sábado, 13 de setembro de 2014

ESPECIAL

“Adeus muchachos; companheiros desta vida. Adeus amigos; meus camaradas! Já chega o tempo de empreender a retirada; chegou o dia do adeus, rapaziada!”. O bolero de Gardel, “abrasileirado” por nomes como Francisco Alves, dá o tom de Despedida de Solteiro. Um rapaz, prestes a se casar, se despede das farras com moçoilas de vida fácil, ao lado de três amigos. Mas um crime o impede de subir ao altar e sua vida, bem como a de seus companheiros, muda radicalmente após sete anos na prisão, pagando por um crime que não cometeu. Com esse mote, Walther Negrão desenvolveu uma de suas melhores novelas e conquistou uma das maiores audiências do horário das 18h nos anos 90. Negrão, infelizmente, não pode nos conceder uma entrevista sobre a trama, esta semana. Mas se comprometeu a fazê-lo nos próximos dias e, com Despedida de Solteiro vencendo a enquete ou não, disponibilizaremos aos nossos leitores tal conteúdo. Por outro lado, temos o excelente texto de Thiago Henrick, parceiro do nosso blog, sobre a novela. Votantes em Despedida de Solteiro ou indecisos, não deixem de conferir!
Thiago Henrick conhece o cenário musical brasileiro (e internacional) como ninguém. Mas o que me fez amigo deste advogado de 32 anos foi outra de suas paixões: as novelas. E mal sabia que, assim como eu, Thiago acompanhou Despedida de Solteiro assiduamente. Ao publicar sobre a enquete do Viva em minha página no Facebook, TH foi o primeiro a se manifestar: votaria em Despedida. E para entender os motivos pelos quais ele escolheu a trama de Walther Negrão, convidei esse querido amigo para participar desta seção do blog. TH, muito obrigado por ter aceitado, pelo excelente texto e pela amizade de sempre. Segue a defesa do nosso brilhante advogado em favor de Despedida de Solteiro!

#TeamDespedidaDeSolteiro
por Thiago Henrick

Novela de Walter Negrão de 1992, feita às pressas para suprir o adiamento de Mulheres de Areia, em decorrência da gravidez de Glória Pires. Ivani havia sido taxativa: “Sem Glória, eu não faço”.

A exemplo de Pecado Capital de 1975, também feita na correria, com reaproveitamento do elenco que estaria em Roque Santeiro (que foi censurada naquele ano) e se tornou um clássico absoluto do mundo das novelas, Despedida de Solteiro foi uma produção bem caprichada (até por ter sido feita a toque de caixa), e é, de longe, uma das novelas mais inspiradas de Negrão.

Um crime afeta a vida de quatro jovens, julgados e condenados por ele. Porém, eles não tiveram culpa: tudo fazia parte de um plano do diabólico Sérgio Santarém (Marcos Paulo, em atuação excelente). Com a condenação dos quatro, as histórias de seus familiares tomam rumos inesperados na cidade de Remanso. A noiva de João Marcos (Felipe Camargo), Lenita (Tássia Camargo), une-se ao mandante do crime, Sérgio Santarém, julgando ser João realmente culpado. Xampu (João Vitti), outro dos jovens condenados, não resiste e morre na prisão, prejudicando o romance entre seu colega de condenação Pedro (Paulo Gorgulho) e sua irmã Flávia (Lúcia Veríssimo). E Paschoal (Eduardo Galvão), o quarto jovem condenado, mal sabe que sua irmã Marta (Lucinha Lins) se viu em grandes apuros após sua prisão, tendo que inclusive abandonar seu filho recém-nascido para assumir os negócios da família.

A simplicidade da trama me encantou. A cidade fictícia de Remanso era acolhedora, cheia de moradores “comuns”, com anseios e receios típicos das pessoas interioranas.  Lembro também que Despedida tinha ganchos bem delineados e foi muito além do crime que traçava sua espinha dorsal, dando espaço para que o elemento humano fosse bem atuante na história.

Foi uma novela agradabilíssima, despretensiosa em termos de inovação ou audiência, mas comprometida com o interesse do público, que se manteve até o fim. Eu lembro que a trama da Lucinha Lins era a que mais me prendia. Senti a dor daquela mãe que teve que abandonar o filho, adotado pelo bonachão Vitório (Elias Gleizer), que virou logo aquele avozão amigo da criançada. Todas as crianças da época (e eu era mais uma) queriam ter um avô querido como ele.

