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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O Dono do Mundo


O Vivo no Viva preparou um especial e tanto pra você ficar por dentro de tudo o que vai rolar em O Dono do Mundo, estreia do Viva na próxima segunda, dia 27. Nas próximas páginas, você irá conferir diversos posts sobre a novela, repletos de informações, fotos e vídeos. Caso prefira ler apenas uma ou outra postagem, basta clicar nos links abaixo.

Fique por dentro de todas as seções do especial O Dono do Mundo!

Introdução: o prólogo de Gilberto Braga e seus colaboradores; a ficha técnica da novela.

Sinopse: conheça a trama de O Dono do Mundo, do primeiro ao último capítulo. Resumo imperdível!

Personagens: perfil detalhado de todos os personagens, direto da sinopse original da novela.

Trilha Sonora: as canções que embalam Felipe Barreto e companhia; temas, intérpretes e clipes pra você curtir!

Bastidores: dados curiosos das gravações e da exibição da novela.

Audiência: sucesso ou fracasso? Leia a análise detalhada da evolução dos índices de O Dono do Mundo, ao longo de sua exibição.

Repercussão: o que a novela causou na sociedade brasileira? Como o telespectador reagiu aos temas abordados na estória?

1991 na Globo: pra você recordar tudo o que rolou na tela da Globo enquanto O Dono do Mundo esteve no ar. As novelas, os filmes e programas especiais.


O SBT: relembre Carrossel e as outras mexicanas que foram uma pedra no sapato da novela.

Introdução

Há quem acredite e afirme que o homem, em sua essência, é bom. Se isso é verdade, como se explica esse desconserto de um mundo que, no limiar do século XXI, repete com sofisticado aparato tecnológico, as piores atrocidades do passado?

Existem também, no entanto, os que acreditam exatamente no oposto, ou seja, que a própria história da humanidade é feita pelos que devoram, de um lado, e pelos que só podem se deixar devorar pelo outro.

Felipe (Antonio Fagundes), o nosso protagonista, é um expressivo representante do primeiro grupo. Egoísta ao extremo, vaidoso e narcisista, considera-se acima do bem e do mal, achando que tudo lhe é permitido e lhe é devido. Para ele, as outras pessoas só existem na medida em que satisfazem seus desejos e prazeres. Cirurgião plástico cujo talento trouxe benefícios a muita gente, colocou seu sucesso profissional apenas a serviço da sua satisfação pessoal, representante que é de uma elite caduca, para a qual o comum dos mortais é lixo. Nas mãos de Felipe, as mulheres são simples brinquedos descartáveis. Stella (Glória Pires), com quem é casado há mais de oito anos, tem sobre as outras a vantagem da grande fortuna do pai.

Motivado por essas convicções, Felipe vai interferir de maneira desastrosa na vida de Márcia (Malu Mader), jovem, bela, vital, pura, um desses seres, enfim, que poderiam ter inspirado essa tal crença na bondade essencial do homem.

Da sinopse original de O Dono do Mundo, escrita por Euclydes Marinho, Gilberto Braga e Leonor Bassères, de janeiro de 1991.


Novela de Gilberto Braga
Escrita com Ângela Carneiro, Leonor Bassères, Ricardo Linhares e Sérgio Marques.
Colaboração de Aguinaldo Silva, Euclydes Marinho e Silvio de Abreu.
Direção de Dennis Carvalho, Ivan Zettel, Mauro Mendonça Filho e Ricardo Waddington.
Direção geral de Dennis Carvalho.

Sinopse

Felipe (Antonio Fagundes) é um grande cirurgião plástico brasileiro de quase quarenta anos da idade cuja carreira, em franca ascensão, começa a ter certa repercussão internacional. Retrato típico de vencedor, Felipe nos aparece logo no início como o homem vitorioso, vaidoso, arrogante, muito contente consigo mesmo, o dono do mundo, certo de que é capaz de conseguir qualquer coisa que deseje. Quis o destino que, no corredor de sua clínica, Felipe cruzasse com Márcia (Malu Mader), a noiva de Walter (Tadeu Aguiar), técnico de informática que ali trabalha. Felipe estranha bastante que esta jovem linda e desconhecida o aborde como se ele fosse qualquer um, ela nem sequer sabe estar falando com o grande cirurgião. Surge daí uma atração bem mais forte do que a que costuma sentir - mulherengo que é - pela maior parte das mulheres que seduz sem que sua esposa desconfie.

Seu interesse aumenta muito quando, na manhã do casamento, um dia especialmente ensolarado do verão carioca, véspera da partida de Felipe e a esposa, a elegante Stella (Glória Pires), para o Canadá, Júlio (Daniel Dantas), seu assistente pessoal e maior amigo, deixa escapar na frente do cirurgião a informação de que Márcia, a noivinha, ainda é virgem. Felipe, inesperadamente, como que levado por uma força estranha, veste-se para a cerimônia deste casamento que ele nem ao menos sabe onde vai ser realizado.

A presença do grande cirurgião neste discreto casamento de classe média tem tanta repercussão que Felipe se torna de longe mais estrela do que a linda noiva. Noiva que o cirurgião deseja possuir antes mesmo do noivo. Acha que tem direito a isso, é superior, tem direito a tudo! Logo após a festinha, os noivos estão com reserva feita num bom hotel carioca para a noite de núpcias, e na manhã seguinte partem para viagem de lua de mel em local aprazível típico de sua classe social. Desafiado, Felipe aposta com Júlio uma caixa da melhor champanhe francesa como ele vai conseguir superar as inúmeras dificuldades e possuir a noiva antes de Walter. E coloca seu plano em ação: quer presentar o jovem casal ali, agora, com o que mais lhes possa dar prazer, uma lua de mel. Entre as opções, Felipe deixa escapar que o casal poderia voar para o Canadá com ele dali a algumas horas e passar a lua de mel esquiando e vendo neve. Num jogo muito vivo e estimulante de manipulação, Felipe consegue fazer com que o próprio noivo, por notar que os olhinhos de Márcia brilham a cada vez que se fala em neve, escolha a lua de mel ao lado do patrão.

Uma vez no Canadá, Felipe articula um “imprevista” que irá ocupar Walter por um bom tempo: o software que iria usar para uma conferência, e que fora desenvolvido pelo funcionário, não está respondendo como esperado. Walter, prontamente, se oferece para resolver o empecilho. A sós com Márcia, Felipe constata que sua tarefa será bem difícil. E que só obterá sucesso ao fingir estar apaixonado por ela. Depois de algumas hesitações e suspense erótico, Márcia finalmente se deixa seduzir e passa com Felipe os momentos maravilhosos com que sonhava o cirurgião. Para conseguir isso, Felipe tem que deixa-la intuir que ele não gosta da esposa e está disposto a iniciar uma nova vida ao lado dela. A moça se apaixona. Tem a revelação do grande amor “de fazê-la tremer dos pés à cabeça” de que lhe falava antes do casamento a amiga Taís (Letícia Sabatella).
           
Após conseguir o que quer, Felipe acha mais prático afastar-se de Márcia, fazendo agora o papel de marido que não tem a coragem de fazer a coitada da esposa sofrer. Garante a Márcia que a vida ao lado do jovem noivo será bem melhor. Aconselha-a a receber Walter com muito amor, confessando simplesmente um pecado de adolescência, teria mentido com respeito à sua virgindade... Felipe “tem certeza de que Walter vai perdoar e, ao lado do rapaz, Márcia tem muito mais chance de ser feliz do que ao lado dele”. Uma vez diante do noivo, ao contrário do que lhe aconselhou o cirurgião, Márcia conta toda a verdade. Muito apaixonado, Walter tem a sensação de que o chão está lhe faltando. Não compreende também a atitude do homem que mais admirou em toda a sua vida. Desarvorado, deixa Márcia sozinha e parte desesperado ao volante do carro, morrendo minutos depois num desastre. Márcia jamais poderá saber se Walter morreu acidentalmente ou se matou.

Uma vez no Rio, Felipe sabe do acidente em que morreu o rapaz, tem um leve drama de consciência, mas está menos disposto do que nunca a deixar que esta crise venha atrapalhar a meta de vida que ele escolheu desde cedo: o sucesso. Num momento de crise, no entanto, vai cometer um erro médico de que muito se arrependerá depois: receitar penicilina à alérgica Ester (Odete Lara), uma paciente que o procurou para remover um simples quisto em seu couro cabeludo. Ester tem um- choque anafilático e quase morre. Chamado às pressas, Felipe lhe faz uma traqueotomia, aplica antialérgicos, conseguindo salvá-la. Mas Lucas (Hugo Carvana), o carinhoso irmão de Ester que a acompanhou o tempo todo e descobre sobre a aplicação da penicilina, fica extremamente aborrecido, ameaçando o nosso cirurgião com um processo. Para se livrar, Felipe suborna um jovem médico residente, Arlindo (Otávio Muller), de pouquíssimos recursos e muito ambicioso. Felipe exagera tanto nas acusações a Arlindo que Ester e Lucas acabam com pena e, como tudo terminou bem, resolvem esquecer o assunto para não destruir a vida do rapaz.

Muito traumatizada e mais frágil do que nunca, Márcia volta para o Brasil. Conta a todos que estava em lua de mel quando o noivo morreu num acidente de carro. Só tem coragem de contar a verdade à amiga Taís. Aos poucos, no entanto, Tabajara, o pai de Walter começa a desconfiar que Márcia não está contando toda a verdade. Por algumas semanas, Felipe foge de Márcia, ela telefona, ele manda dizer que não está, ela fica horas esperando na porta da clínica, ele sai e finge que não a vê. Muito mais vivida do que a amiga, Taís compreende que Márcia está inventando um Felipe que não existe. As suspeitas de Tabajara de que Márcia não está contando toda a verdade em relação à morte do filho aumentam.


Apesar de carregar a culpa pela morte de Walter, Márcia ainda tem em Felipe a esperança de encontrar a felicidade ao lado de seu primeiro e suposto verdadeiro amor.  Ao descobrir que está grávida, ela vai ao apartamento do médico, perguntar o porquê dele não tê-la procurado novamente e conta que está esperando um filho dele. Ao ouvir isso, o vilão se descontrola e conta que a seduziu por causa de uma aposta, afirmando que não quer vê-la nunca mais. Para completar, ele preenche um cheque e diz que a quantia servirá para que ela faça um aborto e o esqueça para sempre. Desesperada, Márcia decide revelar toda a verdade para Stella. Só que acaba caindo na rede de Constância (Nathália Timberg), mãe de Felipe, que, num jogo duplo, faz com que ela a considere uma amiga com quem poderá contar a qualquer momento, inclusive para se abrir com sua nora. Mais ágil do que o próprio Felipe, Constância arquiteta um plano que fará com que Stella fique com ódio de Márcia. Para isso, a madame ordena que o filho conte à mulher sobre seu caso com a jovem. E, mesmo apavorado, o vilão aceita o jogo armado pela mãe. Ao ouvir a confissão do marido sobre seu envolvimento com Márcia, Stella tem uma reação violenta e o expulsa de casa, dizendo que não quer vê-lo nunca mais. Depois, entretanto, perdoa Felipe, acreditando em sua honestidade e rechaçando Márcia, uma vagabunda capaz de seduzir outro homem em plena lua-de-mel.


