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sábado, 14 de fevereiro de 2015


Xuxa, não se vá!
Mudança da apresentadora para Record deve prejudicar reprises no Viva

A notícia do ano no meio televisivo, ao menos neste primeiro trimestre, foi a possível transferência de Xuxa para a Rede Record. Sem contrato com a TV Globo desde dezembro, e fora do ar desde janeiro de 2014, a apresentadora parece estar decidida a mudar de emissora e dar uma guinada em sua carreira.

De fato, Xuxa necessita respirar novos ares. Há muito tempo, seu desempenho em audiência deixou de ser satisfatório. Suas ações continuam repercutindo, embora hoje Xuxa seja vista mais como uma apresentadora rumo à aposentadoria como um elemento capaz de atrair bons números e elevar o faturamento. Xuxa não soube conduzir sua carreira, após o término do Planeta Xuxa, hoje em reprise no Viva. Sua força perante o público infantil a obrigou a continuar se comportando como Rainha dos Baixinhos, diante da necessidade de vender os produtos de sua grife, ligados, em sua maioria, às crianças. Sabemos do apego de Xuxa como este público (e a parabenizamos por isso, em um momento em que a TV aberta praticamente ignora tal fatia de audiência). Entretanto, no ar, Xuxa precisava amadurecer, tal e qual suas companheiras de infantis nas décadas de 80 e 90, Angélica e Eliana, para atrair um novo público, além dos baixinhos que cresceram com ela. Na contramão do que seria aparentemente correto, Xuxa abandonou o Planeta para produzir o Xuxa No Mundo da Imaginação, marcado pela excelente produção, mas pelo fraco desempenho no Ibope. Migrou pouco depois para o TV Xuxa, destinado a toda família. Mas, novamente, e desta vez influenciada por alterações de formato constantes e mudandas de horário praticamente rotineiras, não encontrou o sucesso de seus áureos tempos.

Sou fã confesso de Xuxa, mas reconheço: ela não aprendeu a dialogar com a grande audiência. Seu público cativo é formado pelas crianças que a acompanharam desde o Xou. E Xuxa ainda insiste em falar apenas com eles. Não se adaptou à nova realidade da TV: tem dificuldades com ao vivo e com entrevistas, por exemplo. No próprio Planeta, percebemos que seu papo com convidados musicais se resume a meia dúzia de palavras, gírias e alguns gritinhos. A loira se saía bem apenas no ‘Intimidade’, certamente amparada pela boa produção que preparava tais entrevistas. De mudança para a Record, Xuxa também precisará mudar de postura: talvez um trabalho para abandonar a voz de tom infantil, que ainda a mantém atrelada a este público; uma boa assessoria para se preparar melhor para o palco e até mesmo uma revisão de seus investimentos extra-TV, que devem mirar no público adulto e feminino. Deve manter, claro, a alegria e espontaneidade que a fez a diva de um geração de telespectadores.

Tal mudança vem cercada de dúvidas. A Record não parece ter o mesmo tamanho que Xuxa. Assim como não tinha o tamanho de Gugu Liberato, contratado como estrela, para posteriomente, ser relegado aos domingos, em horário ingrato, até ter seu contrato rompido. Para Xuxa, a emissora planeja formatar uma atração semelhante a de Ellen DeGeneres. Xuxa, entretanto, não é Ellen. Apenas o fato de ser loira de cabelo curto não a credencia para uma atração do tipo. A mudança representa na carreira da apresentadora a ida de um passado de glórias à um futuro de incertezas.

Passado de glória porque embora Xuxa não estivesse no ar na Globo, foi lá que ela construiu seu legado. Legado este do qual nosso texto de hoje trata, após esta longa introdução. Já foi noticiado que Xuxa preferia ter apenas seus programas antigos no ar no Canal Viva, ao invés de migrar para a Record, o que faria apenas considerando o fator dinheiro. Foi dito também que o contrato da Xuxa Produções com o canal, que possibilita a reprise do Planeta, seria o empecilho, neste momento, para a assinatura com a Record. É de se lamentar que, uma vez em sua nova emissora, Xuxa não deverá mais figurar nos canais Globosat, como o Viva, ao menos que as partes entre em acordo, o que não parece interessante nem para Xuxa nem para o Grupo Globo. Estes não dariam cartaz à uma estrela da concorrência, enquanto a loira, necessitando dar uma guinada profissional, provavelmente preferira esconder o passado para fazer surgir o futuro.