Ana Rosa fez a, na minha opinião, melhor personagem feminina da novela. Soraya era interesseira, tinha pinta de madame, queria uma vida melhor e criticava a que levava seu marido, Cirineo (Mauro Mendonça), um mecânico simpático que tinha a companhia de sua filha Nina (Helena Ranaldi, estreando na Globo), que “pegava no pesado” como o pai. Já Soraya tinha, ao seu lado, a outra filha, Bianca (Rita Guedes, também estreando), mimada e fútil como ela.

As mocinhas da trama ficaram a cargo de Tássia Camargo (Lenita) e Lúcia Veríssimo (Flávia); seus respectivos mocinhos eram João Marcos (Felipe Camargo) e Pedro (Paulo Gorgulho). Apesar de o antagonista maior ser Sérgio Santarém (Marcos Paulo), apaixonado por Lenita, eu considero como casal principal da novela Pedro e Flávia. As pessoas torciam cotidianamente por ambos.


Despedida está longe de ser uma novela emblemática ou marcante em termos de teledramaturgia, mas dentre as três novelas que concorrem à reprise no Viva, é a mais agradável, sem dúvidas. Ela seguirá a “simplicidade especial” apresentada em História de Amor e certamente não fará a audiência do canal a cabo declinar. E ainda será uma ótima oportunidade para apresentar essa história tão encantadora a quem não teve oportunidade de vê-la. É meu voto!

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Leia mais sobre Despedida de Solteiro, em um texto de minha autoria, no blog Zappiando, de Paulo Ricardo Diniz. Clique aqui!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

ESPECIAL

Causou surpresa a presença de Lua Cheia de Amor na enquete que irá decidir a nova reprise do Canal Viva. Exibida entre dezembro de 1990 e julho de 1991, a novela chamou a atenção da audiência, mas não foi um estouro como outras produções das 19h. Os que acompanharam a trama, naquela época, lembram-se dela com saudade. Tanto pelo arrivismo de Mercedes (Isabela Garcia), como pelo recalque da maldosa Emília (Bete Mendes); pela elegância de Laís Souto Maia (Susana Vieira) ou a cleptomania de Isabela (Drica Moraes). Quem ouve falar de Lua Cheia de Amor se recorda que a novela era protagonizada por Marília Pêra, com sua Genuína Miranda, pobre de conhecimento e rica de caráter. Mas sente saudades mesmo é da translumbrante Kika Jordão (Arlete Salles), louca para adentrar “as portas douradas” da alta sociedade! É sobre todos esses destaques de Lua Cheia de Amor que falamos hoje. Para começar, uma entrevista com Ricardo Linhares, um dos autores da trama, e em seguida a opinião de um dos membros do #TeamLuaCheiaDeAmor, nosso querido amigo Wesley Vieira. Confiram!

Ricardo Linhares

Ricardo Linhares iniciou sua carreira na TV Globo com o Caso Verdade. Em seguida, integrou a equipe de roteiristas do Viva o Gordo (que retorna hoje ao Canal Viva) e do Teletema, que seguia o formato do Caso Verdade. Sua estreia nas novelas da casa foi como colaborador de Aguinaldo Silva, em O Outro (1987). No ano seguinte, esteve com Walther Negrão em Fera Radical. E após Tieta, novamente com Aguinaldo Silva e também com Ana Maria Moretzsohn, passou a autor-titular com Lua Cheia de Amor, tema dessa breve entrevista. No Viva, já podemos ver seu texto em O Tempo e o Vento e Anos Rebeldes, minisséries nas quais atuou como colaborador. Envolvido atualmente com os primeiros capítulos de Babilônia, seu próximo trabalho, às 21h, Ricardo cedeu o seu tempo para nos brindar com suas lembranças de Lua Cheia de Amor. Agradecemos sua gentileza e simpatia, e deixamos vocês, leitores, com a entrevista.

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- Você declarou em entrevista ao blog Eu Prefiro Melão, em 08 de dezembro de 2012: “Infelizmente, a minha novela (Lua Cheia de Amor) não pode ser reprisada, apesar dos inúmeros pedidos dos espectadores, por uma questão jurídica envolvendo os direitos dos herdeiros de Pedro Bloch”. Essas questões foram sanadas? De que forma o Viva conseguiu a liberação para exibir a novela, caso ela seja a vencedora da enquete? Quais lembranças guarda desta sua primeira incursão às 19h?

Esse tipo de negociação não passa pelos autores da novela. Em termos jurídicos, nem sei quais diferenças existem entre uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo e no canal Viva. Eu estou tão agradavelmente surpreso quanto os fãs da obra.