Ao saber que perdeu o bebê logo depois da morte de Tabajara (Jece Valadão), vítima de bala perdida, Márcia fica muito abatida. De repente, porém, seu rosto se transforma numa máscara de ódio. Decidida, ela deixa a apatia de lado, se arruma e, furiosa, entra no consultório de Felipe, empurrando clientes e deixando o médico assustado com tal reação. Desesperada, Márcia avança para Felipe, acusando-o de três mortes: a de Walter, a de Tabajara e a do bebê que ela esperava. Ele resolve controlá-la e, na tentativa de colocá-la para fora do consultório, Márcia é mais rápida: pega um bisturi que estava em cima da mesa de Felipe e corta seu rosto com violência. Márcia acaba presa e, ao deixar a cadeia, é expulsa pelo tio Darci (Antonio Grassi) de sua casa. Desamparada, a professorinha vai ocupar o quarto de hóspedes da casa de Olga Portela (Fernanda Montenegro), onde começa a articular seu plano de vingança contra Felipe Barreto.




Nesse meio tempo, Felipe conhece Flávia (Cláudia Magno), uma amiga de Stella que participava da festa de aniversário desta. Para a jovem, Felipe monta apartamento, lhe dá mesada e outras mordomias. Márcia descobre o caso e envia uma carta anônima a Stella, dando a ficha completa do local em que Felipe está. Stella vai até lá e Felipe então despacha sua amante no caixão que chegava naquele momento ao edifício para abrigar o corpo de um senhor que acabara de falecer. Ao descobrir que Herculano (Stenio Garcia), sogro do vilão, se revoltou por ver a filha se humilhar de tal maneira, Márcia se esforça para se aproximar dele, o que acontece graças a Olga. A jovem faz um jogo de sedução que leva , recém-separado de Beatriz (Mara Carvalho), à loucura. Quando sente confiança, revela sua história e guarda para o final o nome do cafajeste que estragou sua vida e a deixou cheia de traumas sexuais: Felipe Barreto. Herculano decide que Stella tem que se separar do cirurgião plástico, mas diz que a filha precisa de provas para acreditar que o marido é um cafajeste. É então que resolvem contratar uma linda mulher para conquistar Felipe.

A princípio, Herculano e Márcia contratam uma prostituta de luxo para seduzir o cirurgião numa festa oferecida por Karen (Maria Padilha), esposa de Júlio. Mas, preocupado com Stella, que não para de conversar com Rodolfo (Kadu Moliterno), jornalista que viveu por muitos anos no exterior, ele nem presta atenção na moça. Parte para cima de Rodolfo quando descobre que Liliane (Alexia Deschamps), sua ex-secretária particular, está trabalhando com ele, mas a “turma do deixa disso” aparta a tempo. Furioso, Felipe sai da festa e encontra Taís, que com medo de molhar na forte chuva o sapato comprado em Paris, se descalça e resolve tirar também as meias de seda. Quando Felipe sai do elevador e vê a cena, Taís de pernas de fora, sensualmente enrolando a meia, não se contém. Fisgado por Taís, ele se transforma numa presa fácil para Márcia e Herculano. Eles armam um plano em que a esperta Taís se apresente como Maria Teresa, uma mulher casada que tem pouco tempo no Brasil. Saem para um drinque num bar, mas, apesar das insistências, ela só topa sair para transarem na véspera da forjada viagem, e no apartamento dele. Herculano aparece com a filha na hora H, como o combinado. Quando Stella chega, mal pode acreditar no que vê. Desta vez, não dá para passar por cima. Põe Felipe para fora de casa e trata de pedir divórcio.


Com o divórcio, começa a decadência de Felipe. Stella manda que ele saia do apartamento com o que entrou: apenas com uma mala de roupas. Felipe resolve ir para a casa de Karen e Júlio, que não gostam da ideia de hospedá-lo. Ela tem medo que Stella fique com raiva e vai procurá-la para contar que Felipe está lá. Aproveita e revela à amiga tudo sobre Márcia: a aposta, a virgindade, o passaporte que voltou rasgado do Canadá. Stella fica arrasada, mas dá a volta por cima e se empenha com Rodolfo no projeto do programa de vídeo. Quanto a Felipe, desgraça pouca é bobagem. Herculano decide fazer uma auditoria na firma e descobre dezenas de roubos e falcatruas. Diz a Felipe que ele tem uma opção: se não quiser ser processado e ir para a cadeia, tem que dar a Stella os 50% do apartamento que estão no nome dele e ainda a metade da clínica para Herculano. Pode ficar com o consultório, mas operar só em hospitais como todos os outros médicos. Humilhado, Felipe procura Stella, confiando no extremado sentido de justiça da agora ex-esposa.

STELLA - Você ainda vai ficar com o seu nome, que eu ajudei a construir.

FELIPE - Essa é sua última palavra?

STELLA - A penúltima. A última é rua!

Ao descobrir que Márcia está lhe usando apenas para destruir Felipe, Herculano trava com ela uma intensa discussão, sai dirigindo em alta velocidade e acaba se acidentando na serra fluminense. Otávio (Paulo Gorgulho), cirurgião que seguia para o Rio em busca de auxílio para o hospital em que trabalha, em Barra Mansa, testemunha o acidente e constata que Herculano sofreu uma perfuração no fígado. Ele decide operar Herculano, a contragosto de Márcia, que havia seguido o empresário e também testemunhou o acidente. Ainda assim, Otávio insiste e opera Herculano, com sucesso. Stella se simpatiza com o rapaz, enquanto Márcia desenvolve com ele uma rusga imensurável. Até descobrir que o cirurgião é sobrinho de Ester, a vítima do erro médico cometido por Felipe.


Herculano, agora sócio na clínica de Felipe, decide promover Otávio a diretor médico da instituição; em troca, o médico conseguiria os incentivos que buscava para o hospital de Barra Mansa. Possesso, Felipe convoca Otávio para uma reunião e expõe as falcatruas que ele e Júlio cometeram na clínica, buscando respaldo do rapaz. E aí então que Otávio decide aceitar a oferta de Herculano, já com a intenção de frear os desvios de seu colega de profissão. Em meio a isso, Márcia continua empenhada em sua vingança e não descansa enquanto não convence Ester e Lucas a tomarem público o erro médico de Felipe. E até rouba o prontuário com a receita de penicilina da casa de Karen. Ao saber que Felipe foi convidado para participar do Tribuna Livre, programa produzido por Stella e Rodolfo, a professorinha resolve levar os dois irmãos para desmascarar Felipe na televisão, ao vivo. E Lucas assim o faz, mesmo constatando que a prontuário que lhe servia de prova lhe fora roubado antes que ele entrasse no ar com seu depoimento. Felipe atribui sua execração pública a Rodolfo, com quem troca socos e pontapés na inauguração do restaurante de Altair (Paulo Goulart), pai do vilão. Já Márcia, enquanto isso, passa por um revés. Ao investigar sua origem no subúrbio, Olga decide manda-la embora de sua casa. Ainda assim, Márcia continua se dedicando a sua vingança, e para agradece o auxílio de Herculano em seu último plano, se entrega a ele, mesmo sem ter nenhum interesse pelo empresário.

Eis que o restaurante de Altair e Constância reserva uma boa surpresa para Felipe. É lá que ele conhece a relações-públicas Vanda (Lucinha Lins), especialista em recuperar a fama de personalidades comprometidas com todos os tipos de suspeitas. Envolvida por Felipe, Vanda convence a francesa Valéria Renaud (Kate Lyra) a se submeter ao bisturi do cirurgião. A nota de que a famosa irá entregar seu corpo aos cuidados de Felipe é suficiente para que ele recupere seu prestígio. A alegria do vilão, no entanto, dura pouco. Taís passa a desconfiar do mistério envolvendo Olga e Márcia. Pressionando a cafetina, a jovem descobre que ela, na verdade, é mãe de Felipe Barreto.

TAÍS - Então porque é que você tá tão preocupada em proteger, Olga? O que é que tem com isso, da Márcia se vingar do Felipe?

OLGA - Me diz Márcia, você telefonou para essa clínica, não telefonou?

MÁRCIA - Não digo mais uma palavra se você não contar tudo o que você está escondendo da gente!

OLGA - Eu nasci muito pobre, Márcia, meu pai era colono da fazenda, da fazenda do pai do Altair, no interior de São Paulo, nas cercanias de Ribeirão. Mas meus pais já tinham morrido nessa época, eu era aquela filha de colono que tinha ou não tinha o que comer de acordo com o bom humor dos outros a cada dia (...). A família da Constância já morava em São Paulo, mantinham aquela fazenda a duras penas. A de Altair ainda estava bem. Altair vivia na farra, acho que não mudou nem um pouco o Altair, Europa quase todo ano. O sonho do velho Amorim Barreto era que seu filho único se casasse, tomasse um rumo na vida, assumisse a fábrica, e lhe desse um neto homem. Apesar de tudo, eu era alegre, dançava no clube da cidadezinha nas noites de sábado, foi lá que eu conheci o Altair e me apaixonei. Ela sonhava em se casar com ele, não creio que fosse por amor, ela nunca amou ninguém. Mas eu tive um filho.

MÁRCIA - O Felipe?

Olga faz que sim. Taís lhe faz um carinho.

OLGA - Sabe o que se fazia naquela época quando um filho de fazendeiro engravidava uma colona?

TAÍS - Eu posso imaginar.

OLGA - Eu já me dava muito por satisfeita do Altair ter tomado as providências pro parto, o garoto estava com um mês e meio, nem tinha sido registrado, mal ou bem, o Altair nos sustentava. Até hoje, a impressão que eu tenho é de que ele não é um mau sujeito, muito fraco, mas não é mau. Só que ela descobriu. Constância não podia ter filhos. Foi me procurar. Porque se o filho do fazendeiro engravidasse uma infeliz de nome duma das fazendas vizinhas, que já morava na capital, havia esperanças do velho consentir no casamento, e ela podia resolver lá os problemas da família dela, que só tinha pose. A Constância me expulsou da fazenda, garantiu que se eu não entregasse a criança pra ela o meu filho ia passar fome e, provavelmente, ia mesmo, porque eu passei.

O retorno de Ladislau (Tuca Andrada) será definitivo para a derrocada completa de Felipe Barreto. Após um golpe que lhe rende milhões de dólares, Ladislau, que de início tentara levar Beija-Flor (Ângelo Antônio), primo de Márcia, para a criminalidade, decide conquistar Taís, sua musa de adolescência. Ele esconde um pacote de cocaína em sua casa e ameaça denunciar sua família, caso ela não lhe dê guarita. Testemunha do sofrimento da amiga, Márcia logo trama para que Felipe seja envolvido com o bandido, quando este declara a Taís que pretende mudar de rosto para conseguir fugir ileso do Brasil. O médico acaba preso em flagrante, enquanto operava, por um bom punhado de dólares, o traficante que estava foragido da polícia. De longe, Márcia assiste a tudo, vitoriosa. Foi ela quem denunciou a clínica clandestina aos bandidos. Olga, com seu instinto maternal, bem que tentara avisar o filho, que sempre soube de sua origem, mas considerava Constância uma mãe mais conveniente para seus intentos. Já Ladislau é preso, mas acaba morto enquanto é transferido para uma penitenciária, alvejado por tiros de uma quadrilha rival.

