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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ESPECIAL

Tropicaliente parece, ao menos nas redes sociais, ser carta fora do baralho na enquete que irá decidir a próxima novela das 15h30. Concordo que, dentre as três concorrentes, esta seja a que menos apelo possui. Mas ainda assim, tem seu charme e merece voltar ao ar. Exibida em 1994, às 18h, Tropicaliente causava boa impressão com suas imagens do paradisíaco Ceará. Nem só de praia, no entanto, se fez a novela. Um bom elenco, encabeçado por Herson Capri, Sílvia Pfeifer e Regina Dourado; histórias que poderiam ser resumidas em duas linhas, mas que Walther Negrão, soube, habilmente, desenvolver; gratas revelações, como Carolina Dieckmann; e um vilãozinho de aterrorizar, Vitor Velásquez (Selton Mello). Figuras simpáticas como a de Franchico (Cássio Gabus Mendes), Gaspar (Francisco Cuoco), Adrenalina (Natália Lage) e Manuela (Cinira Camargo) deram o tom dessa novela ensolarada, que, embora não tenha ido bem em seu primeiro repeteco, merece uma nova oportunidade. E para convencer você a votar em Tropicaliente, o Vivo no Viva convocou nosso parceiro de longa data, Fábio Costa. É contigo, Fábio!
Fábio Costa foi, pode-se assim dizer, um dos primeiros amigos novelo-virtuais que fiz. Tão jovem quanto eu e tão interessado em novelas quanto eu, Fábio era tratado como referência em antigas comunidades do Orkut. Foi lá que nasceu nossa amizade, em uma conversa sobre a icônica Roda de Fogo, de Lauro César Muniz. E, coincidentemente hoje, Fábio estará à frente, representando a Editora Giostri, do lançamento do box “Obras completas de Lauro César Muniz”, que leva ao público os 16 textos teatrais que constituem a obra do autor. Apesar do compromisso com sua atividade profissional, Fábio encontrou tempo e atendeu ao pedido do blog: defender a zebra Tropicaliente aqui no #Team. Obrigado, Fábio, e sucesso, sempre!

#TeamTropicaliente
por Fábio Costa

Dentre as três novelas que concorrem à vaga atualmente ocupada por História de Amor nas reprises do canal Viva, Tropicaliente, de Walther Negrão, é a mais recente (foi ao ar em 1994) e, talvez, a menos desejada por boa parcela do público que rejeitou (em duas ocasiões) a reapresentação do remake de Pecado Capital (1998/99) e prefere produções mais antigas e marcantes.

Escrita pelo mesmo autor de Despedida de Solteiro (1992/93), que também concorre, e sem qualquer pretensão revolucionária tal qual sua “irmã”, Tropicaliente foi uma grande vitrine das belezas naturais do Ceará, cenário para o romance entre Ramiro Suarez (Herson Capri), um humilde pescador, e Letícia Velásquez (Sílvia Pfeifer), requintada, culta, de família rica, filha do empresário Gaspar Velásquez (Francisco Cuoco).

Os dois não puderam se casar e cada um foi para o seu lado, embora o sentimento não tenha deixado de existir. Letícia se casou com Jordí (Jonas Bloch), pai de seus filhos Vítor (Selton Mello), típico rebelde sem causa, e Amanda (Paloma Duarte). Ramiro se uniu a Serena (Regina Dourado) e com ela teve Cassiano (Márcio Garcia) e Açucena (Carolina Dieckmann).

Letícia volta a Fortaleza depois de anos afastada, viúva, e reencontra Ramiro. Isso prejudica as intenções do arquiteto François (Victor Fasano), que pretende se casar com ela. Ainda, as duas famílias se entrelaçam também graças ao romance que surge entre Vítor e Açucena. Vítor é um rapaz perturbado, afetado pela ausência do pai, por cuja morte acusa Letícia.