Sessão da Tarde, seu passatempo preferido na adolescência:
os jovens dos anos 90 assistiam à Lua Cheia de Amor.
Na época em que Lua Cheia de Amor foi ao ar, os adolescentes assistiam às novelas – ao contrário de hoje em dia, quando há tantas opções que a telenovela não ocupa mais uma posição de destaque entre os afazeres da garotada no dia a dia. Quando eu era jovem, por exemplo, assistir à Sessão da Tarde era um dos meus programas prediletos. Hoje, os filmes não causam mais o mesmo impacto na TV, pois estão disponíveis em diversas mídias. Lua Cheia de Amor fez muito sucesso entre os jovens de então, e acho que faz parte da memória afetiva de uma geração, hoje por volta dos 40 anos. Assistir à reprise é como uma doce volta a outros tempos. É como revisitar parentes distantes, com quem a pessoa perdeu contato, mas que continuam importantes e queridos na lembrança.


- Lua Cheia de Amor sela o início de sua parceria com Gilberto Braga, com quem você viria a colaborar, ainda em 1991, em O Dono do Mundo e, posteriormente, em inúmeros outros trabalhos juntos. Como essa amizade e a afinidade profissional de vocês se intensificou ao longo desses 24 anos que separam Lua Cheia de Amor de Babilônia, próximo trabalho de vocês, e o que podemos esperar dessa nova novela?

Com João Ximenes Braga e Gilberto Braga, seus parceiros de jornada
em Babilônia, próxima novela das 21h.
A novela me marcou de diversas maneiras. Foi um trabalho muito importante na minha parceria com Ana Maria Moretzsohn, com quem eu havia, juntamente com Aguinaldo Silva, assinado Tieta, um ano antes. Depois, nós escreveríamos juntos diversas outras histórias. Tornou-se uma parceria e uma amizade para toda a vida. E foi o primeiro, e infelizmente único até hoje, encontro profissional com a minha querida Maria Carmem Barbosa.

Lua Cheia de Amor foi uma novela escrita por três autores, com a supervisão de Gilberto Braga, livremente inspirada na peça Dona Xepa, de Pedro Bloch, e na novela homônima escrita por Gilberto. Como todo momento feliz na vida da gente, rendeu saborosos frutos, que perduram até hoje. Um deles foi o fortalecimento dos meus laços profissionais com Gilberto. Na verdade, mais ou menos nessa mesma época, eu já estava colaborando com ele na primeira versão da minissérie Anos Rebeldes, que foi interrompida e retomada posteriormente. Além de ser um dos dramaturgos mais importantes da história da TV brasileira, Gilberto virou um amigo de todas as horas, companheiro profissional de tantos anos. Novelas vão e vêm, mas a amizade permanece. E o que eu mais me orgulho da época de Lua Cheia de Amor é a minha amizade duradoura com Gilberto e Ana Maria.

Agora, eu, Gilberto e João Ximenes Braga estamos escrevendo Babilônia, que está prevista para estrear em março de 2015, após o carnaval. Com direção geral de Dennis Carvalho e Maria de Médicis. Estrelada por Glória Pires, Adriana Esteves e Camila Pitanga, a novela abordará a vida de três mulheres fortes e ambiciosas.


Susana Vieira, belíssima como Laís Souto Maia:
mais uma prova do talento da atriz.
- Por que Ricardo Linhares gostaria que o público votasse em Lua Cheia de Amor para ser reprisada no Canal Viva? Quais os bons motivos que o público terá para ver, ou rever, a trama?

São tantos motivos... Rever a translumbrante Kika Jordão (Arlete Salles), a chique Laís Souto Maia (Suzana Vieira), Marília Pera (a camelô Genuína) em estado de graça, Isabela e Maurício lindos, talentosos e novinhos... Reapresentar novelas antigas, e ainda em bom estado de conservação, como Lua Cheia de Amor, reforçam a vocação do Viva como a casa dos sonhos dos fãs da TV brasileira.
Conheci Wesley Vieira em uma das (e não me recordo qual) comunidades sobre teledramaturgia do agora praticamente extinto Orkut. Wesley reside em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, onde atua como editor-chefe na revista Olhaí. Sempre soube que ele era um apaixonado por teledramaturgia, mas só descobri seu apego por Lua Cheia de Amor no blog Eu Prefiro Melão, para o qual o jornalista escreveu um texto rememorando a novela. Hoje, Wesley vai em busca, novamente, de suas lembranças da novela, pra trazer ao leitor maiores informações sobre a trama e convencer os indecisos a votarem em uma de suas novelas preferidas. Obrigado, Wesley, pelo ótimo texto e por sua participação no Vivo no Viva.