Mesmo contando como o auxílio de Euclides (Jonas Bloch), brilhante advogado, Felipe é condenado a cinco meses e dezoito dias de prisão. Júlio até tenta corroborar para a versão do amigo, de que ele foi até a clínica sem saber que lá estavam os marginais. O depoimento de Derval (Chico Diaz), comparsa de Ladislau que havia procurado Felipe para realizar a cirurgia plástica no traficante, derruba a versão mentirosa do médico e do administrador. Felipe, desmoralizado, vê os amigos virarem as costas e só tem uma alternativa: morar com os pais. Mas Constância se torna a mais nova dor de cabeça do filho: exige que o dinheiro que restou do falido restaurante de Altair fique em suas mãos e chega a esconder o scotch do filho para evitar prejuízo. Neste momento, enfim, Felipe descobre quem fora a responsável por sua derrocada. Márcia o atrai até o apartamento de Herculano e, tão fria quanto Felipe fora um dia, despeja a verdade sem dó.

            FELIPE - Você está querendo dizer que teve alguma coisa a ver com isso?

MÁRCIA - Eu tive tudo a ver com cada degrau que você desceu. Eu dediquei minha vida a isso!

Felipe não se dá por satisfeito. Insiste em não acreditar no que a moça que desvirginou acabara de lhe dizer. Márcia, ainda triunfante, é surpreendida pelo pedido de casamento de Herculano, em comunhão de bens. Ela, mesmo sem amor, acaba aceitando. Apenas após uma conversa franca com Stella, no dia da cerimônia, é que Márcia desiste da união, argumentando que nenhuma relação sobrevive quando apenas um dos dois envolvidos é capaz de amar.

Sem conseguir emprego, e rechaçado pela mãe que desaprova seus gastos excessivos, Felipe aceitou escrever um livro sobre suas conquistas amorosas. Enquanto se debruçava sobre as folhas de papel em branco, buscava um novo lar. É quando ele se muda para o pequeno apartamento de Arlindo, onde é obrigado a lavar louça e pegar condução, feito os pobres que desprezava. E consegue respaldo de Otávio, que o convoca para ser auxiliar de pesquisa na implantação de um banco de peles na clínica, após ler os originais de uma obra sua sobre recuperação de queimados. Um dia, deixando a clínica, Felipe vê Taís e Márcia. De imediato, une os fatos e só então acredita no que havia ouvido da própria Márcia, dias antes. Para confirmar suas desconfianças, Felipe chega a ir a penitenciária, onde Derval está, para que o bandido lhe conte mais sobre a amizade das duas. É então que Felipe vai atrás de Taís, que não o reconhece a princípio, e lhe oferece os produtos de sua pastelaria, ao que o cirurgião indaga:

FELIPE - Será que você não prefere dar uma transadinha no quarto onde eu durmo com a minha mulher, sua vagabunda? Você vai me explicar muito bem por que fez aquilo. Foi por grana? Foi por amizade à outra vagabunda? Você, muito em breve, vai pensar duas vezes antes de voltar a se meter comigo!

Márcia, por sua vez, é convidada por Otávio para assumir a creche que atende os filhos dos funcionários da clínica. Os dois se aproximam cada vez mais e o primeiro beijo se torna inevitável. E, pouco depois desse beijo, Otávio percebe que Márcia pode estar apaixonada por Felipe. Na casa em que o médico vive com os tios, Felipe aparece repentinamente disposto a passar toda a vingança de Márcia a limpo. Neste instante, o cirurgião alcança o revólver de Lucas, disposto sobre um móvel, e fere Márcia no ombro. Operada por Otávio, a moça se recupera e, pouco depois, declara que não vai prestar queixa contra Felipe, o que levanta as suspeitas do médico de Barra Mansa. Mas Márcia, logo em seguida, o leva para a cama, dissipando as suspeitas. Felipe, entretanto, surge para agradecê-la por não ter prestado queixa contra ele:

FELIPE - Eu entendo você ter-se empenhado tanto em destruir minha vida. Eu demorei a entender, agi feito um louco, cheguei a dar tiro, mas de repente... Entendi, sim! Eu consegui me colocar no lugar de outra pessoa. (para Beija-Flor, que testemunhara seu encontro com Márcia) Eu não sabia me colocar no seu lugar. Eu me achava melhor que você, com direito a mais coisas... Acho que nunca olhei pros outros, sabe, preocupado em olhar pro meu próprio umbigo. Eu acho que vocês entendem como eu tô me sentindo, porque vocês sabem se colocar no meu lugar, sempre souberam, qualquer pessoa normal deve saber, só uns imbecis como eu fui e tem tantos por aí é que... Eu, de certa forma, mudei de lado, ou pelo menos estou conhecendo o outro lado... Então, se eu leio no jornal sobre esse assunto, eu já consigo me colocar no lugar do cara que tem família pra sustentar e vive daquele salário mínimo...

Chove torrencialmente no Rio. Otávio liga para Márcia, avisando que o trânsito na cidade está parado e sugerindo que ela permaneça na casa de Lucas. Ao desligar o telefone, a moça vai ver quem está batendo na porta. É Felipe, procurando por Otávio e trazendo uma autorização de compra de equipamento para ser assinada. A chuva obriga Felipe a passar a noite ali; com o clima de animosidade, Márcia acaba dormindo na sala. Felipe a leva nos braços para o quarto, percebendo sentir atração pela jovem, mas não se atreve a tentar alguma coisa. Na manhã seguinte, Otávio os surpreende tomando café da manhã juntos e passa a ignorá-los. Por pouco tempo! Otávio, sem pensar duas vezes, pede Márcia em casamento e ela... Recusa!

MÁRCIA - Eu acho que andei pulando umas etapas na minha vida. Eu estou adorando namorar você, fazer tudo o que a gente tem feito. E queria por enquanto continuar a viver as coisas como elas estão. Você está disposto a me dar um tempo?

E um ato heroico vai jogar ainda mais areia nos planos de Otávio. Felipe salva Márcia de um incêndio criminoso, na produtora de Rodolfo, onde a professora foi se encontrar com Beija-Flor. Será que Felipe está realmente mudando? Márcia também tem seu momento de heroísmo. Ao saber que Stella está desiludida com sua gravidez, já que imaginava estar grávida de Rodolfo e não de Felipe, a ex-vingadora procura o cirurgião, intercedendo novamente por um filho dele. E Felipe, desta vez, não titubeia. Decide apoiar Stella no que for preciso e a convence a aceitar a gestação. Felipe também procura Rodolfo, mas esse não o recebe com a mesma compreensão.

RODOLFO - O que você está tentando é salvar seu filho, neto de Herculano Maciel, o único passaporte para vida que você tinha antes de quebrar a cara definitivamente.

Por outro lado, Márcia se vê novamente sozinha. Após discutir com Darci, por ter deixado Otávio dormir em seu quarto, a professora se muda para o apartamento de Isabel (Susana Ribeiro), sua mais nova amiga. Cada vez mais dona de si, e a cada dia com um contato maior com Felipe, Márcia se afasta de Otávio, que a procura para dizer que está se entregando demais à ela, sem receber nada em troca. A decisão de Otávio é definitiva e ele chega a procurar Herculano para deixar a clínica e voltar para Barra Mansa. Um novo acontecimento, no entanto, muda os fatos: durante o casamento de Altair e Nanci (Ana Rosa), Felipe se mostra encantado por Márcia. Após a cerimônia, ele a procura para dizer que a ama.

FELIPE - Uma palavra sua pode fazer de mim o homem mais feliz da face da terra, capaz de casar com você, pra criar família, enfrentar qualquer barra, de grana, de tudo!

MÁRCIA - Quem sabe você não tá falando tudo isso porque ouviu dizer que no dia em que o Herculano morrer eu vou ficar bem de dinheiro.

Perturbada, a jovem pede a Otávio para que se case com ela. Mas ele agora não quer mais saber de compromisso. Está interessado em uma nova paixão: Yara (Daniela Perez), irmã de Stella.

Seis meses depois, nasce Maria, filha de Felipe e Stella. O pai a conhece e a registra, para depois sair de cena. Enquanto Felipe está longe, surgem novas pistas no caso de Ladislau. Pistas que dão conta de Felipe não aceitou suborno, como fora dito a princípio. Ele só operou o bandido por estar sob a mira de um revólver. Márcia entra em pânico com a revelação.

MÁRCIA - Eu não estou com complexo de culpa, Stella, eu tenho culpa. Eu sempre pensei que tinha dado a ele o direito de escolha, mas, ele não teve escolha alguma, teve foi um revólver apontado para a cabeça. Eu armei um circo para condenarem um inocente.

Márcia insiste em procurar Celeste (Cristina Galvão), a irmã de Ladislau que fora testemunha da operação plástica. Sem saber que pode ser inocente, Felipe trabalha como subgerente em um hotel em Blumenau, Santa Catarina. Quem o encontra, por uma feliz coincidência, é Márcia, agora uma bem-sucedida empresária das roupas infantis. Ela até tenta convencer Felipe a provar sua inocência, mas o agora pobre homem está irredutível: quer esquecer seu passado.


Felipe, entretanto, retorna para acompanhar a festa da um ano de sua filha. Uma vez no Rio, conta com a ajuda de Gilda (Betty Gofman), sua ex-secretária, que sabe que Celeste, sua tábua de salvação, vive em Aparecida do Norte. Constância, que a esta altura quer reaproximar Felipe e Stella, e impedir a união do filho com Márcia, dá um jeito de sumir com Celeste do mapa. Ainda assim, o vilão redimido continua em seus intentos de se tornar um bom homem. Procura Olga, que desta vez, o despreza. E desabafa após ser investigado pela polícia, por conta de uma série de atitudes criminosas tomadas contra os principais personagens de bem da trama.

FELIPE - Já me acusaram de roubar fita do Beija-Flor, falsificar assinatura do Otávio, botar fogo na produtora do Rodolfo e agora de mandar matar o Herculano. Se bobear, eu sou culpado da inflação não baixar, de trazer o vírus da cólera para o Brasil!

A maré de azar cessa quando Felipe resgata Celeste. Observando o marcador do carro da mãe adotiva, o médico percebeu que ela percorreu 800 km em apenas dois dias. Vai até Aparecida e consegue se certificar de que Constância esteve por lá. Sabendo disso, Márcia segue a víbora e descobre onde ela escondeu Celeste. Esta afirma que Felipe fora coagido a operar seu irmão, mas se recusa a depor a favor dele na justiça, uma vez que o detesta, por conta de sua interferência no destino de Márcia e Walter. Olga, passando a acreditar na idoneidade do filho, convence Celeste a interceder por ele.

