a TV Cultura, onde dirigiu tele romances. Edison faleceu em 2012, em São Paulo, e, infelizmente, não é tão lembrado na história da teledramaturgia brasileira.

Vivamaníacos

Julio e Nilson Xavier, pesquisador em dramaturgia
e colunista do site do Canal Viva.
Eu sou vivamaníaco desde... que nasci.
O melhor do Viva até agora foi... a sua criação.
O Viva “deu ruim” quando... trocou o formato de 4x3 para 16x9, mas logo voltou atrás, graças aos fãs.
Eu quero ver na grade do canal... cada vez mais novelas antigas.
Eu gosto de ver o Viva quando tô no sofá... ou na cama, ou em qualquer lugar. Viva sempre!
Minha coleção de novelas tem... uma minissérie: Anos Rebeldes.
A maior relíquia do meu acervo de novelas é... a primeira versão de Escrava Isaura.

O Viva pra mim é... mais que um objeto de uma pesquisa, é meu canal predileto e a forma para manter viva a memória.

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Confira a nova edição da Viva Revista. Tudo sobre as novelas do Viva!

terça-feira, 23 de setembro de 2014



Guarde este nome: Thiago Luciano. Parece familiar? É familiar sim. Thiago esteve no elenco de diversas produções globais, na última década. Seu trabalho mais marcante (acredito que não só para mim) foi o Ivan, motorista e cúmplice de Cristina (Flávia Alessandra), a grande vilã de Alma Gêmea. A partir de amanhã, Thiago volta a figurar nos créditos de uma produção dramatúrgica. Desta vez, como roteirista. É de sua autoria a série Meu Amigo Encosto, que o Viva estreia nesta quarta, às 21h, abrindo os seus investimentos em dramaturgia. Thiago atendeu ao nosso pedido para uma entrevista aqui no blog, que vai ajudar você a conhecer mais o autor e a obra em questão. Deixamos aqui o nosso desejo de muito sucesso para Meu Amigo Encosto e para o Thiago. Vamos te prestigiar, com certeza!

Thiago Luciano

- O grande público conhece seu trabalho em frente às telinhas, em novelas como Alma Gêmea e O Profeta. Como se deu a transição de sua atividade como ator para sua já premiada carreira de roteirista?

Realmente, minha carreira como ator foi o start para me aproximar de escrita. Ser ator, na essência, me ajuda muito a entender um personagem, pensar como ele. Na verdade me aproximei primeiramente da direção; aí depois veio o roteirista. E veio da necessidade de contar historias, de tirar das ideias e colocar no papel. E quando percebi que me envolvi com isso, escrevi o roteiro do longa Um Dia de Ontem, que foi uma aula pra mim. Pois eu não tinha técnica, fazia tudo de improviso e de intuição. Depois disso é que resolvi estudar as formas de escrita e conhecer as ferramentas pra poder usá-las da melhor maneira. É preciso primeiro conhecer pra depois desconstruir. E eu estava fazendo o contrário. Então comecei escrevendo curtas e rodando; daí escrevi dois longas que estou tentando captar. Na sequência, me bateu uma vontade grande de conhecer as ferramentas do teatro, e me aventurei, escrevendo duas peças. Uma já estou em busca de patrocínio para montar no ano que vem. Só depois com o boom de séries no Brasil, e acompanhando as séries de fora, é que resolvi investir nessa área e procurar conhecimento.


- Você participou do 1° Programa Globosat de Desenvolvimento de Roteiristas, em 2013, seminário que resultou na escolha de Meu Amigo Encosto para a grade do Canal Viva. Qual a importância do seminário no desenvolvimento de seu roteiro e de iniciativas do gênero para o mercado audiovisual?