#TeamLuaCheiaDeAmor
por Wesley Vieira

Por que Lua Cheia de Amor merece ganhar uma reprise no Canal Viva?
1 – Nunca foi reprisada (não clamam tanto por novelas nunca reprisadas? Taí!).
2 – É a mais antiga (se Lua Cheia de Amor vencer, vai comprovar, de fato, o que a audiência do Viva quer: novelas antigas more and more, please!).
3 – Movimentada e divertida (nada melhor do que uma respirada, após assistir a densa O Dono do Mundo e a romântica e soturna A Viagem).
4 – Tem Arlete Salles como Kika Jordão – o grande papel de sua vida. Inesquecível!
5 – Justiça seja feita, Marília Pêra, apesar do exagero, também fez uma Genuína com dignidade. Sua personagem é divertida e humana.
6 – Tem uma trilha sonora deliciosa (imagina, New Kids On The Block tocando para Susana Vieira).
7 – Aliás, Susana Vieira também esteve impecável. Sua personagem, Laís Souto Maia, era deliciosa.
8 – Tá, ok, Lua Cheia de Amor não foi um grande sucesso e nem teve uma grande repercussão (nem de longe foi um fracasso), mas se ela voltar no Viva, será uma oportunidade de fugir das obviedades que já foram reprisadas na Globo. Essa pode ser a chave para novelas como Bambolê ou O Sexo dos Anjos ganharem uma reprise. Let´s Go!
9 – Quem sabe, agora, como obra fechada, Lua Cheia de Amor não ganhe um novo olhar em sua trajetória. Porque há novelas que envelhecem bem. Há sucessos que envelhecem mal. Em qual dessas categorias, essa novela se encaixa?
10 – Isabela Garcia fazia uma mocinha bem ordinária. Vale a pena acompanhar a história de Mercedes, jovem que queria arranjar um marido rico, mas renegava um grande amor, justamente por achar que ele era pobre.

Bom, há outros motivos para listar a volta de Lua Cheia de Amor, novela que nem mesmo um dos autores, Ricardo Linhares, acreditava numa possível volta, justamente por questões de direitos autorais com a família de Pedro Bloch. Foi uma agradável surpresa tê-la nessa lista.

Genú, a dona da muamba... La La Miranda...
Apesar de Kika Jordão ter se tornado a marca dessa novela (aconteceu com várias outras tramas que também tiveram personagens secundários mais relevantes que os protagonistas), Genuína Miranda, mais conhecida como Genú, foi uma personagem divertida. “Vem chegando, minha gente, que já tá ficando quente... Compra madame, na minha barraca, panela bem útil e bem mais barata...” – bradava ela, em sua barraca. A dona Xepa, que era feirante na história original, virou Genú, a mulher que perdeu sua loja por conta dos desatinos do marido viciado em mesas de jogos. Muito honesta e batalhadora, Genú pegou a mercadoria que restou da loja e foi para rua vender panelas e outros objetos. Virou “a dona da muamba”, tal como exemplificado na divertida música-tema de abertura, “La Miranda” cantada magnificamente por Rita Lee.

Sobre a história
Genú é uma daquelas heroínas de novela bem simplória, quase sem instrução, mas muito sábia e generosa. Filha de mãe espanhola com pai brasileiro, ela foi muito maltratada pela vida e sem o apoio do marido, criou os dois filhos sozinha. Seu sonho é reencontrar Diego, que volta após 15 anos de sumiço sob a alcunha de Esteban Garcia (Francisco Cuoco). Mulherengo e amoral, Diego se envolve com várias mulheres deixando Genú cada vez mais desiludida com seu retorno. Seu filho, Rodrigo (Roberto Bataglin) namora a jovem Flávia (Renata Lavíola) e se sente na obrigação de casar com ela após a morte do sogro. No entanto, ele conhece a rica empresária Rutinha (Sylvia Bandeira) e desiste do casamento.  Mercedes (Isabela Garcia), a filha caçula, tem um pouco de vergonha do jeito pobre da mãe e a esnoba. Romântica na medida certa, seu sonho é encontrar um bom partido, mas como os corações são bastante insensatos, ela se apaixona por Augusto (Maurício Mattar) e o rejeita por achar que ele é apenas um pobre motorista de táxi que foi morar na mesma vila onde ela vive. Ledo engano. O rapaz idealista e independente é herdeiro de uma das maiores agências de publicidade do Brasil. Filho de Conrado (Cláudio Cavalcanti) e da sofisticada Laís (Susana Vieira), ele não liga para o dinheiro da família e seu sonho é montar o próprio negócio tendo suas ideias revolucionárias como característica.