Cassiano, o filho mais velho de Ramiro e Serena, namora Dalila (Carla Marins), a bela filha de Samuel (Stenio Garcia) e Ester (Ana Rosa). Samuel é grande amigo de Ramiro e seu companheiro nas lutas pelos direitos dos pescadores da aldeia em que moram. Tem com Ester um filho, Davi (Delano Avelar), que trabalha na empresa dos Velásquez e tem vergonha de sua origem pobre. Em seu desejo de ascender socialmente ele fica noivo de Olívia (Leila Lopes), filha de Bonfim (Edney Giovenazzi), amigo de Gaspar, e Isabel (Lúcia Alves), típica perua, de bom coração e tiradas ótimas sobre tudo e todos.

Em meio a esses personagens encontramos uma das melhores figuras da história: Franchico (Cássio Gabus Mendes), um rapaz meio malandro, espertalhão, que não sabe bem de onde veio nem o que pretende, e se infiltra entre ricos e pobres. É ele, por exemplo, que ajuda François em seu romance com Letícia, bem como se aproxima de Gaspar para encontrar um jeito de vencer na vida sem fazer força.

Produzida num momento em que a dramaturgia global buscava outros cenários para suas tramas além do eixo Rio-São Paulo – Sonho Meu (1993/94), de Marcílio Moraes e Lauro César Muniz, sucesso que a antecedeu no horário, se passava em Curitiba –, Tropicaliente incentivou o turismo no Ceará a ponto de lotar os hotéis durante os chamados meses de baixa temporada.

Em especial, é compreensível que muitos telespectadores que desejem rever Tropicaliente pensem assim por ser esta uma novela que evoca a infância da geração que hoje gira em torno dos 30 anos. As novelas das seis marcam a memória afetiva porque em geral eram as que assistíamos ao chegar da escola ou das brincadeiras na rua com os amigos, têm um gosto de infância, e esta é uma época na qual em geral não temos o senso crítico que se apura com a idade. É meu caso pessoal, por exemplo; na época da novela eu contava apenas sete anos.

Acho que “vale a pena ver de novo” Tropicaliente – para aproveitar o nome da sessão de reprises da “mãe” do Viva – para apreciar o ótimo trabalho de Regina Dourado como Serena, protagonista da história ao lado de Herson Capri e Sílvia Pfeifer; a beleza desta, que melhorou como atriz a cada trabalho; o Franchico de Cássio Gabus Mendes e sua irmã Adrenalina (Natália Lage), em sua amizade com o filho de Bonfim e Isabel, Pessoa (Guga Coelho), embalados por Chico Science & Nação Zumbi com “A Praieira”; os mistérios guardados pelo velho pescador Bujarrona (Nelson Dantas); a trama folhetinesca irresistível que envolve Davi, Dalila, Samuel e Ester; ver jovenzinhas em início de carreira as futuras Jade e Maysa (de O Clone), Giovanna Antonelli e Daniela Escobar; a participação destacada de Cleyde Blota do meio para o fim da novela; o veterano Francisco Cuoco num papel interessante, de esteio da família e dos negócios, ao mesmo tempo em que não abria mão de aproveitar a vida.

Não foi exatamente uma novela marcante, que tenha se tornado clássica. Motivos para rever Tropicaliente são buscados mais em carinho pessoal, memória afetiva mesmo, do que em justificativas calcadas na história da teledramaturgia, e seu lamentável esticamento – fase em que o casal Ramiro e Letícia resolve viver junto, numa cabana na praia – prejudicou muito o saldo final. Mas nem só de clássicos vive a teledramaturgia, assim como nem só de clássicos deve viver um canal como o Viva.