Foi um programa muito importante pra mim. Pois foi ali dentro que criei a série Meu Amigo Encosto. Ao final do seminário do Robert Mckee, pediram projetos de série de TV para os participantes, pois alguns seriam escolhidos para participar dos laboratórios. Eu tinha alguns projetos de série junto com outros roteiristas e já tinha tentado vender; foi então que pensei que precisava de algo novo, fresco. Meu primeiro pensamento foi “Preciso de uma comédia!”, um caminho que ainda não tinha explorado. Nesse mesmo dia, durante o coquetel de encerramento tive o estalo da série. Então tive doze dias para entregar uma série criada para a GLOBOSAT. E com Meu Amigo Encosto entrei no laboratório. E tive a oportunidade de discutir o meu projeto com Marta Kauffman, Dan Halsted, Barry M. Schkolnick, e aprimorar a minha ideia, até fazer o pitching da série para todos os canais da GLOBOSAT. Foi então que o canal Viva se interessou.  É uma iniciativa importante para os roteiristas brasileiros. Poder ouvir um pouco do processo deles, que fazem tanto sucesso no mundo inteiro. E dessa forma podemos adaptar esse conhecimento para o mercado brasileiro.


- A série Meu Amigo Encosto foi aprimorada em uma writer’s room, da qual fizeram parte os roteiristas Tony Góes e Fausto Noro, além de Maria Carmem Barbosa, como consultora. O que tal processo agregou ao seu argumento original? Como manter a identidade do autor em um processo de discussão como este?

Trabalhei na sala com o roteirista Fausto Noro, que foi e é meu parceiro em outros projetos, com o roteirista Tony Góes e com a roteirista Helena Perin, que nos dava toda a assistência. Quem trouxe muita coisa pra gente e guiava o nosso writer’s room foi Jaqueline Cantore, sempre trazendo referencias e provocando o grupo para um melhor resultado. Uma coisa interessante e que nos preocupamos muito durante o processo foram os personagens. Gastamos quase dois meses apenas trabalhando os personagens, e isso faz uma diferença muito grande. Quando começamos a criar a escaleta e escrever os roteiros, todos já estavam íntimos dos personagens e contando a mesma historia. Quem também me ajudou muito no processo e acompanhou o trabalho desde o inicio até o final das gravações foi a produtora Mara Lobão. Ela virou uma parceira de trabalho mesmo. Tem uma visão apuradíssima sobre os roteiros e episódios prontos. Uma parceira que levo adiante.  Depois de todo o processo na sala, ainda sentei com a Maria Carmem Barbosa, que fez a supervisão. A gente trabalhou todos os roteiros, encontrando piadas e dando ritmo em diálogos. Um prazeroso encontro. Uma coisa interessante como criador da série é ver que a todo o momento eu não posso me fechar para que o projeto cresça. Muita coisa muda desde a sala que trabalhamos até o final das gravações e eu fiquei junto em todo o processo. Tudo o que veio a acrescentar eu tive que abrir e deixar o projeto crescer. Ele é vivo e não para nunca de ganhar corpo. Isso aconteceu quando o diretor Paulo Fontenelle entrou no projeto. O Paulo foi um cara que entendeu a série muito rápido e batemos uma bola boa. Então me abri para as novas ideias do Paulo e reescrevemos algumas coisas em prol do projeto. Sempre que um olhar novo e de confiança, como o dele, compra a briga do projeto, eu tenho que deixá-lo entrar de cabeça e usar suas ideias. E o fato de eu estar presente desde a criação até a montagem, faz com que a primeira ideia da serie continue viva. Não que tudo que está na tela tenha o meu dedo, mas eu não deixo escapar a ideia central. E o diálogo com o canal sempre foi muito saudável. Sempre lutando para ter o melhor projeto possível.


- Esta é a primeira produção de dramaturgia do Canal Viva, tradicionalmente conhecido por suas reprises. O que a série oferece aos tradicionais telespectadores da faixa de humor do canal, que abriga clássicos como Viva o Gordo e séries como A Diarista e Sai de Baixo?


Eu estou muito envolvido com o projeto e não tenho como olhar pra ele com o olhar virgem, de quem vê pela primeira vez. A gente nunca consegue ver a nossa obra com o frescor que merece ser visto. Meu Amigo Encosto é uma série para se ver em família. Tem o imaginário da maioria dos brasileiros que acreditam que os encostos existem e atrapalham a vida das pessoas. Tem a funcionária apaixonada. Muita confusão e gargalhadas, como diria o narrador da Sessão da Tarde. Um pouco de magia. É uma série fresca, com uma atmosfera própria. E espero que o público compre a ideia. A TV é feita para o público. Eles tem que se divertir.


- Para encerrar, gostaria que você contasse aos leitores do nosso blog um pouco mais sobre essa primeira temporada de Meu Amigo Encosto? O que podemos esperar dessa louca relação entre Ivan (George Moura) e Janjão (Danilo de Moura)?