A trilha sonora
Aliás, os desencontros entre Augusto e Mercedes eram pontuados pela linda “Heal The Pain” do astro George Michael. As trilhas sonoras eram recheadas de grandes sucessos dos anos 90 como “Só Você Vai Me Fazer Feliz (Can't Help Falling In Love)”, do Julio Iglesias; “Luz da Lua (Prendi La Luna)” na voz da espanhola Ana Belén, “You Gotta Love Someone”, do britânico Elton John; “I’m Free” do The Soup Dragons e a velha boy-band New Kids On The Block com “Let’s Try Again”. Lembro perfeitamente das inúmeras vezes que a propaganda da trilha internacional era veiculada e meu desejo era ter o disco da novela. Foram preciso 10 anos para conseguir o tão sonhado disco, ou melhor, o CD com as ótimas músicas.

Outros Personagens
Mas Lua Cheia de Amor também tinha outros personagens interessantes como a recalcada Emília (Bete Mendes), a “boca de aratanha” que teve um caso com Diego e vivia às turras com a vizinha Genú. Wagner (Mário Gomes) era o vilão da história e sua meta era roubar a agência de publicidade de Conrado. Além disso, ele vivia infernizando a vida da esposa Isabela (Drica Moraes), a filha cleptomaníaca de Laís. A ricaça Rutinha também foi outro destaque da história.

Então, bora votar em #LuaCheiadeAmorNoViva?

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Leia mais sobre Lua Cheia de Amor, em um texto de Guilherme Staush, no blog Memória da TV. Clique aqui!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

ESPECIAL

Você decide! E nós te ajudamos!
Tudo sobre as possíveis substitutas de História de Amor

História de Amor é, ao lado de A Viagem, a maior audiência do Viva desde que este entrou no ar, em 2010. Evidentemente, o canal não quer ver seus bons números minguarem após o capítulo final da trama de Manoel Carlos. Por isso, a reapresentação de Pecado Capital foi cancelada e a decisão quanto à próxima atração do horário caberá ao público.

No ar desde a última segunda (08), a enquete que irá decidir a próxima reprise do canal traz três novelas, todas elas exibidas na década de 90, com tramas distintas, mas que com um ponto em comum: são novelas leves, de fácil assimilação, voltadas para dramas pessoais de forte apelo, tais e quais as últimas produções levadas ao ar pelo Viva neste horário. Lua Cheia de Amor (1990), Despedida de Solteiro (1992) e Tropicaliente (1994), as novelas que disputam a sua preferência, são ótimas opções para a faixa das 15h30. E caso você ainda esteja em dúvida sobre o seu voto, por gostar de mais de uma das novelas concorrentes ou por não se lembrar direito de nenhuma delas, o Vivo no Viva vai te dar uma mãozinha. A partir de hoje, teremos um especial sobre as tramas que concorrem à vaga de História de Amor.

E para começar, vou evocar minhas lembranças pessoais sobre cada uma das novelas concorrentes. Espero que vocês, amigos leitores e fãs do Viva, sintam-se à vontade para relembrar bons momentos das tramas nos comentários, e escolherem a sua preferida.

Guardo na memória imagens tão “frescas” de Lua Cheia de Amor que, por muito tempo, pensei que a novela havia sido reprisada. Principalmente por me lembrar de assistir a trama com o dia ainda claro (e não sei se, em 1990, o horário de verão já estava em vigor). Hoje, acredito, essas lembranças devem vir do repeteco de algumas cenas no Vídeo Show. Susana Vieira, toda elegante, em um blazer amarelo; Marília Pêra quebrando o pau em uma loja de louças; Arlete Salles, tresloucada, gritando ao ficar presa em um banheiro com uma aranha. Adorava a abertura, que eu sempre achei curtíssima, bastante colorida e muito divertida. E a fita K7 com a trilha nacional, que uma tia minha adquiriu com uma vizinha, que vendia artigos do Paraguai e fitas piratas. Votaria em Lua Cheia de Amor por ser a mais a antiga dentre as concorrentes e pelo fato de nunca ter sido reprisada. Assim, poderia ver as cenas das quais me recordo e entender o contexto no qual elas se inserem. E poderia também ver a grande Bete Mendes em um papel diferente das "mulheres meigas e sofridas" que ela vem interpretando atualmente: a encrenqueira Emília, rival de Genuína (Marília Pêra), que popularizou a expressão “boca de aratanha”. Se não popularizou, ao menos entre nós, noveleiros que frequentávamos o antigo chat do blog Memória da TV, a expressão se propagou, graças ao meu amigo Guilherme Staush, que sempre recorria à ela.