OLGA - Não existe mais aquele homem arrogante que humilhou sua amiga! Ele é outro. Precisa da Márcia e quer voltar a exercer a profissão. Se ele recuperar a licença, tenho muita esperança de que Márcia aceite o óbvio: sua paixão por Felipe! Dê essa oportunidade a ele, Celeste. E um pedido de uma mãe que sofreu muito!

Felipe, então, volta a exercer a medicina. E a dormir com Márcia...

FELIPE - Foi você que me deu forças para aguentar tudo isso e refazer minha vida. Fica comigo, Márcia! Quero ser feliz ao seu lado pelo resto da vida. Acho que eu mereço e você, também!


Ao acordar, Márcia ouve uma conversa entre Felipe e Júlio; o primeiro cobrando do outro uma caixa de champanhe, por conta de uma nova aposta entre os dois. Este flagrante deixa supor que Felipe Barreto continua o mesmo vilão do início da novela. Pouco depois, sentado numa poltrona do apartamento de Olga, Herculano diz à amiga que não acredita na regeneração de Felipe, toma um uísque e cai fulminado pela ruptura de um aneurisma. O cirurgião, então, volta suas atenções para a verdadeira mãe, Olga, ao descobrir que ela é herdeira, ao lado de Márcia, Stella e Yara, da fortuna deixada pelo empresário. À pedido de Márcia, Otávio diz que vai se casar com a caçula do clã e comenta com Felipe, na frente de Olga, que pretende entrar na justiça com um pedido de anulação do testamento do empresário. Felipe então, desesperado com a possibilidade de perder a boa vida conquistada com o dinheiro da mãe, telefona para Constância e conta que já não pode mais contar com o dinheiro da cafetina. É o bastante para que Olga, ouvindo o telefonema de uma extensão, descubra o verdadeiro caráter de seu filho.

OLGA - Dá o fora dessa casa, imediatamente! Saia daqui agora, seu safado, e não ouse nunca mais de aproximar de mim!


Constância, pagando por todas as suas maldades, acaba pobre e sem amigos. Sem dinheiro até para pagar o aluguel e o condomínio, ela é despejada do prédio onde mora. Olga dá a volta por cima na decepção que teve o filho e continua sua vida de sempre. Márcia acaba encontrando consolo nos braços de Rubens (Dennis Carvalho), advogado que atuou na revisão do processo de Felipe. E o Felipe... Ah, o Felipe... Encontrou uma caipirinha cheia da grana. E virgem!

Tramas Paralelas


Em paralelo a trama central, corre o romance de Taís (Letícia Sabatella) e Beija-Flor (Ângelo Antônio). Ele, primo de Márcia; ela, melhor amiga da professora. Os dois vivem em Madureira e lutam para ascender socialmente. Beija-Flor, a princípio, é um surfista ferroviário, a um passo da criminalidade. Já Taís vislumbra boas oportunidades através da prostituição. É quando seu caminho cruza com o de Olga, que faz da moça uma garota de programa de alto padrão. É no apartamento da cafetina que Taís conhece Sálvio (Ary Coslov), milionário que lhe presenteia com um carro. Taís vende o automóvel para abrir uma loja de pastéis ao lado do namorado. Mas Beija-Flor descobre tudo e rompe o compromisso.

Decidido a levar uma vida digna, o jovem se emprega na produtora de Rodolfo Steiner (Kadu Moliterno). É lá que Beija-Flor começa a ascender profissionalmente, à custa do seu trabalho e de seu talento. Enquanto isso, Taís batalha para levar uma vida digna com sua lojinha. O amor fala mais alto e o casal torna a se aproximar. No entanto, Felipe Barreto, ao se dar conta de que Taís auxiliou Márcia em seu plano de vingança, denuncia seu estabelecimento, por este não estar dentro das normas da vigilância sanitária. Sem ter como se sustentar, Taís implora para que Beija-Flor aceite a comissão de um produto subfaturado do qual a produtora necessita. O rapaz se nega, provando que, mais do que nunca, está disposta a agir honestamente.

Taís é quem rompe dessa vez e parte atrás de Olga, que lhe apresenta o ricaço Willian Camargo (Antônio Calloni). Descendente de família portuguesa, Willian é extremamente retraído e custa a tomar partido na conquista de Taís. É ela quem se faz de moça intelectual, a princípio, e depois avança, despertando em Willian o amante saciável que o habitava. Mas as coisas se complicam para a agora dama da sociedade: mesmo com dinheiro em mãos, Taís não se sente realizada.  Ela monta um garçonière, planejando ter encontros clandestinos com Beija-Flor, que se recusa a ser amante, já que está vivendo uma nova história de amor; desta vez, com Isabel (Susana Ribeiro), amiga de Márcia.


Rodolfo, no início, vive fora do país, atormentado pela morte prematura da esposa e distante do filho pequeno, Paulinho (Jonathan Nogueira), criado por seus cunhados Júlio (Daniel Dantas) e Karen (Maria Padilha). Ao retornar ao Brasil, disposto a montar uma produtora de vídeo, Rodolfo encontra apoio em Stella, esposa de Felipe. O cirurgião, machista ao extremo, se opõe a amizade que começa a nascer entre sua esposa e o jornalista. Mas a afeição que Stella toma por Paulinho a leva a se aproximar cada vez mais do menino e, principalmente, do pai dele. Ao se divorciar, Stella pode, enfim, se deixar levar por Rodolfo, que a princípio, teme o envolvimento com medo de perder, novamente, a mulher que ama. No entanto, o desejo fala mais alto e após transar com Stella, os dois engatam um namoro.


Namoro este extremamente prejudicado pelas intrigas de Karen, que, no intuito de manter a gorda pensão que recebe de Rodolfo para manter Paulinho sob seus cuidados, se alia a Constância, interessada numa possível reconciliação de Stella com Felipe. Juntas, as duas víboras tramam flagrantes e armam situações que desestabilizam o casal. Fazem com que Rodolfo descubra que Stella procurou o preso que depôs contra Felipe, no processo envolvendo Ladislau; simulam um encontro do jornalista com Dóris (Isadora Ribeiro) Rodolfo e Stella acabam se separando e, num momento de fragilidade, ela dorme com Felipe. Ao se descobrir grávida, a jornalista, agora exercendo a profissão na produtora, decide contar tudo a Rodolfo, justamente no dia em que irá receber um prêmio por um documentário que produzira com Beija-Flor. Ao ouvir da boca da namorada que ela está esperando um filho, Rodolfo a agride violentamente. Stella fica sem entender até que o jornalista lhe conta que realizara uma vasectomia; a princípio, irreversível. Arrasada por estar esperando um bebê de um homem que não ama, Stella pensa em abortar. Mas acaba por levar a gravidez adiante e, ao passar por complicações no parto, se reaproxima de Rodolfo. Este, no entanto, não consegue dividir Stella com a filha, Maria, que ela teve com Felipe. Neste momento, Taís surge em seu caminho.


O caso de Taís e Rodolfo coincide com o romance clandestino de Terezinha (Tássia Camargo) e Júlio. A fogosa prima de Taís vem de Minas para morar com o tio Vicente (Cláudio Corrêa e Castro). No casamento de Willian com a garota de programa, Terezinha conhece e se encanta por Júlio. E aposta um engradado de cerveja com sua outra prima, Gilda (Betty Gofman), que vai conseguir leva-lo para a cama. Dito e feito! Júlio se rende ao charme suburbano de Terezinha e se sente tão bem ao lado dela, que acaba sendo traído pela sorte e pego em flagrante com a moça, justamente por sua esposa, Karen.


Aproveitando-se até mesmo da infidelidade do marido para se dar bem, a perua logo convence Willian de que Taís precisa de sua companhia para que não caia na vulgaridade, tal e qual sua parenta. Willian concorda, sem imaginar que Karen e Taís se unem para, usando de falsas reformas em casas de praia e ações sociais, tomarem seu dinheiro. A situação se complica quando Taís se descobre grávida. Como o marido sempre usa preservativo, o filho só pode ser de Rodolfo, que passa a alimentar a esperança de ser o pai de Maria e assim se reaproxima de Stella.

Taís e Beija-Flor também voltam às boas, após ela coloca-lo em uma tremenda enrascada. No decorrer da narrativa, surge o sabotador, ou o homem do isqueiro preto. Responsável por orquestrar diversas manobras para prejudicar diversos personagens, o homem se mantém oculto até o último capítulo, quando sua identidade é revelada: Willian, com ciúmes de sua Taís, arquitetou diversos planos para prejudicar todos os homens que dela se aproximaram, um dia. Assim, ele rouba a fita de um programa produzido por Beija-Flor; incendeia a produtora de Rodolfo, colocando a vida de Márcia em risco; e faz com que o elevador em que Herculano deveria estar despenque. Seu último golpe consiste em levar os dólares que Taís surrupiou dele, com o auxílio de Karen, e colocar em uma maleta, cuidadosamente depositada na casa de Beija-Flor. Taís surge a tempo de impedir a prisão do amado e admite ter sido ela quem escondeu os dólares, pensando já em se divorciar de Willian. Taís e Beija-Flor, enfim, acertam os ponteiros.

Ganha destaque também a relação de Umberto (Marcelo Serrado), irmão de Beija-Flor, e Yara (Daniela Perez), irmã de Stella. A jovem, rebelde e contestadora, namora, a princípio, com o mau-caráter Xará (Jorge Pontual). Ao conhecer o jovem pianista, no entanto, Yara se apaixona de imediato. Mas a presença de Herculano atrapalha tudo. Ao oferecer uma bolsa de estudos para Umberto, que prontamente aceita, o pai de Yara coloca areia no relacionamento da filha, que não admite que o namorado estude com o financiamento de seu pai. Após muitas idas e vindas, Umberto e Yara decidem se separar. Ele parte para o exterior, onde pretende concluir seus estudos de piano; ela se envolve com Otávio.

Outra história de amor envolve Altair e Nanci, a mãe de Beija-Flor e Umberto. Ao ir ao subúrbio agradecer Vicente por ter salvado sua vida após um assalto, Altair conhece e se encanta por Nanci. Cansado da convivência com a esposa, Constância Eugênia, o pai de Felipe Barreto abandona tudo e se muda para Madureira, para ficar ao lado de sua nova paixão. Constância, no entanto, não se dá por vencida. Insiste em humilhar Nanci, sempre que se encontram, e por fim, faz com que ela seja acusada pelo roubo de um anel. Após amargar uma noite na cadeia, Nanci descobre que fora salva por Zoraide (Jaqueline Laurence) e Olga, que trataram de acalmar a imprensa e de providenciar uma gravação na qual Constância assume todo o plano. De posse dessa poderosa arma, Zoraide humilha Constância, exigindo até mesmo que ela sirva sua empregada, além de pagar as dívidas trabalhistas que possuía com a criada.