Tenho que citar aqui que o Danilo e o George bateram um bolão. É muito bonito de ver o desenvolvimento dos personagens deles até o último episódio. Eles fizeram um ótimo trabalho. É sobre uma amizade improvável. Um cara como Ivan, solitário e com a vida de ponta cabeça, acaba encontrando um amigo. Mas ele é um encosto. Então nessa primeira temporada temos uma relação muito peculiar de um cara que tenta se livrar do encosto, mas ao mesmo tempo esse encosto é que esta movimentando a vida dele. Tirando Ivan da mesmice e levando-o para novas aventuras. Até se descobrirem amigos de verdade. Mas até lá muitas confusões acontecem. Tem a funcionaria de Ivan, Rosimary (Amanda Ritcher), que é apaixonada por ele e é um pouco sonsa. O Doutor Clint (Cadu Fávero) que é um encostologista e trata seus pacientes através de aplicativos criados por ele mesmo. Tem a Yolanda (Márcia Cabrita) na “União dos Encostos”, que é onde os encostos se encontram para trocar informações e prestar contas para a chefe. E ela fica apaixonada por Janjão. Então tem muita coisa pra acontecer nessa temporada. E o último episodio ainda tem um grande gancho para uma continuação. Tem bastante fôlego.  O mais interessante é que toda a equipe, os atores, o Paulo, a gente já conversa como se a segunda temporada estivesse certa. Já temos muita história pra contar. Dá pra seguir por muitas temporadas, porque é uma historia sobre amizade, sobre ter alguém ao seu lado. No caso do Ivan é um encosto. E não posso deixar de agradecer aqui o canal Viva por apostar nessa serie. A Leticia, Clarisse, Samuel. E todos empenhados para que seja um sucesso.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ESPECIAL

Dois nomes ajudaram a fazer de Despedida de Solteiro o grande sucesso que a novela foi. O primeiro, um jovem loiro, de cabelos longos, que em 18 capítulos levou às adolescentes da época ao delírio, e se tornou uma das marcas registradas da trama. O segundo, o grande capitão, aquele que esteve no comando desta “embarcação” tão complicada de ser conduzida, cuidando da produção e dando o tom correto ao texto de Walter Negrão. João Vitti e Reynaldo Boury participam, hoje, do especial sobre as novelas que disputam a vaga de substituta de História de Amor. Mais curiosidades sobre Despedida de Solteiro e sobre estes dois nomes da teledramaturgia brasileira você confere nas entrevistas abaixo.
Reynaldo Boury

Na galeria dos grandes nomes da teledramaturgia brasileira, Reynaldo Boury merece lugar de destaque. De auxiliar de câmera, passou a editor, até assumir, como diretor, a novela A Moça que Veio de Longe, na Excelsior (1964). Migrou para a TV Globo em 1970 e lá esteve à frente de grandes sucessos, como Selva de Pedra, a primeira versão de Sinhá Moça e Tieta. Até se deparar com uma nova missão: implantar, em tempo recorde, a novela das 18h que substituiria Felicidade. No comando de Despedida de Solteiro, Boury, mais uma vez, viu o sucesso bater à sua porta. Após um período no núcleo de teledramaturgia da TV Pública de Angola, migrou para o SBT, sendo hoje o responsável pela exitosa Chiquititas. Na manhã deste domingo, Boury, muito gentil e extremamente atencioso, respondeu a diversas perguntas sobre a novela de Walter Negrão e seus trabalhos atuais. Confira!

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- O senhor já “apagou incêndios” na TV Globo, como quando assumiu a direção do remake de Irmãos Coragem, já no segundo terço da trama. Podemos dizer que Despedida de Solteiro se deu após um “princípio de incêndio”: o cancelamento do remake de Mulheres de Areia, em virtude da gravidez da protagonista, Glória Pires. Como foi implantar Despedida de Solteiro, praticamente às pressas? Quais as suas recordações das primeiras reuniões, escalação de elenco, pré-produção e primeiras gravações? Sentiu-se satisfeito com o resultado final da novela?