Já de Despedida de Solteiro, guardo lembranças ainda mais fortes. Acompanhei a novela em 1992, mas, dessa época, pouco recordo sobre a trama. Lembro do anúncio nos finais do Xou da Xuxa, quando o locutor dizia, enquanto os créditos subiam, “Despedida de Solteiro. Hoje, seis da tarde. Assista agora...”. Lembro do encerramento da Escolinha do Professor Raimundo, seguindo para o início imediato de Despedida, em uma cena na qual Lenita (Tássia Camargo) bate à porta de Dona Dala (Léa Camargo), procurando por seu grande amor, João Marcos (Felipe Camargo). Léa era uma agradável presença nas novelas de Walter Negrão, na década de 90. Outra atriz de gabarito que me arrebatou nesta trama foi Lolita Rodrigues, com sua Emília Souza Bastos. Em todas as cenas, desde quando agia com autoridade com relação aos amigos do filho, até quando reagia acuada ao ser confrontada por Vitório (Elias Gleiser), que a chamava por Emilinha, Lolita deu show. Anos depois, em uma entrevista ao Programa do Jô, a veterana elegeu Emília como uma de suas melhores personagens, por nunca ter se imaginado vivendo uma milionária na tela da Globo. Viveu sim e com perfeição! Da reprise da novela, em 1996, guardo boas recordações. Meu pai, ao ver as chamadas, comentou: “Essa vale a pena ver de novo mesmo!”. Assisti um dos capítulos em uma TV em preto e branco, na casa de uma tia-avó, onde fui passar a tarde, o que, para uma criança acostumada com a TV a cores, foi uma experiência bastante divertida. Durante o repeteco, me afeiçoei à Marta, de Lucinha Lins (outra atriz que aprendi a gostar em Despedida). Adoro a cena em que Pedro (Paulo Gorgulho) lhe pede uma receita, apenas para confrontar sua letra com a do bilhete deixado no cesto em que ela abandonou Léo (Patrick de Oliveira), na porta da casa de Vitório. Despedida de Solteiro, certamente, merece o meu voto, pelo saudosismo que me causa e pela excelente trama que é.

Tropicaliente também vale por sua trama. O romance entre o pescador Ramiro (Herson Capri) e a empresária Letícia (Sílvia Pfeifer) me chamava a atenção, embora, desde o início, eu sempre tenha torcido para que Serena (da ótima Regina Dourado) reconquistasse o marido. A novela foi bastante negligenciada pela Globo. Deixou de ir ao ar por conta de alguns jogos da Copa do Mundo nos Estados Unidos, o que levou minha tia noveleira a protestar. Ela adorava tanto a novela que, quando as chamadas de Irmãos Coragem entraram no ar, exclamou “tomara que seja pra substituir a novela das oito” (na ocasião, Pátria Minha); e após ouvir “a nova novela das seis”, lamentou “ah, Tropicaliente vai acabar? É a única novela que presta atualmente”. Minha tia também adorava o nome Amanda. E eu desde sempre adorei Paloma Duarte, a intérprete de Amanda, mocinha que se jogava para cima do namorado da mãe, François (Victor Fasano). Quando ela perde um brinco na cama do arquiteto, rola o maior rebuliço! Tropicaliente me conquistou com suas chamadas, bastante elaboradas para os padrões da época. No primeiro capítulo, cheguei correndo da escola para conferir a estreia e o máximo que consegui ver foi a abertura. Já havia perdido o primeiro bloco! No Vale a Pena Ver de Novo, em 2000, anotava todas as cenas, de todos os blocos, relatando cenários e personagens. Estavam "escaletando" a novela e não sabia! Visitei as locações de Tropicaliente em 2012, numa viagem ao Ceará, e gostaria de revê-la, em especial, por este motivo: conferir no vídeo lugares tão paradisíacos, que não me recordo de ter visto na novela.


Enfim... Motivos para votar em qualquer uma das novelas não faltam. São três excelentes opções, que farão a alegria de qualquer noveleiro. É evocar o saudosismo, relembrar as tramas, ouvir de novo as trilhas sonoras e fazer, por fim, a melhor escolha. Nós vamos continuar te ajudando a tomar essa decisão!


A seguir, cenas do próximo capítulo!

Amanhã... Uma entrevista exclusiva com Ricardo Linhares, um dos autores de Lua Cheia de Amor, e o depoimento de Wesley Vieira, no #TeamLuaCheiaDeAmor. Não deixem de conferir!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014



Queridos amigos, fãs do Canal Viva! Já está no ar a enquete que vai escolher a próxima novela do canal. Só clicar aqui, escolher sua preferida e votar! Lua Cheia de Amor, Despedida de Solteiro ou Tropicaliente? Participe!


E durante a semana, nós apresentamos um especial pra ajudar você a se decidir, caso ainda não tenha sua favorita. Fique ligado no nosso blog!

domingo, 7 de setembro de 2014

Acesse a página de sua novela preferida:









Dancin’ Days
O final da novela nas páginas da Contigo!