No final, Constância se vê obrigada a deixar o apartamento que vivia, com todos os seus pertences, entulhados em um caminhão caindo aos pedaços. Já Karen, em um último golpe, planeja provar a Rodolfo que Stella é incapaz de cuidar de Paulinho. Durante uma prova de canoagem, ela coloca em risco a vida do herdeiro de Rodolfo e também de seu próprio filho, Marcelo (Leandro Figueiredo). Salvos pelo jornalista, os dois meninos assistem à queda de Karen, que acaba se acidentando, colecionando fraturas e termina seus dias na casa de sua empregada, no subúrbio.

Personagens

Diretamente da sinopse original de O Dono do Mundo, os perfis dos principais personagens, com adendos para personagens que entraram no decorrer da novela.

Os Ricos

Felipe Barreto (Antonio Fagundes)
39 anos. Atraente, forte, bonito, dominador e sedutor, nosso protagonistas. Apesar da idade, já um dos grandes cirurgiões plásticos do Brasil. Iniciou a carreira como assistente do Professor Ivo Pitanguy e, cerca de oito anos atrás, o casamento com Stella, a filha de um poderoso industrial, proporcionou-lhe a abertura de uma clínica com seu nome, primeiro passo decisivo para a ascensão profissional e, no início da narrativa, parece não ter limites. Nasceu relativamente rico, mas seus pais, Altair e Constância, foram perdendo patrimônio aos poucos, de modo que, quando começa nossa história, dependem financeiramente do filho. Desde muito jovem, em parte influenciado pelo temperamento da mãe, Felipe mostrou-se um pouco exageradamente ligado aos valores materiais da vida. Pelo pai, sempre teve ternura, mas não admiração. No fundo, considera-o um fraco e nunca o perdoou por ter vendido, quando Felipe era criança, a indústria de produtos alimentícios da família para Herculano, com a filha de quem acabou se casando. Ótimo aluno, inteligente, trabalhador, muito cedo Felipe acostumou-se a dividir o mundo entre vencedores e perdedores, e lutou com unhas e dentes para conquistar seu espaço entre os primeiros. Com efeito, Felipe é hoje o típico retrato do vencedor exageradamente satisfeito consigo mesmo, com suas conquistas, desprezando o que considera “comum dos mortais”. É, no entanto, suficientemente ladino para esconder dos que o cercam, em especial os empregados da clínica, este seu desprezo pelas pessoas mais modestas. Um traço divertido do desenho da personagem é que Felipe é supersticioso de forma quase doentia.

Conquistador compulsivo, habituou-se a ter todas as mulheres que desejou, conseguindo parecer virtuoso apenas à esposa, por quem tem um grande respeito e carinho, mas não exatamente amor. Stella é inteligente, culta, viajada, o tipo de esposa conveniente à sua ascensão, para a qual, com efeito, contribuiu e continua contribuindo bastante. Com o melhor amigo, Júlio, seu assistente pessoal e companheiro de todas as horas, Felipe costuma fazer apostas quando surge à sua frente uma mulher desejável que lhes pareça uma conquista difícil. Felipe se orgulha, a cada mês, de ter conquistado “mais uma esposa virtuosa”, ou “mais uma viúva inconsolável”. Seu sogro tem quase certeza destas infidelidades e, com frequência, ameaça Felipe das maiores punições caso o grande cirurgião venha algum dia a fazer sua filha sofrer. Além da forte devoção à carreira – traço dominante de sua personalidade – Felipe é muito apegado a todo o glamour do mundo dos ricos. Tem já uma bela coleção de quadros e objetos de arte, um universo que o fascina. Quando começa a nossa história, além da clínica, em que o sogro Herculano é seu sócio, Felipe tem um belíssimo apartamento no Rio, que ainda esta pagando. Frequentemente, Herculano, o sogro, o critica por ir com muita sede pote, ter tendência a dar o salto maior do que as pernas, endividar-se para usufruir de todos os luxos de que tenha conhecimento. Baseado apenas em força de trabalho, um grande talento e sucesso profissional, Felipe leva uma vida luxuosa acima das suas reais possibilidades materiais, porque no início de nossa história sua verdadeira segurança material ainda vem do sogro. Apesar disso, Felipe sente-se o dono do mundo, o todo-poderoso, o vencedor capaz de conseguir qualquer coisa que deseje.

Júlio (Daniel Dantas)
36 anos. Administrador da clínica de cirurgia plástica e uma espécie de assessor para todos os assuntos de seu melhor amigo, Felipe, que lhe inspira ao mesmo tempo grande admiração e um certo medo. O servilismo de Júlio é disfarçado por uma grande simpatia, o rapaz é uma figura agradável de quem a maior parte das pessoas tem tendência a gostar. Casado com Karen, o casal tem um filho de oito anos, Marcelo. Júlio e Karen vivem no mundo dos ricos sem ter cacife. O equilíbrio financeiro da casa vem do fato de Júlio criar o sobrinho, Paulo, filho de sua falecida irmã, cujo jovem viúvo, Rodolfo, é muito rico.

Karen (Maria Padilha)
32 anos. Esposa de Júlio, muito ambiciosa, está sempre reclamando que o marido não tem o nível de vida que merece. Cria o sobrinho Paulo, cuja gorda pensão é a principal fonte de renda da casa. Bajuladora, subserviente com os ricos. Falsa amiga de Stella, a esposa do protagonista. Dona de uma galeria de arte, frequente ponto de encontro de nossos personagens classe A.

Marcelo (Leandro Figueiredo)
11 anos. Filho de Júlio e Karen, primo de Paulinho.

Zoraide (Jaqueline Laurence)
58 anos. Sócia de Karen na galeria de arte. Simpática, inteligente, elegante, espirituosa, um pouco cínica. Ao contrário Karen, Zoraide deverá conquistar a simpatia do espectador. Melhor amiga de Olga, sua confidente. Com frequência, Zoraide toma pileques memoráveis, que não pretendemos criticar, porque nossa personagem não é uma alcoólatra. Nascida na França, de onde nos chegou no início da adolescência, alguns de nossos personagens pronunciam seu nome em francês. Na segunda parte da história, Zoraide vai ser sócia de Márcia, a protagonista, num antiquário.


Herculano Maciel (Stenio Garcia)
52 anos. Sogro de Felipe, milionário, um self-made-man, muito seco, um pouco tosco, mas não sem chame. Nasceu pobre numa fazenda nos arredores de Ribeirão Preto e chegou, às custas de muito trabalho, a ser dono de uma holding cuja principal empresa é uma indústria alimentícia. Viaja muito, a negócios. Ao contrário de Felipe, não esbanja dinheiro, prefere se hospedar em hotéis a acumular residências pelo mundo, como certamente faria nosso protagonista se tivesse o patrimônio deste sogro. Viúvo, tinha com a mulher precocemente falecida uma vida afetiva bastante realizada. O casal teve duas filhas: Stella, casada com Felipe, e Yara, agora com dezenove anos, a grande paixão do pai. Herculano não tem muita certeza de que Stella tenha um casamento feliz e sua maior obsessão é casar bem a filha mais nova, que mora com ele em Ribeirão Preto, base de sua indústria alimentícia, comprada do pai de Felipe. Por causa de uma queda de cavalo na infância, Herculano tem um leve defeito na perna e caminha com a ajuda de uma bengala. Apesar da secura quase incomodativa e um autoritarismo gritante, Herculano está longe de ser uma pessoa má. Em certos momentos, é capaz de gestos de grande generosidade.

Stella (Glória Pires)
28 anos. Esposa de Felipe, bonita, educada, muito fina, filha de Herculano. Sua mãe morreu quando era ainda muito jovem e sua irmã, que ela ajudou a criar, uma criança. Estudou na Suíça e aproveitou bastante sua educação requintada, o que a transformou na mulher ideal para a ascensão profissional de Felipe, a companheira perfeita para o grande cirurgião cada vez mais próximo ao universo do internacional set, ao qual Stella tem acesso via algumas amigas europeias, ex-colegas de colégio interno. Uma moça adorável, de quem todos gostam. Inteligente, divertida, muito culta, elegante, tem sido a companheira ideal para a ascensão profissional do grande cirurgião. Estudou Jornalismo, mas não seguiu carreira porque a atividade profissional não era compatível com o trabalho full time de mulher de celebridade. Quem a vê circulando com tanta segurança nos melhores ambientes do primeiro mundo dificilmente a imaginaria filha de Herculano, o milionário simplório, que ao glamour do mundo dos muito ricos, prefere a cidade do interior de São Paulo onde nasceu. Desde o instante em conheceu o marido, Stella apaixonou-se perdidamente por Felipe, com quem veio a se casar seis meses depois. Adora o cirurgião. Inicialmente, não desconfia nem de leve de suas infidelidades. Não por ser ingênua, em absoluto, mas porque Felipe é inteligente, calculista, sabe ter seus casos extraconjugais mantendo sempre as aparências e colocando sua harmonia com a esposa acima das aventuras. O fato de não se envolver emocionalmente com nenhuma de suas conquistas ajuda bastante Felipe a fazer da esposa uma mulher feliz. A única frustração de Stella é se u marido não querer ter filhos, porque ela adoraria ser mãe. Forte, com a vocação da felicidade e do equilíbrio, Stella carrega este estigma sem grandes traumas, o fato de não ter filhos é apenas um leve toque de tristeza no mundo harmonioso em vive. Seu traço dominante é a grande paixão pelo marido, que ela vai apoiar sempre, por mais terríveis que possam ser os conflitos desencadeados pela história da novela. A partir da crise conjugal, Stella terá uma relação de amizade com Rodolfo, um rapaz simpático que descreveremos adiante.

Maria (Alana de Mourão)
Filha que Stella tivera com Felipe, no terço final da trama.

Yara (Daniela Perez)
19 anos. A irmã de Stella, filha de Herculano. Inicialmente, mora com o pai no interior de S. Paulo. Muito bonita, meiga, sensual. Ótimas relações com irmã Stella. Tem uma leve atração pelo cunhado Felipe mas bloqueie totalmente estes impulsos. Nosso cirurgião tem pela jovem cunhado um desejo intenso mas Yara é o fruto proibido. Por mais amoral que seja Felipe, sua dependência financeira do sogro e seu relativo respeito pela esposa o impedem de pensar em conquistar a jovem Yara. Herculano não gosta muito do mundo - a seu ver dominado por futilidade - em que vive a filha cais velha, Stella, em parte por causa das inclinações de Felipe, seu marido. Acha que essa história de ter mandado a filha estudar na Suíça não contribuiu muito para a felicidade de Stella. Por isso, fez questão de manter a filha mais jovem, Yara, perto dele. Quer para Yara um Casamento com um homem em quem ele tenha mais confiança, um homem mais parecido com ele. Inicialmente, Yara e mimada, um pouco inconsequente. Terá um envolvimento amoroso com Beija-Flor, logo dissolvido. Mais tarde, ficará entre Rodolfo, apaixonado por sua irmã Stella, e Umberto, personagem do núcleo dos pobres, irmão de Beija-Flor. É pelo casal Yara e Umberto que o público deverá torcer.

Isabel (Susana Ribeiro)
Amiga de Yara, inicialmente, e depois de Márcia, com quem chega a morar, na segunda fase da narrativa. Com ela, monta uma loja de roupas infantis. Envolve-se com Beija-Flor, enquanto este está em crise com Taís.