Realmente, a Glória Pires faria as gêmeas, mas, por estar grávida a Globo abandonou o projeto e fomos requisitados para a Despedida de Solteiro. Nada muito complicado, pois estávamos acostumados a este procedimento. Em Tieta, as condições foram muito piores e deu muito certo. Aqui, a cidade cenográfica já estava praticamente pronta. Foi só adereçar os cenários para uma cidade do interior, pois Mulheres de Areia seria no litoral. Nada muito difícil em transformar uma peixaria em uma oficina mecânica. E o resultado da novela foi bom, pois alcançou a meta que a Globo desejava.


- Atualmente, em Chiquititas, além de um elenco de crianças e novatos, o senhor tem o jovem Ricardo Mantoanelli em sua equipe de diretores. Em Despedida de Solteiro, o ator Cláudio Cavalcanti e Carlos Manga Júnior, dois profissionais pouco requisitados para essas funções, eram seus parceiros na direção. E também tínhamos crianças (Fernanda Nobre e Patrick de Oliveira) e novatos (como Helena Ranaldi, João Vitti, Letícia Spiller e Rita Guedes). Qual a importância do “sangue novo” para a dramaturgia, tanto em frente, como atrás das câmeras? Como o senhor garimpou tantos bons nomes para Despedida de Solteiro?

Excelente elenco a Globo sempre tinha. Também foi fácil selecionar. Algumas novidades surgiram: Rita Guedes, João Vitti, Helena Ranaldi (vinda da Manchete) Letícia Spiller; todos com talento. Lembro muito bem que a Helena Ranaldi, tinha que dirigir um caminhão. Já viu, né? Boa coisa não podia sair. Rita Guedes vinha do interior, e falava um pouco “caipirez”. Mas ambas se saíram muito bem. Foi fácil administrar. A Fernanda Nobre foi uma “cria” nossa. Menina esbanjava talento. Então foi só ir administrando. Deu certo. Com os dois diretores também aconteceu o mesmo. Carlos Manga Júnior também se revelou. Pena que não seguiu na dramaturgia; preferiu dirigir comercial, bem mais rentável. Claudio Cavalcanti foi meu parceiro em outros trabalhos. Grande talento da televisão brasileira. Ricardo Mantoanelli está começando na dramaturgia e se saindo muito bem. A Patrulha Salvadora foi uma dificuldade que ele resolveu com maestria. Tem futuro. E garimpar talentos sempre foi o nosso objetivo. Com Carrossel e agora, com Chiquititas, isso está sendo realizado.


- Como tem sido seu trabalho à frente do núcleo de dramaturgia do SBT? A aposta no segmento infantil prosseguirá? E a qual linha se dedicará o segundo horário de novelas da emissora?

O SBT precisa manter este filão infantil. Precisamos sempre seguir a faixa etária dos 05 aos 10 anos. Renovando sempre, pois as idades vão subindo e é necessário manter as crianças com uma novela saudável, familiar, onde todos possam assistir sem constrangimentos: avós, pais, filhos e netos. Novelas realizadas por uma família, para as famílias curtirem. O segundo horário de novelas, com certeza, surgirá na hora oportuna. O Silvio Santos é um mestre e não deixará esta oportunidade passar.
João Vitti

Não há quem ouça falar de Despedida de Solteiro e não se recorde, imediatamente, do Xampu. O jovem de longos cabelos loiros, que estreava na TV naquele junho de 1992, teve uma passagem meteórica pela novela, mas que se tornou fundamental para o desenvolvimento de uma das tramas paralelas, a de Bianca (Rita Guedes, que também estreava). João Vitti se tornaria conhecido em todo o país. Despedida de Solteiro seria o primeiro passo para uma carreira de sucesso que inclui, dentre outros, o Lúcio, de Éramos Seis, o jornalista Serafim, de O Cravo e a Rosa, o Jorge Luiz, de O Direito de Nascer, o Paulo, de Essas Mulheres, e o Joabe, de Rei Davi (para citar, apenas, meus trabalhos preferidos do ator). Cotado para o elenco de Os Dez Mandamentos, próxima novela da Record, João arrumou um tempinho para conceder, via Facebook, seu depoimento sobre Despedida de Solteiro para o nosso blog.