A Viagem
Téo abandona Diná, após descobrir que está sendo vigiado por um detetive.


 






História de Amor
Neusa prepara um dossiê contra Mariana, para entregar a Zuleika.



E nesta semana, o Vivo no Viva apresenta um especial para ajudar você a escolher a próxima novela do Canal Viva: Lua Cheia de Amor, Despedida de Solteiro ou Tropicaliente? A partir de quarta, no Vivo no Viva!

Ah! Esse Planeta era tão gostoso!
Planeta Xuxa resgata boa fase da carreira de Xuxa

De rainha dos baixinhos à musa dos altinhos. O Planeta Xuxa, que o Canal Viva trouxe de volta neste domingo, simbolizou uma mudança significativa na carreira de uma das apresentadoras mais amadas do país. Após o término do diário Xou da Xuxa, em 1992, a loira passou por uma incursão aos domingos, com o Xuxa, e seguiu para os sábados de manhã, com a dobradinha Xuxa Park e Xuxa Hits. Este último serviu como o embrião para o Planeta, que estreou em 05 de abril de 1997, às 16h.

“Os baixinhos estavam crescendo e a necessidade de falar para eles foi crescendo também, então surgiu o Planeta”, declarou Xuxa em entrevista ao site do Canal Viva, esta semana. Convidados musicais e quadros diversos eram a tônica da atração, que ocupava um horário ingrato da programação global, vago, praticamente, desde a morte de Chacrinha e a consequente extinção do seu Cassino, já reprisado no Viva. Xuxa tomou conta do espaço e em pouco tempo o Planeta se configurou em mais um triunfo na até então inabalável galeria de sucessos da apresentadora. Seu elenco, composto por nomes como Adriana Bombom, se tornou conhecido, e os quadros Intimidade e Transformação se tornaram carro-chefe da atração.

Prova inconteste do sucesso do programa foi sua mudança para as tardes de domingo, no ano seguinte.  Em entrevista ao Estado de São Paulo, em 29 de março de 1998, Marluce Dias da Silva, então superintendente da TV Globo declarou que o programa estava migrando para os domingos para que Xuxa não fosse prejudicada pelos jogos da Copa do Mundo na França, cujo horário coincidira com a exibição do Planeta. Situação inversa ao que vimos na época do TV Xuxa, última atração da loira antes do seu afastamento das telinhas para cuidados com a saúde. Desprestigiada diante dos baixos números do programa, Xuxa era constantemente rifada da grade, tanto quando figurava nas manhãs, como quando migrou para as tardes, buscando justamente fugir das alterações de horário e cancelamento das exibições.

Com o Planeta, não houve esse mesmo estresse. Apesar de, nos últimos anos, já não registrar os bons índices do início, diante da forte concorrência com o famigerado Domingo Legal, o programa ainda garantia elevado prestígio para Xuxa. Tanto que a Globo prometera a ela, no mesmo ano, um novo programa diário, dedicado exclusivamente ao público da primeira infância. Foi a vontade de voltar a se comunicar com seus baixinhos que afastou Xuxa de Marlene Mattos, sua empresária e diretora. Por divergências no trabalho (Marlene queria que Xuxa continuasse investindo nos adultos), as duas decretaram o fim do Planeta. O tempo mostrou que Marlene não estava totalmente errada quanto à sua visão para a carreira da pupila. O Xuxa No Mundo da Imaginação sofreu com a forte concorrência, deu lugar ao TV Xuxa infantil, que também não emplacou, e por fim ao TV Xuxa, hoje fora do ar. Xuxa talvez tenha errado ao tentar angariar um novo público formado por crianças e se “esquecido” dos que a acompanharam desde o início. Tomou o caminho inverso ao de Angélica, para citar apenas um exemplo, hoje uma apresentadora segura, muito bem posta à frente do Estrelas (domingos, em horário alternativo, às 16h), que soube agregar aos seus fãs do passado um novo público. Xuxa parece ter perdido até mesmo a forma como se dirige ao telespectador. Quem a vê no Planeta Xuxa, certamente nota muito mais espontaneidade e entusiasmo do que nas últimas edições do TV Xuxa.

O tempo fora do ar e a reprise do Planeta Xuxa no Viva certamente serviram para que a apresentadora possa repensar sua trajetória e definir o caminho que iria trilhar quando retornar à TV, o que eu, como fã, espero que não demore a acontecer. Enquanto isso, vamos curtir essa nova viagem ao planeta mais gostoso de todos os tempos...