Altair (Paulo Goulart)
62 anos. Pai de Felipe, casado com Constância, por quem sempre foi totalmente dominado. Nasceu rico mas, por não ter a vocação do mundo dos negócios, obrigado, trinta anos atrás, a vender para seu ex-empregado Herculano a indústria que proporcionou a ascensão do sogro de nosso protagonista. Nos primeiros capitules, tem um cargo público e reside em São Paulo com a esposa Constância. A perda deste cargo faz com que os dois tenham que vir morar no Rio, onde Altair (industriado por Constância) tem a esperança de conseguir outro cargo público. Na verdade, Altair nunca produziu de verdade. Dedicou—se enquanto pôde aos prazeres reservados aos ricos. Apaixonado por golf, notável gourmet e cozinheiro, discretamente mulherengo. Quando se sentir interiormente mais forte, no meio da história, Altair vai abrir um restaurante. Primeiro, ao lado da esposa Constância, patrocinado pelo filho. Não vai dar certo. Depois, Altair deixara de lado suas tendências megalômanas para vencer por si mesmo, enfrentando um bom fogão. Antes disso, terá de abandonar a esposa para assumir sua paixão por Irene, bela e simpática negra bem mais jovem do que ele.

Constância Eugênia (Nathália Timberg)
61 anos. Esposa de Altair, mãe de Felipe. Elegante, atraente, nasceu muito rica mas sua família, da chamada aristocracia rural de São Paulo (os paulistas que orgulhosamente se intitulam “quatrocentões”) só fez perder dinheiro a partir do final da década de vinte, com a crise do café Assim, de dinheiro mesmo Constância só sentiu o cheiro longínquo na primeira infância. Da família, herdou a pose, a certeza de fazer parte de uma elite com direito a tudo, a classe dominante a quem o comum dos mortais deve servir. Mulher extremamente dominadora, arrogante. Arraigada a convenções, foi ela, de certa forma, quem incentivou no filho Felipe o culto do dinheiro. Subserviente com quem lhe interessa, Constância acostumou—se, nos últimos anos, a ajudar Felipe a esconder da esposa suas infidelidade, consciente de que, na hipótese do casal vir a se separar, seu filho terá dificuldades em continuar a manter o nível de vida que ela própria vem levando. Aduladora, tem ótimas relações com a nora, Stella. Logo no início da narrativa, Constância, por problemas financeiros, vai ser obrigada a se mudar, juntamente com o marido, para o mesmo prédio carioca em cuja cobertura mora uma de nossas personagens principais, Olga, mulher simpática, muito bem relacionada na alta sociedade do Rio de Janeiro, por quem Constância sempre teve uma forte antipatia. Dona de grande chame e alegria de viver, Olga recebe muito, seu apartamento está sempre cheio de políticos e empresários, em parte atraídos pela beleza e juventude de mocinhas que Olga ajuda a subir na vida. As senhoras mais conservadoras veem nela una arrivista, e Constância fará todo o possível para expulsar Olga do prédio onde moram, em nome da moral e dos bons costumes. Constância é, sem dúvida, quem usa as calças dentro de casa. Vive preocupada em aumentar seu pequeno patrimônio, três ou quatro apartamentos alugados, algumas ações. Não sente o quanto é mesquinha e ridícula ao jogar, com pouquíssimo dinheiro, na bolsa de valores. Lê todas as manhãs a Gazeta Mercantil e o Jornal do Comércio. Esta sempre em litígios, querendo expulsar um inquilino no intuito de aumentar sua pequena renda. Apesar de posuda, Constância não é absolutamente desprovida de humor.

Rodolfo Steiner (Kadu Moliterno)
24 anos. Bonito, sedutor, nosso cirurgião salva sua vida no primeiro capítulo da telenovela, após um acidente. Rodolfo era louco pela esposa que morreu precocemente, durante o parto de seu único filho, Paulo, agora com oito anos de idade. Rodolfo jurou nunca mais se envolver com mulher alguma. Seu filho Paulo, é criado pelo tio Júlio, irmão de sua falecida mãe. Na verdade, Júlio e a esposa Karen convenceram Rodolfo de que ele não tinha condições de criar o menino, para tirar partido da situação, já que Rodolfo tem uma renda considerável e passa a contribuir cara o sustento da família do cunhado com uma polpuda pensão. Rodolfo estudou Jornalismo. Na época da morte da esposa, fazia grande sucesso como correspondente estrangeiro de uma estação de tevê. A partir da grave crise existencial desencadeada pela morte da esposa, Rodolfo trocou o idealismo por uma profissão rendosa, embora menos estimulante, intelectualmente. Dono de uma firma de compra de filmes estrangeiros que revende para nossas emissoras de tevê. Inicialmente, mora no estrangeiro e não se liga a mulher alguma, tem uma tendência à autodestruição e uma relação difícil com o filho Paulo, criado por Júlio e Karen, já que o menino se sente rejeitado.


A partir de uma forte relação de amizade com Stella, a esposa do cirurgião plástico, Rodolfo vai compreender que fixar residência no Rio e assumir a educação do filho são atitudes que podem dar sentido à sua vida. Ao pedir ao ex-cunhado a guarda do menino, Rodolfo cria sérios conflitos com Júlio e Karen, que perdem sua galinha dos ovos de ouro. Nossa intenção é mostrar uma bonita relação de pai e filho. Além de resolver criar Paulinho, Rodolfo, incentivado por Stella, volta ao idealismo de juventude e funda uma produtora independente de programa de tevê para a qual Stella irá trabalhar na segunda parte da narrativa, após a queda profissional do seu marido. A amizade entre Rodolfo e Stella deverá crescer como uma bola de neve ao longo da narrativa. Stella não tem filhos e vai se afeiçoar muito ao simpático filho de Rodolfo. Rodolfo e Stella vão manter ao longo de muitos capítulos uma bonita relação de amizade homem-mulher. É ele quem vai amparar Stella em suas piores crises, seus conflitos com o marido e com o pai. A partir de um determinado momento, Rodolfo terá de reconhecer para si mesmo que está apaixonado por Stella e que a paixão da moça por um marido que só a faz sofrer é doentia. O publico deverá torcer para que Stella desista de seu amor por Felipe e se ligue definitivamente a Rodolfo. Nesta fase, Constância, manipuladora, vai querer o filho Felipe ao lado de sua esposa Stella, tendo de separar, para que tal aconteça, os casais Rodolfo e Stella, e Yara (que gosta de Rodolfo) e Umberto. Generoso, numa fase adiantada da narrativa, Rodolfo vai financiar para Altair o restaurante que vai lhe permitir assumir seu amor por Irene e abandonar a esposa Constância.

Paulinho (Jonathan Nogueira)
08 anos. Simpático, bonito, o filho de Rodolfo, bela relação de companheirismo com o pai. Inicialmente, mora com o tio, Júlio, e sua esposa Karen.

Olga Portela (Fernanda Montenegro)
58 anos. Sem ser propriamente bonita, Olga é uma mulher de charme magnético, extremamente elegante, capaz de seduzir com sua verve praticamente qualquer ressoa que dela se aproxime. Brilhante, espirituosa, é a alegria da festa em reuniões da chamada sociedade carioca, ainda que não seja bem vista pelos mais conservadores. De um modo geral, os jovens, mesmo bem nascidos, gostam de Olga, os homens também. Entre as senhoras de sociedade, no entanto, só se aproximam de Olga as que têm ideias mais modernas, cabeças mais arejadas. Sua grande antagonista na nossa história é Constância, um símbolo de conservadorismo. Esta implicância tem alguma razão de ser, porque Olga, apesar de simpaticíssima e envolvente, é uma pessoa completamente amoral. Boa gente, sempre disposta a ajudar quem precisa, especialmente os menos favorecidos pela fortuna, Olga vive há muitos anos uma vida de grande luxo, sem ser rica em absoluto. Mora bem, num espaçoso apartamento alugado. Viaja muito, é badalada, mundana. Qualquer relações públicas terá Olga como figura de proa em sua lista de convidados para eventos sociais. Já para um grande casamento, mãe e noiva vão pensar duas vezes antes de incluí-la entre os convidados. Porque aparentemente Olga vive da profissão de marchand, compra, vence e troca quadros, tapetes, obras de arte... Algumas contrabandeadas, porque Olga sempre teve grande influência nos meios políticos, nunca deixou de ser amiga íntima de pelo menos um ministro por governo, o que lhe proporciona a muitos anos embarques e desembarques sem que seja revistada em aeroportos. Está longe de ser uma marginal. Não faz nada que, a seu ver, possa prejudicar alguém. Traz, por exemplo, Cada vez que viaja a Nova Iorque ou à Europa, uma meia dúzia de tapetes para revender. E ajuda mocinhas atraentes e eventualmente rapazes que considere talentosos, interessantes, pessoas que, no seu entender, mereçam subir na vida. Promove encontros. Em seu apartamento, especialmente nos finais de tarde, muitos homens de negócios sabem que podem encontrar companhia feminina interessante. Se Olga sabe, por exemplo, que um determinado empresário, conhecido seu, se interessou por uma moça que viu em alguma boate, Olga dá um jeito de, diante do empresário, dizer que “pode lhe apresentar a fulana, acho que ela vai simpatizar muito com você!” Para tal, é preciso que ela dê um jantar em homenagem a sicrano, para dar o jantar ela deixa escapar que precisa trocar os estofados de seus sofás, que não tem meios, também, para arcar com as despesas da festa, e assim, com uma simples apresentação, Olga reforma a casa e ainda garante uísque para uma boa quinzena de badalação. Dependendo do nível da moça que conta com o seu apoio, Olga pode simplesmente conseguir uma boa companhia de fim de semana para um industrial ou promover casamentos. Quando junta um casal, Olga está sempre certa de que não está prejudicando ninguém, muito pelo contrário: arruma companhia para um homem eventualmente sem charme, e proporciona as boas coisas da vida a mocinhas que não tiveram a sorte de nascerem ricas. Quem com ela simpatiza, quando este assunto vem à baila, a chamaria de “matchmaker”.