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Leia mais sobre Tropicaliente, no blog Agora é Que São Eles. Clique aqui!

sábado, 13 de setembro de 2014

ESPECIAL

“Adeus muchachos; companheiros desta vida. Adeus amigos; meus camaradas! Já chega o tempo de empreender a retirada; chegou o dia do adeus, rapaziada!”. O bolero de Gardel, “abrasileirado” por nomes como Francisco Alves, dá o tom de Despedida de Solteiro. Um rapaz, prestes a se casar, se despede das farras com moçoilas de vida fácil, ao lado de três amigos. Mas um crime o impede de subir ao altar e sua vida, bem como a de seus companheiros, muda radicalmente após sete anos na prisão, pagando por um crime que não cometeu. Com esse mote, Walther Negrão desenvolveu uma de suas melhores novelas e conquistou uma das maiores audiências do horário das 18h nos anos 90. Negrão, infelizmente, não pode nos conceder uma entrevista sobre a trama, esta semana. Mas se comprometeu a fazê-lo nos próximos dias e, com Despedida de Solteiro vencendo a enquete ou não, disponibilizaremos aos nossos leitores tal conteúdo. Por outro lado, temos o excelente texto de Thiago Henrick, parceiro do nosso blog, sobre a novela. Votantes em Despedida de Solteiro ou indecisos, não deixem de conferir!
Thiago Henrick conhece o cenário musical brasileiro (e internacional) como ninguém. Mas o que me fez amigo deste advogado de 32 anos foi outra de suas paixões: as novelas. E mal sabia que, assim como eu, Thiago acompanhou Despedida de Solteiro assiduamente. Ao publicar sobre a enquete do Viva em minha página no Facebook, TH foi o primeiro a se manifestar: votaria em Despedida. E para entender os motivos pelos quais ele escolheu a trama de Walther Negrão, convidei esse querido amigo para participar desta seção do blog. TH, muito obrigado por ter aceitado, pelo excelente texto e pela amizade de sempre. Segue a defesa do nosso brilhante advogado em favor de Despedida de Solteiro!

#TeamDespedidaDeSolteiro
por Thiago Henrick

Novela de Walter Negrão de 1992, feita às pressas para suprir o adiamento de Mulheres de Areia, em decorrência da gravidez de Glória Pires. Ivani havia sido taxativa: “Sem Glória, eu não faço”.

A exemplo de Pecado Capital de 1975, também feita na correria, com reaproveitamento do elenco que estaria em Roque Santeiro (que foi censurada naquele ano) e se tornou um clássico absoluto do mundo das novelas, Despedida de Solteiro foi uma produção bem caprichada (até por ter sido feita a toque de caixa), e é, de longe, uma das novelas mais inspiradas de Negrão.

Um crime afeta a vida de quatro jovens, julgados e condenados por ele. Porém, eles não tiveram culpa: tudo fazia parte de um plano do diabólico Sérgio Santarém (Marcos Paulo, em atuação excelente). Com a condenação dos quatro, as histórias de seus familiares tomam rumos inesperados na cidade de Remanso. A noiva de João Marcos (Felipe Camargo), Lenita (Tássia Camargo), une-se ao mandante do crime, Sérgio Santarém, julgando ser João realmente culpado. Xampu (João Vitti), outro dos jovens condenados, não resiste e morre na prisão, prejudicando o romance entre seu colega de condenação Pedro (Paulo Gorgulho) e sua irmã Flávia (Lúcia Veríssimo). E Paschoal (Eduardo Galvão), o quarto jovem condenado, mal sabe que sua irmã Marta (Lucinha Lins) se viu em grandes apuros após sua prisão, tendo que inclusive abandonar seu filho recém-nascido para assumir os negócios da família.

A simplicidade da trama me encantou. A cidade fictícia de Remanso era acolhedora, cheia de moradores “comuns”, com anseios e receios típicos das pessoas interioranas.  Lembro também que Despedida tinha ganchos bem delineados e foi muito além do crime que traçava sua espinha dorsal, dando espaço para que o elemento humano fosse bem atuante na história.