PS: Como é interessante acompanhar o programa e ver convidados que figuraram em quase todas as atrações de auditório no final dos anos 90: Claudinho e Buchecha, Molejo, Netinho e Deborah Blando, cantando o inesquecível tema de Lúcia Helena (Adriana Esteves), em A Indomada. Um painel bem diferente do que vemos no Globo de Ouro, onde a música brega que assolou os anos 80 domina a cena, mas ainda há respiros de bons momentos, tanto de canções como de intérpretes. Nos anos 90, tal respiro já inexistia, praticamente. As letras fáceis e as coreografias sensuais configuraram o final da década. E com o passar dos anos, a música brasileira acabaria por degringolar de vez!

sexta-feira, 5 de setembro de 2014


Podia ser sempre assim...
Viva abre votação para definir substituta de História de Amor

Por Duh Secco


Anúncio da reprise de Pecado Capital, no Facebook:
rejeitada pelo público, mais uma vez.
O imenso estardalhaço nas redes sociais gerou resultados satisfatórios, mais uma vez. Nesta última sexta (06), o Viva suspendeu a reexibição de Pecado Capital, atendendo aos inúmeros pedidos do público e anunciou uma enquete para escolher a substituta de História de Amor. Não há motivos para explicar a insistência dos programadores do canal com o remake, conduzido por Glória Perez, uma vez que há outras novelas na gaveta, como Fera Ferida e A Indomada, descartadas na enquete que levou Água Viva à faixa da meia-noite. Ambas, de longe, seriam opções melhores e certamente não causariam a mesma reação negativa que Pecado Capital causou.

Cogitada para a vaga de Felicidade, ano passado, Pecado foi alvo de diversos protestos, que culminaram com a substituição da novela pela bem sucedida regravação de Anjo Mau, de Maria Adelaide Amaral. Os inúmeros boatos que surgiram sobre a novela que ocuparia o horário das 15h30, em junho deste ano, fizeram com que a direção do canal programasse a reprise de Pecado Capital novamente. De início, surgiram comentários favoráveis à reapresentação, com pedidos para que o público concedesse uma chance a novela, que possui fãs, apesar da baixa audiência que conquistou às 18h. Mas logo, os comentários contrários se tornaram mais fortes e diante da possibilidade de ver os telespectadores da faixa se despedirem da mesma após o término da novela de Manoel Carlos, o Viva, novamente, suspendeu Pecado Capital.

Não sou contrário à reexibição da novela, mas não a vejo substituindo as boas tramas que figuraram nas tardes do canal, até o momento. Acredito que Pecado Capital deveria voltar em um novo horário de novelas no Viva, destinado, exclusivamente, à tramas que não se saíram bem em audiência e repercussão. Uma faixa específica para o público aficionado em “fracassos”, que impediria fãs mais ardorosos do canal de protestarem o tempo todo contra as novelas selecionadas para reprise.

Para atender a este público, tão impiedoso, o Viva decidiu recorrer ao mesmo expediente que elegeu a substituta de Rainha da Sucata, ano passado. A partir desta segunda (08), no site do canal, estará aberta a votação que trará de volta uma das seguintes produções: Lua Cheia de Amor, Despedida de Solteiro ou Tropicaliente. Novelas que estão longe da repercussão de outras tramas, mas que não chegaram a decepcionar como Pecado Capital decepcionou.

Resultado da primeira enquete promovida pelo Viva,
que tornou Água Viva cartaz do horário da meia-noite.
O esquema de votação é bastante eficiente e muito mais justo, pois dá ao público o poder de decisão. Sabemos que o séquito do Viva gosta de se manifestar e que quase sempre é ouvido. Não fosse assim, não teríamos a reprise de Renascer, posta no ar tão logo foi liberada pela TV Globo, quando A Próxima Vítima já havia sido anunciada. E nem a oportunidade de ver Dancin’ Days, uma vez que A Viagem ocuparia a faixa da meia-noite, em abril deste ano. Sendo assim, porque não optar, sempre, pela enquete no site? A possibilidade de escolher a novela que quer rever representa um fator a mais para o público se afeiçoar à trama e acompanha-la. Isso explica, por exemplo, o sucesso de Água Viva, à meia-noite. Caso essa suposta teoria seja comprovada agora, o Viva pode ficar despreocupado com relação ao sucesso da substituta de História de Amor, maior audiência do canal na faixa em que é exibida, até o momento. Além disso, as votações geram bastante repercussão nas redes sociais, o que favorece a imagem do canal.

É óbvio que nem tudo são flores. Uma pequena parcela da audiência já questiona as opções selecionadas para a enquete. Sabemos que protestos contrários ao que o Viva oferece sempre irão ocorrer e que alguns irão reclamar apenas por esporte. Mas, ao menos sobre Pecado Capital, ninguém tem mais nada a declarar.