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- Em uma recente entrevista ao jornal Extra, você declarou, a respeito da escalação de seu filho, Rafael Vitti, para a nova temporada de Malhação: “Sinto Rafael mais maduro aos 18 do que eu quando estreei, aos 25”. Acredita que hoje a TV está mais estruturada para amparar novos talentos? Como se deu sua estreia na novela e como vê o trabalho de seu filho, ao lado de Felipe Camargo, seu companheiro de elenco em Despedida?

Atualmente se tem um cuidado maior com a preparação do ator (seja ele estreante ou veterano) para uma obra na televisão. Há um preparo anterior com uma série de workshops que permitem ao ator iniciar seu trabalho com mais segurança e conhecimento sobre o personagem que irá interpretar. Por exemplo: o Rafael teve um mês de preparo com seus colegas de elenco da Malhação. Tiveram aulas de fono, expressão corporal, interpretação, música e até diálogos com psicólogo para entenderem o universo em que iriam trabalhar e lidar com tranquilidade com todos os aspectos que envolvem uma exposição de imagem na Globo. Eu, como espectador, quando assisto a Malhação, percebo o resultado desse preparo no trabalho de cada um desses meninos e meninas estreantes. Isso é maravilhoso e significa que a empresa está muito atenta ao aspecto humano do nosso ofício. Comigo, foi no susto. Me ligaram numa segunda-feira em São Paulo e na quinta da mesma semana eu vim para o Rio e já comecei a gravar no dia seguinte. Foi uma loucura. rsrs... E quando o Rafael me disse que o Felipe seria seu pai na trama, eu fiquei muito feliz e tranquilo. Uma feliz coincidência.


- Xampu, seu personagem em Despedida de Solteiro, integrava o núcleo principal da novela. Você contracenou, ainda que por pouco tempo, com grandes nomes, como Lúcia Veríssimo, Lolita Rodrigues, Paulo Gorgulho, Elias Gleiser, Felipe Camargo, Mauro Mendonça e Ana Rosa. Como era a convivência com tantos talentos nos bastidores? Quais suas cenas preferidas como Xampu?

Poxa, trabalhar com veteranos como os que você citou, foi maravilhoso, um grande aprendizado e ao mesmo tempo me trazia um senso de responsabilidade muito grande. Não posso deixar de citar o mestre Reynaldo Boury, diretor da novela, que me acolheu como um filho. Sou eternamente grato a ele por esse cuidado comigo. Gosto muito das sequências que o personagem Xampu é preso numa penitenciária. Gravamos durante uma semana no Carandiru e aquela vivência me marcou para o resto da vida.


- Por que João Vitti gostaria que o público votasse em Despedida de Solteiro para ser reprisada no Canal Viva? Quais os bons motivos que o público terá para ver, ou rever, a trama?

Adoro quando reprisam um trabalho meu. Sou mais benevolente comigo nas reprises. rsrs... Despedida de Solteiro é meu início na TV e seria bacana para as moças entre 30 e 40 anos hoje, reverem o Xampu, que naquela época era uma febre.





Em tempo: João está excursionando por algumas capitais, até dezembro, com a peça A Dama do Mar, de Henrik Ibsen (numa versão de Maurício Arruda Mendonça, dirigida por Paulo de Moraes). Em janeiro, estará em cartaz em São Paulo. E em novembro, poderá ser visto no longa O Lucro Acima da Vida.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

ESPECIAL

Causou surpresa a presença de Lua Cheia de Amor na enquete que irá decidir a nova reprise do Canal Viva. Exibida entre dezembro de 1990 e julho de 1991, a novela chamou a atenção da audiência, mas não foi um estouro como outras produções das 19h. Os que acompanharam a trama, naquela época, lembram-se dela com saudade. Tanto pelo arrivismo de Mercedes (Isabela Garcia), como pelo recalque da maldosa Emília (Bete Mendes); pela elegância de Laís Souto Maia (Susana Vieira) ou a cleptomania de Isabela (Drica Moraes). Quem ouve falar de Lua Cheia de Amor se recorda que a novela era protagonizada por Marília Pêra, com sua Genuína Miranda, pobre de conhecimento e rica de caráter. Mas sente saudades mesmo é da translumbrante Kika Jordão (Arlete Salles), louca para adentrar “as portas douradas” da alta sociedade! É sobre todos esses destaques de Lua Cheia de Amor que falamos hoje. Para começar, uma entrevista com Ricardo Linhares, um dos autores da trama, e em seguida a opinião de um dos membros do #TeamLuaCheiaDeAmor, nosso querido amigo Wesley Vieira. Confiram!