Foi uma novela agradabilíssima, despretensiosa em termos de inovação ou audiência, mas comprometida com o interesse do público, que se manteve até o fim. Eu lembro que a trama da Lucinha Lins era a que mais me prendia. Senti a dor daquela mãe que teve que abandonar o filho, adotado pelo bonachão Vitório (Elias Gleizer), que virou logo aquele avozão amigo da criançada. Todas as crianças da época (e eu era mais uma) queriam ter um avô querido como ele.

Ana Rosa fez a, na minha opinião, melhor personagem feminina da novela. Soraya era interesseira, tinha pinta de madame, queria uma vida melhor e criticava a que levava seu marido, Cirineo (Mauro Mendonça), um mecânico simpático que tinha a companhia de sua filha Nina (Helena Ranaldi, estreando na Globo), que “pegava no pesado” como o pai. Já Soraya tinha, ao seu lado, a outra filha, Bianca (Rita Guedes, também estreando), mimada e fútil como ela.

As mocinhas da trama ficaram a cargo de Tássia Camargo (Lenita) e Lúcia Veríssimo (Flávia); seus respectivos mocinhos eram João Marcos (Felipe Camargo) e Pedro (Paulo Gorgulho). Apesar de o antagonista maior ser Sérgio Santarém (Marcos Paulo), apaixonado por Lenita, eu considero como casal principal da novela Pedro e Flávia. As pessoas torciam cotidianamente por ambos.


Despedida está longe de ser uma novela emblemática ou marcante em termos de teledramaturgia, mas dentre as três novelas que concorrem à reprise no Viva, é a mais agradável, sem dúvidas. Ela seguirá a “simplicidade especial” apresentada em História de Amor e certamente não fará a audiência do canal a cabo declinar. E ainda será uma ótima oportunidade para apresentar essa história tão encantadora a quem não teve oportunidade de vê-la. É meu voto!

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Leia mais sobre Despedida de Solteiro, em um texto de minha autoria, no blog Zappiando, de Paulo Ricardo Diniz. Clique aqui!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

ESPECIAL

Causou surpresa a presença de Lua Cheia de Amor na enquete que irá decidir a nova reprise do Canal Viva. Exibida entre dezembro de 1990 e julho de 1991, a novela chamou a atenção da audiência, mas não foi um estouro como outras produções das 19h. Os que acompanharam a trama, naquela época, lembram-se dela com saudade. Tanto pelo arrivismo de Mercedes (Isabela Garcia), como pelo recalque da maldosa Emília (Bete Mendes); pela elegância de Laís Souto Maia (Susana Vieira) ou a cleptomania de Isabela (Drica Moraes). Quem ouve falar de Lua Cheia de Amor se recorda que a novela era protagonizada por Marília Pêra, com sua Genuína Miranda, pobre de conhecimento e rica de caráter. Mas sente saudades mesmo é da translumbrante Kika Jordão (Arlete Salles), louca para adentrar “as portas douradas” da alta sociedade! É sobre todos esses destaques de Lua Cheia de Amor que falamos hoje. Para começar, uma entrevista com Ricardo Linhares, um dos autores da trama, e em seguida a opinião de um dos membros do #TeamLuaCheiaDeAmor, nosso querido amigo Wesley Vieira. Confiram!

Ricardo Linhares

Ricardo Linhares iniciou sua carreira na TV Globo com o Caso Verdade. Em seguida, integrou a equipe de roteiristas do Viva o Gordo (que retorna hoje ao Canal Viva) e do Teletema, que seguia o formato do Caso Verdade. Sua estreia nas novelas da casa foi como colaborador de Aguinaldo Silva, em O Outro (1987). No ano seguinte, esteve com Walther Negrão em Fera Radical. E após Tieta, novamente com Aguinaldo Silva e também com Ana Maria Moretzsohn, passou a autor-titular com Lua Cheia de Amor, tema dessa breve entrevista. No Viva, já podemos ver seu texto em O Tempo e o Vento e Anos Rebeldes, minisséries nas quais atuou como colaborador. Envolvido atualmente com os primeiros capítulos de Babilônia, seu próximo trabalho, às 21h, Ricardo cedeu o seu tempo para nos brindar com suas lembranças de Lua Cheia de Amor. Agradecemos sua gentileza e simpatia, e deixamos vocês, leitores, com a entrevista.