Desta forma, talvez não possamos acompanhar outras atrações de Xuxa no Viva. O blog enumera logo abaixo cinco programas da Rainha dos Baixinhos, que gostaríamos de ter visto e que, ao que parece, ficarão apenas na saudade.

Especiais


Ao longo de sua trajetória na TV Globo, Xuxa conduziu diversos programas especiais. Em sua maioria, atrações de Natal, que já rememoramos anteriormente (leia aqui). Também o humorístico Xuper Star, levado ao ar em 1991, que trazia a loira em diversos personagens, com destaque para Shirley Liz, a apresentadora de TV que conduzia um programa famoso por receber convidados em um sofá (algo semelhante ao que Xuxa, aparentemente, irá fazer na Record). Xuxa ainda dava vida à avó de Shirley, dona Cotinha, e sua empregada, Rosicleide Sueli. Completando o elenco, Guilherme Karan, como o mordomo de Shirley, e Jorge Fernando, o diretor de seu programa. Ainda, os especiais temáticos Xuxa 10 Anos e Xuxa 20 Anos, que celebraram os aniversários de sua parceria com a Globo. Lamentamos que, talvez, Xuxa não complete 30 anos de emissora, o que impede uma nova comemoração, quem sabe, através do Viva.



Paradão da Xuxa

Musical de 1992, que surgiu, inicialmente como um quadro do Xou da Xuxa (o ‘Paradão dos Baixinhos’) e acabou substituindo a atração aos sábados. Xuxa recebia cantores que ocuparam as paradas de sucesso daquela semana; em sua maioria, artistas ligados ao universo sertanejo, em alta no período. O tom do programa destoa do Planeta Xuxa, sendo mais formal do que a atração do Viva. Xuxa não contava com crianças na plateia e até o tom de sua apresentação era mais contido. Destaque para o cenário, adornado por um enorme X giratório, que trazia os convidados ao palco, enquanto Xuxa permanecia em um púlpito ao lado. No vídeo, Angélica entra em cena através do tal X, canta 'Quis Fazer Você Feliz' e comenta o sucesso de seu quinto LP com Xuxa.



Xuxa

Após o término do Xou da Xuxa, e seu ingresso no exterior, a apresentadora passou a figurar na Globo apenas aos domingos. Era o Xuxa, que ia ao ar das 14h às 15h, e buscava aproximar a loira de todos os públicos, o que parece ser o intento da apresentadora nesse momento atual. Foi o início de Xuxa como entrevistadora, função que ela ainda não havia desempenhado em seus programas anteriores. A atração trazia também pautas voltadas para adolescentes, embora a maioria de seus quadros dialogasse apenas com crianças. O programa não teve vida longa, talvez por uma inadequação de formato ou pela necessidade de Xuxa de se decidar aos seus planos de carreira no exterior. No vídeo abaixo, a entrevista de estreia da apresentadora, com a eterna Hebe Camargo.



Bobeou Dançou

A estreia de Xuxa aos domingos se deu com o Bobeou Dançou, também oriundo de um quadro do Xou da Xuxa. O programa, uma competição entre adolescentes, mirava numa possível interação de Xuxa com os mais altinhos. A atração era conduzida por charadas e, depois, por uma gincana passada dentro de uma casa cenográfica. O título advinha de uma das melhores canções da apresentadora, presente no 4° Xou da Xuxa. Com uma hora de duração, Bobeou Dançou entregava para o então estreante Fausto Silva, que passou a conduzir o seu Domingão naquele 1989.



Xou da Xuxa

Faltam palavras para comentar o maior sucesso de Xuxa em sua trajetória na TV Globo. O Xou é conhecido em todo o Brasil e foi responsável pela consolidação do fenômeno Xuxa Meneghel. Originou discos, produtos e o título de Rainha dos Baixinhos Foi excessivamente copiado e chegou ao fim no ápice do sucesso, diante do interesse de Xuxa de se aventurar no exterior e de um princípio de desgaste em sua fórmula. Não sei como seria uma eventual reprise no Viva. Acredito que os desenhos seriam rifados na edição, o que deixaria alguns blocos sem nexo, retirando um pouco da graça da atração. Também acredito que nem todas as edições seriam exibidas. Mas, certamente, faria (e muito) sucesso!