Ricardo Linhares

Ricardo Linhares iniciou sua carreira na TV Globo com o Caso Verdade. Em seguida, integrou a equipe de roteiristas do Viva o Gordo (que retorna hoje ao Canal Viva) e do Teletema, que seguia o formato do Caso Verdade. Sua estreia nas novelas da casa foi como colaborador de Aguinaldo Silva, em O Outro (1987). No ano seguinte, esteve com Walther Negrão em Fera Radical. E após Tieta, novamente com Aguinaldo Silva e também com Ana Maria Moretzsohn, passou a autor-titular com Lua Cheia de Amor, tema dessa breve entrevista. No Viva, já podemos ver seu texto em O Tempo e o Vento e Anos Rebeldes, minisséries nas quais atuou como colaborador. Envolvido atualmente com os primeiros capítulos de Babilônia, seu próximo trabalho, às 21h, Ricardo cedeu o seu tempo para nos brindar com suas lembranças de Lua Cheia de Amor. Agradecemos sua gentileza e simpatia, e deixamos vocês, leitores, com a entrevista.

***

- Você declarou em entrevista ao blog Eu Prefiro Melão, em 08 de dezembro de 2012: “Infelizmente, a minha novela (Lua Cheia de Amor) não pode ser reprisada, apesar dos inúmeros pedidos dos espectadores, por uma questão jurídica envolvendo os direitos dos herdeiros de Pedro Bloch”. Essas questões foram sanadas? De que forma o Viva conseguiu a liberação para exibir a novela, caso ela seja a vencedora da enquete? Quais lembranças guarda desta sua primeira incursão às 19h?

Esse tipo de negociação não passa pelos autores da novela. Em termos jurídicos, nem sei quais diferenças existem entre uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo e no canal Viva. Eu estou tão agradavelmente surpreso quanto os fãs da obra.

Sessão da Tarde, seu passatempo preferido na adolescência:
os jovens dos anos 90 assistiam à Lua Cheia de Amor.
Na época em que Lua Cheia de Amor foi ao ar, os adolescentes assistiam às novelas – ao contrário de hoje em dia, quando há tantas opções que a telenovela não ocupa mais uma posição de destaque entre os afazeres da garotada no dia a dia. Quando eu era jovem, por exemplo, assistir à Sessão da Tarde era um dos meus programas prediletos. Hoje, os filmes não causam mais o mesmo impacto na TV, pois estão disponíveis em diversas mídias. Lua Cheia de Amor fez muito sucesso entre os jovens de então, e acho que faz parte da memória afetiva de uma geração, hoje por volta dos 40 anos. Assistir à reprise é como uma doce volta a outros tempos. É como revisitar parentes distantes, com quem a pessoa perdeu contato, mas que continuam importantes e queridos na lembrança.


- Lua Cheia de Amor sela o início de sua parceria com Gilberto Braga, com quem você viria a colaborar, ainda em 1991, em O Dono do Mundo e, posteriormente, em inúmeros outros trabalhos juntos. Como essa amizade e a afinidade profissional de vocês se intensificou ao longo desses 24 anos que separam Lua Cheia de Amor de Babilônia, próximo trabalho de vocês, e o que podemos esperar dessa nova novela?

Com João Ximenes Braga e Gilberto Braga, seus parceiros de jornada
em Babilônia, próxima novela das 21h.
A novela me marcou de diversas maneiras. Foi um trabalho muito importante na minha parceria com Ana Maria Moretzsohn, com quem eu havia, juntamente com Aguinaldo Silva, assinado Tieta, um ano antes. Depois, nós escreveríamos juntos diversas outras histórias. Tornou-se uma parceria e uma amizade para toda a vida. E foi o primeiro, e infelizmente único até hoje, encontro profissional com a minha querida Maria Carmem Barbosa.