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- Você declarou em entrevista ao blog Eu Prefiro Melão, em 08 de dezembro de 2012: “Infelizmente, a minha novela (Lua Cheia de Amor) não pode ser reprisada, apesar dos inúmeros pedidos dos espectadores, por uma questão jurídica envolvendo os direitos dos herdeiros de Pedro Bloch”. Essas questões foram sanadas? De que forma o Viva conseguiu a liberação para exibir a novela, caso ela seja a vencedora da enquete? Quais lembranças guarda desta sua primeira incursão às 19h?

Esse tipo de negociação não passa pelos autores da novela. Em termos jurídicos, nem sei quais diferenças existem entre uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo e no canal Viva. Eu estou tão agradavelmente surpreso quanto os fãs da obra.

Sessão da Tarde, seu passatempo preferido na adolescência:
os jovens dos anos 90 assistiam à Lua Cheia de Amor.
Na época em que Lua Cheia de Amor foi ao ar, os adolescentes assistiam às novelas – ao contrário de hoje em dia, quando há tantas opções que a telenovela não ocupa mais uma posição de destaque entre os afazeres da garotada no dia a dia. Quando eu era jovem, por exemplo, assistir à Sessão da Tarde era um dos meus programas prediletos. Hoje, os filmes não causam mais o mesmo impacto na TV, pois estão disponíveis em diversas mídias. Lua Cheia de Amor fez muito sucesso entre os jovens de então, e acho que faz parte da memória afetiva de uma geração, hoje por volta dos 40 anos. Assistir à reprise é como uma doce volta a outros tempos. É como revisitar parentes distantes, com quem a pessoa perdeu contato, mas que continuam importantes e queridos na lembrança.


- Lua Cheia de Amor sela o início de sua parceria com Gilberto Braga, com quem você viria a colaborar, ainda em 1991, em O Dono do Mundo e, posteriormente, em inúmeros outros trabalhos juntos. Como essa amizade e a afinidade profissional de vocês se intensificou ao longo desses 24 anos que separam Lua Cheia de Amor de Babilônia, próximo trabalho de vocês, e o que podemos esperar dessa nova novela?

Com João Ximenes Braga e Gilberto Braga, seus parceiros de jornada
em Babilônia, próxima novela das 21h.
A novela me marcou de diversas maneiras. Foi um trabalho muito importante na minha parceria com Ana Maria Moretzsohn, com quem eu havia, juntamente com Aguinaldo Silva, assinado Tieta, um ano antes. Depois, nós escreveríamos juntos diversas outras histórias. Tornou-se uma parceria e uma amizade para toda a vida. E foi o primeiro, e infelizmente único até hoje, encontro profissional com a minha querida Maria Carmem Barbosa.

Lua Cheia de Amor foi uma novela escrita por três autores, com a supervisão de Gilberto Braga, livremente inspirada na peça Dona Xepa, de Pedro Bloch, e na novela homônima escrita por Gilberto. Como todo momento feliz na vida da gente, rendeu saborosos frutos, que perduram até hoje. Um deles foi o fortalecimento dos meus laços profissionais com Gilberto. Na verdade, mais ou menos nessa mesma época, eu já estava colaborando com ele na primeira versão da minissérie Anos Rebeldes, que foi interrompida e retomada posteriormente. Além de ser um dos dramaturgos mais importantes da história da TV brasileira, Gilberto virou um amigo de todas as horas, companheiro profissional de tantos anos. Novelas vão e vêm, mas a amizade permanece. E o que eu mais me orgulho da época de Lua Cheia de Amor é a minha amizade duradoura com Gilberto e Ana Maria.