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domingo, 7 de setembro de 2014


Ah! Esse Planeta era tão gostoso!
Planeta Xuxa resgata boa fase da carreira de Xuxa

De rainha dos baixinhos à musa dos altinhos. O Planeta Xuxa, que o Canal Viva trouxe de volta neste domingo, simbolizou uma mudança significativa na carreira de uma das apresentadoras mais amadas do país. Após o término do diário Xou da Xuxa, em 1992, a loira passou por uma incursão aos domingos, com o Xuxa, e seguiu para os sábados de manhã, com a dobradinha Xuxa Park e Xuxa Hits. Este último serviu como o embrião para o Planeta, que estreou em 05 de abril de 1997, às 16h.

“Os baixinhos estavam crescendo e a necessidade de falar para eles foi crescendo também, então surgiu o Planeta”, declarou Xuxa em entrevista ao site do Canal Viva, esta semana. Convidados musicais e quadros diversos eram a tônica da atração, que ocupava um horário ingrato da programação global, vago, praticamente, desde a morte de Chacrinha e a consequente extinção do seu Cassino, já reprisado no Viva. Xuxa tomou conta do espaço e em pouco tempo o Planeta se configurou em mais um triunfo na até então inabalável galeria de sucessos da apresentadora. Seu elenco, composto por nomes como Adriana Bombom, se tornou conhecido, e os quadros Intimidade e Transformação se tornaram carro-chefe da atração.

Prova inconteste do sucesso do programa foi sua mudança para as tardes de domingo, no ano seguinte.  Em entrevista ao Estado de São Paulo, em 29 de março de 1998, Marluce Dias da Silva, então superintendente da TV Globo declarou que o programa estava migrando para os domingos para que Xuxa não fosse prejudicada pelos jogos da Copa do Mundo na França, cujo horário coincidira com a exibição do Planeta. Situação inversa ao que vimos na época do TV Xuxa, última atração da loira antes do seu afastamento das telinhas para cuidados com a saúde. Desprestigiada diante dos baixos números do programa, Xuxa era constantemente rifada da grade, tanto quando figurava nas manhãs, como quando migrou para as tardes, buscando justamente fugir das alterações de horário e cancelamento das exibições.

Com o Planeta, não houve esse mesmo estresse. Apesar de, nos últimos anos, já não registrar os bons índices do início, diante da forte concorrência com o famigerado Domingo Legal, o programa ainda garantia elevado prestígio para Xuxa. Tanto que a Globo prometera a ela, no mesmo ano, um novo programa diário, dedicado exclusivamente ao público da primeira infância. Foi a vontade de voltar a se comunicar com seus baixinhos que afastou Xuxa de Marlene Mattos, sua empresária e diretora. Por divergências no trabalho (Marlene queria que Xuxa continuasse investindo nos adultos), as duas decretaram o fim do Planeta. O tempo mostrou que Marlene não estava totalmente errada quanto à sua visão para a carreira da pupila. O Xuxa No Mundo da Imaginação sofreu com a forte concorrência, deu lugar ao TV Xuxa infantil, que também não emplacou, e por fim ao TV Xuxa, hoje fora do ar. Xuxa talvez tenha errado ao tentar angariar um novo público formado por crianças e se “esquecido” dos que a acompanharam desde o início. Tomou o caminho inverso ao de Angélica, para citar apenas um exemplo, hoje uma apresentadora segura, muito bem posta à frente do Estrelas (domingos, em horário alternativo, às 16h), que soube agregar aos seus fãs do passado um novo público. Xuxa parece ter perdido até mesmo a forma como se dirige ao telespectador. Quem a vê no Planeta Xuxa, certamente nota muito mais espontaneidade e entusiasmo do que nas últimas edições do TV Xuxa.

O tempo fora do ar e a reprise do Planeta Xuxa no Viva certamente serviram para que a apresentadora possa repensar sua trajetória e definir o caminho que iria trilhar quando retornar à TV, o que eu, como fã, espero que não demore a acontecer. Enquanto isso, vamos curtir essa nova viagem ao planeta mais gostoso de todos os tempos...


PS: Como é interessante acompanhar o programa e ver convidados que figuraram em quase todas as atrações de auditório no final dos anos 90: Claudinho e Buchecha, Molejo, Netinho e Deborah Blando, cantando o inesquecível tema de Lúcia Helena (Adriana Esteves), em A Indomada. Um painel bem diferente do que vemos no Globo de Ouro, onde a música brega que assolou os anos 80 domina a cena, mas ainda há respiros de bons momentos, tanto de canções como de intérpretes. Nos anos 90, tal respiro já inexistia, praticamente. As letras fáceis e as coreografias sensuais configuraram o final da década. E com o passar dos anos, a música brasileira acabaria por degringolar de vez!