Lua Cheia de Amor foi uma novela escrita por três autores, com a supervisão de Gilberto Braga, livremente inspirada na peça Dona Xepa, de Pedro Bloch, e na novela homônima escrita por Gilberto. Como todo momento feliz na vida da gente, rendeu saborosos frutos, que perduram até hoje. Um deles foi o fortalecimento dos meus laços profissionais com Gilberto. Na verdade, mais ou menos nessa mesma época, eu já estava colaborando com ele na primeira versão da minissérie Anos Rebeldes, que foi interrompida e retomada posteriormente. Além de ser um dos dramaturgos mais importantes da história da TV brasileira, Gilberto virou um amigo de todas as horas, companheiro profissional de tantos anos. Novelas vão e vêm, mas a amizade permanece. E o que eu mais me orgulho da época de Lua Cheia de Amor é a minha amizade duradoura com Gilberto e Ana Maria.

Agora, eu, Gilberto e João Ximenes Braga estamos escrevendo Babilônia, que está prevista para estrear em março de 2015, após o carnaval. Com direção geral de Dennis Carvalho e Maria de Médicis. Estrelada por Glória Pires, Adriana Esteves e Camila Pitanga, a novela abordará a vida de três mulheres fortes e ambiciosas.


Susana Vieira, belíssima como Laís Souto Maia:
mais uma prova do talento da atriz.
- Por que Ricardo Linhares gostaria que o público votasse em Lua Cheia de Amor para ser reprisada no Canal Viva? Quais os bons motivos que o público terá para ver, ou rever, a trama?

São tantos motivos... Rever a translumbrante Kika Jordão (Arlete Salles), a chique Laís Souto Maia (Suzana Vieira), Marília Pera (a camelô Genuína) em estado de graça, Isabela e Maurício lindos, talentosos e novinhos... Reapresentar novelas antigas, e ainda em bom estado de conservação, como Lua Cheia de Amor, reforçam a vocação do Viva como a casa dos sonhos dos fãs da TV brasileira.
Conheci Wesley Vieira em uma das (e não me recordo qual) comunidades sobre teledramaturgia do agora praticamente extinto Orkut. Wesley reside em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, onde atua como editor-chefe na revista Olhaí. Sempre soube que ele era um apaixonado por teledramaturgia, mas só descobri seu apego por Lua Cheia de Amor no blog Eu Prefiro Melão, para o qual o jornalista escreveu um texto rememorando a novela. Hoje, Wesley vai em busca, novamente, de suas lembranças da novela, pra trazer ao leitor maiores informações sobre a trama e convencer os indecisos a votarem em uma de suas novelas preferidas. Obrigado, Wesley, pelo ótimo texto e por sua participação no Vivo no Viva.

#TeamLuaCheiaDeAmor
por Wesley Vieira

Por que Lua Cheia de Amor merece ganhar uma reprise no Canal Viva?
1 – Nunca foi reprisada (não clamam tanto por novelas nunca reprisadas? Taí!).
2 – É a mais antiga (se Lua Cheia de Amor vencer, vai comprovar, de fato, o que a audiência do Viva quer: novelas antigas more and more, please!).
3 – Movimentada e divertida (nada melhor do que uma respirada, após assistir a densa O Dono do Mundo e a romântica e soturna A Viagem).
4 – Tem Arlete Salles como Kika Jordão – o grande papel de sua vida. Inesquecível!
5 – Justiça seja feita, Marília Pêra, apesar do exagero, também fez uma Genuína com dignidade. Sua personagem é divertida e humana.
6 – Tem uma trilha sonora deliciosa (imagina, New Kids On The Block tocando para Susana Vieira).
7 – Aliás, Susana Vieira também esteve impecável. Sua personagem, Laís Souto Maia, era deliciosa.
8 – Tá, ok, Lua Cheia de Amor não foi um grande sucesso e nem teve uma grande repercussão (nem de longe foi um fracasso), mas se ela voltar no Viva, será uma oportunidade de fugir das obviedades que já foram reprisadas na Globo. Essa pode ser a chave para novelas como Bambolê ou O Sexo dos Anjos ganharem uma reprise. Let´s Go!
9 – Quem sabe, agora, como obra fechada, Lua Cheia de Amor não ganhe um novo olhar em sua trajetória. Porque há novelas que envelhecem bem. Há sucessos que envelhecem mal. Em qual dessas categorias, essa novela se encaixa?
10 – Isabela Garcia fazia uma mocinha bem ordinária. Vale a pena acompanhar a história de Mercedes, jovem que queria arranjar um marido rico, mas renegava um grande amor, justamente por achar que ele era pobre.