Agora, eu, Gilberto e João Ximenes Braga estamos escrevendo Babilônia, que está prevista para estrear em março de 2015, após o carnaval. Com direção geral de Dennis Carvalho e Maria de Médicis. Estrelada por Glória Pires, Adriana Esteves e Camila Pitanga, a novela abordará a vida de três mulheres fortes e ambiciosas.


Susana Vieira, belíssima como Laís Souto Maia:
mais uma prova do talento da atriz.
- Por que Ricardo Linhares gostaria que o público votasse em Lua Cheia de Amor para ser reprisada no Canal Viva? Quais os bons motivos que o público terá para ver, ou rever, a trama?

São tantos motivos... Rever a translumbrante Kika Jordão (Arlete Salles), a chique Laís Souto Maia (Suzana Vieira), Marília Pera (a camelô Genuína) em estado de graça, Isabela e Maurício lindos, talentosos e novinhos... Reapresentar novelas antigas, e ainda em bom estado de conservação, como Lua Cheia de Amor, reforçam a vocação do Viva como a casa dos sonhos dos fãs da TV brasileira.
Conheci Wesley Vieira em uma das (e não me recordo qual) comunidades sobre teledramaturgia do agora praticamente extinto Orkut. Wesley reside em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, onde atua como editor-chefe na revista Olhaí. Sempre soube que ele era um apaixonado por teledramaturgia, mas só descobri seu apego por Lua Cheia de Amor no blog Eu Prefiro Melão, para o qual o jornalista escreveu um texto rememorando a novela. Hoje, Wesley vai em busca, novamente, de suas lembranças da novela, pra trazer ao leitor maiores informações sobre a trama e convencer os indecisos a votarem em uma de suas novelas preferidas. Obrigado, Wesley, pelo ótimo texto e por sua participação no Vivo no Viva.

#TeamLuaCheiaDeAmor
por Wesley Vieira

Por que Lua Cheia de Amor merece ganhar uma reprise no Canal Viva?
1 – Nunca foi reprisada (não clamam tanto por novelas nunca reprisadas? Taí!).
2 – É a mais antiga (se Lua Cheia de Amor vencer, vai comprovar, de fato, o que a audiência do Viva quer: novelas antigas more and more, please!).
3 – Movimentada e divertida (nada melhor do que uma respirada, após assistir a densa O Dono do Mundo e a romântica e soturna A Viagem).
4 – Tem Arlete Salles como Kika Jordão – o grande papel de sua vida. Inesquecível!
5 – Justiça seja feita, Marília Pêra, apesar do exagero, também fez uma Genuína com dignidade. Sua personagem é divertida e humana.
6 – Tem uma trilha sonora deliciosa (imagina, New Kids On The Block tocando para Susana Vieira).
7 – Aliás, Susana Vieira também esteve impecável. Sua personagem, Laís Souto Maia, era deliciosa.
8 – Tá, ok, Lua Cheia de Amor não foi um grande sucesso e nem teve uma grande repercussão (nem de longe foi um fracasso), mas se ela voltar no Viva, será uma oportunidade de fugir das obviedades que já foram reprisadas na Globo. Essa pode ser a chave para novelas como Bambolê ou O Sexo dos Anjos ganharem uma reprise. Let´s Go!
9 – Quem sabe, agora, como obra fechada, Lua Cheia de Amor não ganhe um novo olhar em sua trajetória. Porque há novelas que envelhecem bem. Há sucessos que envelhecem mal. Em qual dessas categorias, essa novela se encaixa?
10 – Isabela Garcia fazia uma mocinha bem ordinária. Vale a pena acompanhar a história de Mercedes, jovem que queria arranjar um marido rico, mas renegava um grande amor, justamente por achar que ele era pobre.

Bom, há outros motivos para listar a volta de Lua Cheia de Amor, novela que nem mesmo um dos autores, Ricardo Linhares, acreditava numa possível volta, justamente por questões de direitos autorais com a família de Pedro Bloch. Foi uma agradável surpresa tê-la nessa lista.