Logo no inicio de nossa historia, uma dessas moças ajudadas por Olga será nossa personagem Taís, estrela de forte trama paralela. Em seguida, nossa heroína Márcia vai bater à sua porta também à espera de ajuda. Constância e Altair, os pais do cirurgião nosso protagonista, vêm morar no Rio porque Altair está prestes a conseguir um bom cargo público, no campo do turismo. Há um bom apartamento vago no prédio de Olga, onde moram Júlio e Karen, aluguel relativamente barato num prédio de categoria, porque antigo e um pouco decadente. Júlio diz a Felipe: “o problema é que sua mãe não costa de Olga, que mora no prédio”. Felipe responde: “não compete a mim resolver, a decisão é dela”... Constância gosta do apartamento mas não quer aluga-lo quando sabe que Olga mora ali. Há logo um choque entre as duas, um forte antagonismo que vai durar toda a narrativa, Constância representando os valores mais conservadores e Olga um mundo mais solto, sem preconceitos morais e impregnado de cinismo. Constância interessa-se por um apartamento caríssimo, na Avenida Ruy Barboza. Só o condomínio deste famoso prédio custará a seu filho mais do que o aluguel de um bom apartamento. Herculano, o sogro, impede Felipe de fazer mais essa loucura. Constância é levada a visitar um apartamento menor, em prédio de quatro imóveis por andar. Diante da hipótese de ter que dar às amigas, como endereço, um “apartamento 704”, Constância prefere o prédio de Olga, garantindo que vai expulsar a antagonista do edifício. Com efeito, logo ao se mudar, começa uma campanha para desmoralizar Olga e obrigá-la a deixar o edifício. As duas brigam feio. Como vingança, Olga, que tem boas relações no mundo da política, consegue o cargo de Altair para um protegido seu. E a guerra entre Olga e Constância está lançada, para durar nossos 180 episódios. Na segunda parte da narrativa, Olga vai viver uma difícil história de amor com Lucas, um marceneiro charmoso, símbolo de simplicidade, homem extremamente resolvido, de bem com a vida, totalmente contrário ao mundo de futilidade em que vive a mulher por quem sente uma irresistível atração.

Araci (Betty Erthal)
Empregada de Olga. Devotada à patroa. Gosta das coisas simples da vida, com um bom pagode com cerveja nos finais de semana.

Joel (Bileco)
Porteiro no prédio de Olga e Constância.

Liliane (Alexia Deschamps)
A princípio, secretária de Felipe. Depois, emprega-se na produtora de Rodolfo.

Germano (Rodrigo Mendonça)
Motorista de Felipe.

Jurema (Fernanda Young)
Empregada de Felipe e Stella.

Willian Camargo (Antônio Calloni)
28 anos. Um pouco gordo, extremamente tímido, introspectivo, herdeiro de uma imensa fortuna, entra em cena na segunda parte de nossa narrativa. Seu pai, um milionário amigo de Olga residente ao mesmo tempo no Brasil e Portugal, morre inesperadamente. Sozinho no mundo, William tem que optar entre a vida no Brasil ou Portugal. Seu grande sonho é se casar com uma mulher desinteressada de sua fortuna. Acha a maior parte das brasileiras muito ligadas em dinheiro e com temperamento forte demais. As moças portuguesas lhe parecem menos modernas, mais românticas. William confessa a Olga que só não deixaria o Brasil caso acontecesse o milagre de uma moça atraente se apaixonar por ele sem interesse por sua fortuna. Olga, naturalmente, faz com que este milagre se concretize logo, industriando Taís, nossa importante personagem de história paralela, numa campanha para agarrar o ingênuo e patético William. Assim, no meio da história, Taís se casa com o poderoso herdeiro, fazendo uma ascensão impressionante de empregada doméstica e posteriormente garota de programa de alto nível à perua da melhor sociedade carioca.

Arlindo (Otávio Muller)
28 anos. Jovem médico, muito tímido, bom profissional, ambicioso. Trabalha na clinica de Felipe. Vai ser traído pelo grande cirurgião e passar um tempo no estrangeiro. Quando voltar, vai reencontrar um novo Felipe, derrotado, desprovido da arrogância que o caracterizava. Vai perdoar o homem que o prejudicou e tornar-¬se, na segunda parte de nossa história, um de seus principais companheiros.

Os Pobres

Márcia (Malu Mader)
20 anos. A protagonista. Belíssima, sensual, inicialmente não tem muita consciência de que exerce um grande fascínio sobre os homens. Aparece na novela como moça vital, sorridente, ainda um pouco criançona, um raio de luz que ilumina a telinha com seu sorriso, alegria e entusiasmos juvenis. Seus pais morreram num desastre de carro quando Márcia era muito nova. Foi criada pela tia e madrinha Nanci, uma boa senhora, carinhosa mas docemente dominadora. Ao contrário da maior parte das moças de sua idade, Márcia ainda é virgem. Nunca pensou muito em sexo. Nem mesmo em amor. Quem lhe aponta estas particularidades, no primeiro capitulo, é sua simpática vizinha e amiga Taís, a moça mais livre da rua onde moram, num subúrbio carioca. Nanci nunca viu com bons olhos a amizade entre Márcia e Taís, mas agora nossa boa senhora pouco tem a temer. Márcia está de casamento marcado com Walter, um rapaz exemplar, vizinho delas, técnico em informática que trabalha na clínica de nosso cirurgião plástico. Walter é um rapaz tímido, extremamente convencional, antiquado, namora Márcia há quatro anos e não quer ter relações sexuais com ela antes do casamento. Márcia aceita esta situação sem grandes elaborações psicológicas. Rapaz honesto e trabalhador, Walter parece ter diante de si uma bela carreira, porque conseguiu se tornar muito cedo um excelente profissional no campo da informática. Walter e Márcia se conheceram adolescentes, namoraram por uns três anos, ficaram noivos e estão de casamento marcado quando começa a nossa história. Vão passar a lua de mel num aprazível hotel-fazenda nos arredores do Rio. Márcia gosta do noivo e a única pessoa, em seu reduzido círculo de amizades, que não vê neste casamento um caminho certo para a felicidade é Taís, a jovem amiga com quem a madrinha de Márcia não simpatiza. Taís acha que Walter é indubitavelmente um com rapaz, apaixonado por sua amiga, mas tem certeza de que só isso não é suficiente para que Márcia seja feliz. Considera a protagonista muito infantil, desligada de valores essenciais para se tornar uma mulher realizada. Intui que Márcia não é realmente apaixonada pelo noivo, apenas aceitou a corte que lhe fez Walter por comodismo e total inexperiência. Porque, com efeito, Márcia pouquíssimo conhece da vida. Quando terminou os estudos de segundo grau e sentiu vontade de trabalhar, a madrinha Nanci logo lhe arrumou uma colocação numa creche. No trabalho, Márcia é a alegria das crianças, a quem dá muito carinho, divertindo—se como se fosse uma delas. Às vezes, este amor com crianças faz com que Márcia tenha vontade de estudar Pedagogia, mas Walter, seu noivo, a influencia tara que ela não se torne uma profissional. Se gosta de crianças, tem que ser antes de mais nada mãe de família, pelo menos enquanto tiverem filhos pequenos, para poder se dedicar integralmente à sua educação. Walter, o bom rapaz da rua, interessou-se por Márcia assim coe ela estava em idade de namorar, foi ele por vários anos sua companhia mais constante.

Quando a amiga Taís pergunta a Márcia, às vésperas do casamento, em nosso primeiro capitulo, se ela ama o noivo, Márcia, sempre muito honesta e pura, só sabe responder que gosta dele, sente—se protegida do seu lado, não imagina o que mais possa desejar uma mulher. Taís, apesar de jovem bastante vivida, sabe que uma mulher, com efeito, pode e deve desejar muito mais, e que Márcia vai fazer um casamento cômodo porque não conhece a vida, está-se deixando influenciar totalmente cor um noivo muito convencional. Uma atração irresistível de Felipe, o protagonista, por Márcia e o total desrespeito do grande cirurgião pelo “comum dos mortais” vão desencadear acontecimentos que provam que Taís estava mais do que certa. Em vez da pacata lua de mel de classe média que esperava Márcia, ela vai viver um drama com epílogo trágico e vai ser humilhada por Felipe de forma contundente. Desta humilhação, vai nascer uma nova Márcia, vingativa, amarga, decidida a concentrar todas as suas forças em destruir o grande cirurgião. Esta personagem rancorosa é quem desencadeia a história da novela.


Nanci (Ana Rosa)
45 anos. A típica carioca de subúrbio, viúva simpática que se dedicou totalmente a criar sua sobrinha Márcia e seus filhos Umberto e Beija-Flor (Guilherme). Viúva há poucos anos, trabalha como funcionária do Museu da Quinta da Boa Vista. Nanci é ingênua, pura, orgulhosa dos deliciosos pratos que faz para os almoços de domingo, muito distanciada do mundo sofisticado em que vive a maior marte de personagens de nossa narrativa. Vai se envolver bastante nos dramas da afilhada Márcia, a protagonista, e de seu filho Beija-Flor, um jovem candidato a marginal, herói de trama paralela em romance com Taís.

Judite (Yaçanã Martins)
37 anos. Colega de Nanci no Museu da Quinta da Boa Vista a vizinha no bairro, frequenta a casa de Nanci.

Umberto (Marcelo Serrado)
Filho de Nanci, primo da protagonista Márcia e irmão de Beija-Flor. Um bom rapaz. Apaixonado por música, e um bom pianista, dá aulas de piano em casa. Tem grandes dificuldades profissionais. Através dele, vamos tentar analisar a difícil do músico no Brasil. Durante uma certa fase, por não conseguir se sustentar como músico, vai ser garçom a exemplo de seu tio Darci. Umberto terá ligação romântica com a jovem Yara, do mundo dos ricos.

Darci (Antônio Grassi)
40 anos. Irmão de Nanci. Garçom profissional sem grandes ambições, bastante satisfeito com seu trabalho status. Ajudou a irmã a criar os sobrinhos. Vai ter uma ligação profissional com a personagem Olga, na casa de quem vai servir, em festas. Mais tarde, viverá um romance difícil com Ester, uma mulher mais velha do que ele. A dificuldade da relação não será a diferença de idades e sim a hierarquia social. Ester tem situação financeira superior à dele, Darci é um machão que não vai se conformar com a hipótese de sua namorada lhe pagar contas. Triângulo com a jovem Gilda, do núcleo dos moeres.

Beija-Flor (Guilherme) (Ângelo Antônio)
26 anos. Jovem bonitão, filho de Nanci, irmão de Umberto, primo da protagonista Márcia. Ambicioso, sonha com uma vida melhor. Um pouco preguiçoso, não tem a forca de vontade de seu irmão Umberto para vencer na vida. Através deste importantíssimo personagem de trama paralela, queremos colocar no ar a pergunta “como não ser marginal num Dais onde o salário mínimo e de cinquenta dólares por mês?” Beija-Flor e, na verdade, um fraco. Para se locomover do subúrbio onde mora ao centro do Rio, pratica o perigosíssimo jogo conhecido como surf ferroviário, quer dizer, viaja de pé sobre o trem em movimento, arriscando a vida. É frequentemente tentado pelo mundo da marginalidade, especialmente porque um colega de adolescência, Ladislau, nosso personagem bissexto, vai fazer uma carreira vertiginosa no mundo do crime. Desde o início, Ladislau estará sempre tentando levar Beija-Flor para o caminho do mal, inicialmente apenas para ajudar em pequenos furtos. Mas o crime não é a vocação de Beija-Flor.