Bom, há outros motivos para listar a volta de Lua Cheia de Amor, novela que nem mesmo um dos autores, Ricardo Linhares, acreditava numa possível volta, justamente por questões de direitos autorais com a família de Pedro Bloch. Foi uma agradável surpresa tê-la nessa lista.

Genú, a dona da muamba... La La Miranda...
Apesar de Kika Jordão ter se tornado a marca dessa novela (aconteceu com várias outras tramas que também tiveram personagens secundários mais relevantes que os protagonistas), Genuína Miranda, mais conhecida como Genú, foi uma personagem divertida. “Vem chegando, minha gente, que já tá ficando quente... Compra madame, na minha barraca, panela bem útil e bem mais barata...” – bradava ela, em sua barraca. A dona Xepa, que era feirante na história original, virou Genú, a mulher que perdeu sua loja por conta dos desatinos do marido viciado em mesas de jogos. Muito honesta e batalhadora, Genú pegou a mercadoria que restou da loja e foi para rua vender panelas e outros objetos. Virou “a dona da muamba”, tal como exemplificado na divertida música-tema de abertura, “La Miranda” cantada magnificamente por Rita Lee.

Sobre a história
Genú é uma daquelas heroínas de novela bem simplória, quase sem instrução, mas muito sábia e generosa. Filha de mãe espanhola com pai brasileiro, ela foi muito maltratada pela vida e sem o apoio do marido, criou os dois filhos sozinha. Seu sonho é reencontrar Diego, que volta após 15 anos de sumiço sob a alcunha de Esteban Garcia (Francisco Cuoco). Mulherengo e amoral, Diego se envolve com várias mulheres deixando Genú cada vez mais desiludida com seu retorno. Seu filho, Rodrigo (Roberto Bataglin) namora a jovem Flávia (Renata Lavíola) e se sente na obrigação de casar com ela após a morte do sogro. No entanto, ele conhece a rica empresária Rutinha (Sylvia Bandeira) e desiste do casamento.  Mercedes (Isabela Garcia), a filha caçula, tem um pouco de vergonha do jeito pobre da mãe e a esnoba. Romântica na medida certa, seu sonho é encontrar um bom partido, mas como os corações são bastante insensatos, ela se apaixona por Augusto (Maurício Mattar) e o rejeita por achar que ele é apenas um pobre motorista de táxi que foi morar na mesma vila onde ela vive. Ledo engano. O rapaz idealista e independente é herdeiro de uma das maiores agências de publicidade do Brasil. Filho de Conrado (Cláudio Cavalcanti) e da sofisticada Laís (Susana Vieira), ele não liga para o dinheiro da família e seu sonho é montar o próprio negócio tendo suas ideias revolucionárias como característica.

A trilha sonora
Aliás, os desencontros entre Augusto e Mercedes eram pontuados pela linda “Heal The Pain” do astro George Michael. As trilhas sonoras eram recheadas de grandes sucessos dos anos 90 como “Só Você Vai Me Fazer Feliz (Can't Help Falling In Love)”, do Julio Iglesias; “Luz da Lua (Prendi La Luna)” na voz da espanhola Ana Belén, “You Gotta Love Someone”, do britânico Elton John; “I’m Free” do The Soup Dragons e a velha boy-band New Kids On The Block com “Let’s Try Again”. Lembro perfeitamente das inúmeras vezes que a propaganda da trilha internacional era veiculada e meu desejo era ter o disco da novela. Foram preciso 10 anos para conseguir o tão sonhado disco, ou melhor, o CD com as ótimas músicas.

Outros Personagens
Mas Lua Cheia de Amor também tinha outros personagens interessantes como a recalcada Emília (Bete Mendes), a “boca de aratanha” que teve um caso com Diego e vivia às turras com a vizinha Genú. Wagner (Mário Gomes) era o vilão da história e sua meta era roubar a agência de publicidade de Conrado. Além disso, ele vivia infernizando a vida da esposa Isabela (Drica Moraes), a filha cleptomaníaca de Laís. A ricaça Rutinha também foi outro destaque da história.

Então, bora votar em #LuaCheiadeAmorNoViva?

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Leia mais sobre Lua Cheia de Amor, em um texto de Guilherme Staush, no blog Memória da TV. Clique aqui!