Genú, a dona da muamba... La La Miranda...
Apesar de Kika Jordão ter se tornado a marca dessa novela (aconteceu com várias outras tramas que também tiveram personagens secundários mais relevantes que os protagonistas), Genuína Miranda, mais conhecida como Genú, foi uma personagem divertida. “Vem chegando, minha gente, que já tá ficando quente... Compra madame, na minha barraca, panela bem útil e bem mais barata...” – bradava ela, em sua barraca. A dona Xepa, que era feirante na história original, virou Genú, a mulher que perdeu sua loja por conta dos desatinos do marido viciado em mesas de jogos. Muito honesta e batalhadora, Genú pegou a mercadoria que restou da loja e foi para rua vender panelas e outros objetos. Virou “a dona da muamba”, tal como exemplificado na divertida música-tema de abertura, “La Miranda” cantada magnificamente por Rita Lee.

Sobre a história
Genú é uma daquelas heroínas de novela bem simplória, quase sem instrução, mas muito sábia e generosa. Filha de mãe espanhola com pai brasileiro, ela foi muito maltratada pela vida e sem o apoio do marido, criou os dois filhos sozinha. Seu sonho é reencontrar Diego, que volta após 15 anos de sumiço sob a alcunha de Esteban Garcia (Francisco Cuoco). Mulherengo e amoral, Diego se envolve com várias mulheres deixando Genú cada vez mais desiludida com seu retorno. Seu filho, Rodrigo (Roberto Bataglin) namora a jovem Flávia (Renata Lavíola) e se sente na obrigação de casar com ela após a morte do sogro. No entanto, ele conhece a rica empresária Rutinha (Sylvia Bandeira) e desiste do casamento.  Mercedes (Isabela Garcia), a filha caçula, tem um pouco de vergonha do jeito pobre da mãe e a esnoba. Romântica na medida certa, seu sonho é encontrar um bom partido, mas como os corações são bastante insensatos, ela se apaixona por Augusto (Maurício Mattar) e o rejeita por achar que ele é apenas um pobre motorista de táxi que foi morar na mesma vila onde ela vive. Ledo engano. O rapaz idealista e independente é herdeiro de uma das maiores agências de publicidade do Brasil. Filho de Conrado (Cláudio Cavalcanti) e da sofisticada Laís (Susana Vieira), ele não liga para o dinheiro da família e seu sonho é montar o próprio negócio tendo suas ideias revolucionárias como característica.

A trilha sonora
Aliás, os desencontros entre Augusto e Mercedes eram pontuados pela linda “Heal The Pain” do astro George Michael. As trilhas sonoras eram recheadas de grandes sucessos dos anos 90 como “Só Você Vai Me Fazer Feliz (Can't Help Falling In Love)”, do Julio Iglesias; “Luz da Lua (Prendi La Luna)” na voz da espanhola Ana Belén, “You Gotta Love Someone”, do britânico Elton John; “I’m Free” do The Soup Dragons e a velha boy-band New Kids On The Block com “Let’s Try Again”. Lembro perfeitamente das inúmeras vezes que a propaganda da trilha internacional era veiculada e meu desejo era ter o disco da novela. Foram preciso 10 anos para conseguir o tão sonhado disco, ou melhor, o CD com as ótimas músicas.

Outros Personagens
Mas Lua Cheia de Amor também tinha outros personagens interessantes como a recalcada Emília (Bete Mendes), a “boca de aratanha” que teve um caso com Diego e vivia às turras com a vizinha Genú. Wagner (Mário Gomes) era o vilão da história e sua meta era roubar a agência de publicidade de Conrado. Além disso, ele vivia infernizando a vida da esposa Isabela (Drica Moraes), a filha cleptomaníaca de Laís. A ricaça Rutinha também foi outro destaque da história.

Então, bora votar em #LuaCheiadeAmorNoViva?

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Leia mais sobre Lua Cheia de Amor, em um texto de Guilherme Staush, no blog Memória da TV. Clique aqui!