Taís (Letícia Sabatella)
26 anos. Bonita, extremamente sensual, a melhor amiga de Márcia ao longo de toda a novela. As duas foram colegas desde meninas. No início do ginásio, Taís largou a escola para trabalhar, mas não consegue se fixar em emprego, revoltada contra as poucas chances da mulher pobre numa sociedade capitalista. No início da história, trabalha como bilheteira de um cinema da Praça Peña. Muito ambiciosa, sonhou desde pequena com o mundo dos ricos. Filha de Vicente, um motorista de praça vizinho de Márcia e Nanci em nossa rua de subúrbio, e Almerinda. Vicente foi pai um pouco tarde, psicologicamente é quase aquele avô carinhoso que sempre fez vista grossa para os defeitos da filha e suas eventuais falhas de caráter. Mimou-a bem mais do que necessário, não conseguiu ter qualquer tipo de autoridade sobre a filha nem lhe passar seus princípios morais. A mãe, Almerinda, é passiva. O resultado é que, quando começa a narrativa, Taís, a moça livre tão criticada pelas senhoras da rua, está mesmo começando uma carreira de garota de programa, a partir de encontros num inferninho de Copacabana, quando tem alguma necessidade financeira mais urgente. Taís vai ter uma grande paixão por Beija-Flor, o jovem candidato a marginal. A história de amor desses dois será nossa principal trama paralela. Juntos vão tentar rejeitar suas inclinações negativas para vencerem meio caminho do bem. Nenhum dos dois tem realmente má índole. Mas não vai ser fácil. Pelo amor de Beija-Flor, Taís vai se empregar como doméstica na casa de Olga. Ajudada por nossa alcoviteira, vai se transformar em neo-cortesã de alto gabarito e, no meio da novela, fazer um casamento de conveniência com o riquíssimo William e virar grã-fina - sempre assediada por Beija-Flor, o grande amor de sua vida.

Vicente (Cláudio Corrêa e Castro)
53 anos. Pai de Taís e Gilda, morador da rua de subúrbio onde residem nossos personagens piores. Motorista de praça cheio de problemas financeiros, dirige carro de frota, ganhando bem pouco. Um lutador, boa gente, meigo. Tem tendência a fantasiar um mouco a realidade, dizendo sempre que está tudo bem ou vai melhorar amanhã. Muito orgulhoso de suas filhas Gilda e Taís.

Almerinda (Beatriz Lyra)
48 anos. Mãe de Taís e Gilda, esposa de Vicente. Dona de casa de universo muito limitado, adora o marido e as filhas. Tem uma linda relação marido-mulher com Vicente, que ela sempre apoia em tudo, admira, ama.

Gilda (Betty Gofman)
24 anos. Irmã de Taís, filha de Vicente, boa moça, simpática, sem as pretensões a ascensão social da irmã. Secretária de Júlio na clínica de cirurgia plástica. Mais tarde, vai se apaixonar por Darci, fazendo triângulo amoroso com Ester, a mulher madura.

Terezinha (Tássia Camargo)
Sobrinha de Vicente, vem de Minas Gerais para enlouquecer os homens de Madureira. Com jeito expansivo, despojado e extremamente provocante, acaba por seduzir Júlio, por quem se interessa durante o casamento de Taís e Willian. Com o administrador, inicia um relacionamento clandestino muito divertido.

Walter (Tadeu Aguiar)
26 anos. Noivo de Márcia, a protagonista. Rapaz extremamente antiquado, convenceu a noiva a permanecer virgem até a noite de núpcias. Na verdade, é muito inseguro, ciumentíssimo, e só se casando com uma virgem acha que pode ter a garantia de que jamais será traído. Sério e estudioso, formou-se recentemente em informática. Funcionário querido da clínica de cirurgia plástica de Felipe, o protagonista, cuida de toda a manutenção dos computadores, bola novos programas, etc. Walter e Márcia estão de casamento marcado O primeiro capítulo. Casa montada com todo o conforto, no mesmo subúrbio do núcleo dos pobres. Talvez a obsessão de Walter em se casar com uma virgem venha do fato de - vamos descobrir mais tarde - ter sido ele, na adolescência, o primeiro homem da vida de Taís, que ele sabe estar enveredando por caminhos nada virtuosos. Walter é ingênuo, puro, e tem verdadeiro fascínio por seu chefe Felipe, o protagonista que despreza o comum dos mortais. Participação especial cara os primeiros capítulos.

Tabajara (Jece Valadão)
Pai de Walter e Xará, funcionário da Câmara dos Vereadores, situação financeira estável. Tem um grande orgulho do filho Walter e é em sua casa que vai se realizar, no segundo capítulo a festa de casamento de Walter e Márcia. Tabajara tem um caso com a vizinha Irene, bela negra que ele não assume, em parte cor causa do convencionalismo de seu filho Walter. Participação especial para os primeiros capítulos.

Xará (Alfredo) (Jorge Pontual)
24 anos. O outro filho de Tabajara. Nunca foi estudioso como o irmão Walter. Não para em emprego e, como Beija-Flor, vive tentado pelo mundo da marginalidade. Influenciado pelo vizinho boa praça, Darci, está tentando a profissão de garçom. Ao contrário do irmão Walter, acha perfeitamente natural que o pai se case com Irene, porque não tem preconceito de cor. Gosta de Taís, a jovem vizinha barra pesada do bairro.

Irene (Maria Helena Pader)
45 anos. Namorada de Tabajara, com quem sonha em se casar. Mora na mesma rua do núcleo dos pobres e trabalha como contadora autônoma. Entre as firmas de cuja contabilidade Irene se encarrega, está um inferninho de Copacabana onde Taís começa uma discreta carreira de garota de programas. Logo no início, após a morte de Walter, vai ter a grande realização de sua vida, casando-se com Tabajara. Mas o marido também vai morrer. Viúva, Irene vai morar com o enteado Xará, com quem se dá muito bem. Muito mais tarde, vai ter uma ligação afetiva com Altair, o marido de Constância, com quem vai acabar se casando.

Ladislau (Russo) (Tuca Andrada)
28 anos. Jovem vizinho do núcleo dos pobres, surge na novela como ladrão de carros, tentando atrair Beija-Flor e Xará para o seu grupo. Vai se transformar num marginal notório, cuja ascensão a novela vai acompanhar muito de longe. Não é um personagem constante em nossa história. Participação especial.

Celeste (Cristina Galvão)
30 anos. Irmã de Ladislau, participação especial.

Demais Personagens

Ester (Odete Lara)
48 anos. Bonita mulher, viúva, dona de uma chácara de plantas em Vargem Grande, perto de Jacarepaguá, mora com o irmão Lucas, com quem tem uma bonita ligação afetiva. Precisa fazer uma levíssima cirurgia plástica na clínica de nosso protagonista, que está tendo, no momento, terríveis problemas pessoais. Por negligência, Felipe é descuidado em seus exames pré-operatórios, o que quase leva Ester à morte, na segunda semana de nossa narrativa. Mais tarde, a protagonista Márcia vai fazer com que Ester denuncie este erro médico, um dos primeiros passos para a derrocada profissional do grande cirurgião. Na segunda parte da narrativa, Ester vai viver um difícil romance com Darci, o tio de Márcia, em triângulo com Gilda.


Lucas (Hugo Carvana)
55 anos. Marceneiro, irmão de Ester com tem se dá muito bem. Um homem extremamente charmoso, bom profissional, ganha muito bem a sua vida, trabalhando apenas para clientes com quem simpatiza. Nos anos 63, Ester e Luzas, de família burguesa, tiveram uma grande atração pelos valores difundidos pelo movimento hippie, rejeitaram a sociedade de consumo, chegaram a viver em comunidade, o que só será revelado na narrativa depois de um certo tempo. Cesta opção resultou a atual situação dos dois irmãos: pessoas totalmente desligadas do mar de futilidade em que vive a maior marte de nossos personagens. Aparentemente tosco, Lucas está, no entanto, muito longe de ser um simplório, podermos até chamá-lo de sofisticado, à sua moda. Um homem que optou por um individualismo saudável e pela simplicidade de vida, a aproximação à natureza. Não faz media com as pessoas com quem não simpatiza, diz sempre a verdade, só faz, na medida do possível, aquilo de que tem vontade. Gosta muito de música, especialmente clássica. Rejeita totalmente hipocrisia e frescura. Vai, no entanto, se apaixonar por Olga, que tem valores tão diferentes dos seus, e os dois vão viver uma difícil relação de amor.

Otávio (Paulo Gorgulho)
Diretor geral de um hospital de Barra Mansa, o cirurgião Otávio é sobrinho de Ester e Lucas. Deixa sua cidade para ir ao Rio buscar auxílio de um deputado, para conveniar a instituição em que trabalha. No entanto, ao passar pelo Alto da Boa Vista, debaixo de um forte temporal, acaba encontrando Herculano acidentado, após bater uma árvore. Realiza uma cirurgia de emergência no empresário, salvando-lhe a vida, e ganhando a gratidão de Stella e o desprezo de Márcia, com quem antipatiza de imediato. Ao longo da narrativa, no entanto, Otávio seduz Márcia, enquanto confunde a cabeça de Stella. Ao final, envolve-se com Yara, com quem se casa.

Participações

Beatriz (Mara Carvalho)
Amante que Felipe dispensa logo no início. Buscando uma vida de luxo, envolve-se com Herculano, que logo se enjoa da moça.

Camargo (Nelson Dantas)
Pai de Willian. Português milionário que morre durante estadia no Brasil, fazendo com que o filho venha pra cá e conheça Taís.

Derval (Chico Diaz)
Bandido da turma de Ladislau, que revela que Felipe aceitou operar o marginal mediante suborno.

Flávia Araripe (Cláudia Magno)
Amiga de ginástica de Stella, que se envolve com Felipe. Chega a morar em um apartamento montado por ele, que Stella descobre após a primeira armação de Márcia para desmoralizar o cirurgião.

Rubens (Dennis Carvalho)
Advogado que defende Felipe no processo para revogação da suspensa de sua licença médica. Por fim, se envolve com Márcia.

Sálvio (Ary Coslov)
Milionário com que Taís se relaciona, no início da novela. É dele que ela recebe o dinheiro para abrir a loja de pasteis. E também é através dele que Beija-Flor descobre que a namorada se prostitui.

Tavares (Paulo Figueiredo)
Advogado que defende Felipe durante o processo de divórcio do médico e de Stella.

Valdomiro (Jandir Ferrari)
Marginal que assalta o prédio de Olga e Constância; também do bando de Ladislau.

Valéria Renaud (Kate Lyra)
Atriz francesa que, por intermédio de Vanda, decide se submeter a um procedimento cirúrgico com Felipe, auxiliando o médico a recuperar seu prestígio.

Vanda (Lucinha Lins)
Colunista social especializada em salvar carreiras. Auxilia Felipe no momento em que ele se vê envolvido na cirurgia clandestina para mudar o rosto de Ladislau.

Adolfo (Ivan Cândido)
Hernandes (John Herbert)
Leila (Constância Lavíola)
Lopes Rezende (Milton Moraes)
Mariana (Betina Vianny)
Moraes (Tony Ferreira)
Odete (Patrícia Novaes)

E ainda
Alceu (Nildo Parente)
Fernando (Jairo Mattos)
Gustavo / Pinta (João Signorelli)
Ismael (Jairo Lourenço)
Jacira (Cristina Ribeiro)
Lauro (Paulo Rezende)
Maria Elisa (Ana Rosa Aboim)
Suzana (Cristina Montenegro)

Valdir (Aloísio de Abreu)