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segunda-feira, 2 de março de 2015
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Casa nova...
Vivamaníacos que estão sempre
ligadinhos no Vivo no Viva! É com
grande prazer que comunico que nosso blog está de mudança... E tenho certeza
que vocês vão adorar nossa nova casa!
A partir desta semana, o conteúdo do Vivo no Viva será publicado no site do
Canal Viva! Sim, caros leitores, agora o blog vai marcar presença no site do nosso
canal favorito.
Assim que entrarmos no ar lá,
divulgarei nosso novo endereço aqui para vocês. Agradeço imensamente a
companhia de todos no período em que estivemos no Blogger. Nosso conteúdo passado
continuará aqui, a disposição do público.
Conto com a divulgação, a torcida e a visita
de todos no nosso novo lar! Nos vemos em breve, no site do Canal Viva!
Encerrando nosso especial com as
novelas escolhidas por nossos leitores, na primeira enquete promovida pelo blog,
relembramos Cambalacho, excelente
trama para o horário mais comentado do Canal Viva, o da meia-noite. Sucesso
arrebatador, a novela de Silvio de Abreu merece figurar na faixa mais nobre do
nosso canal preferido. O texto vem com um pedido de desculpas: embora prometido
para sexta, só pude publicá-lo hoje, domingo, em virtude de compromissos de
trabalho.
Armando
eu vou...
Trama de Cambalacho é perfeita para meia-noite.
Você, com certeza, tem uma novela que
adora, assim, de graça. Sem nunca nem ter visto sequer um único capítulo
daquela trama, que só conhece de ler resumos na internet ou pequenas críticas
em revistas de TV. Ou mesmo de só ter ouvido sua trilha sonora. É essa a minha
relação com Cambalacho. Quando
pequeno, ouvi, até mais do que ouvia os discos da Xuxa, a trilha internacional
da novela, com a qual meu pai presenteou minha mãe na época em que os dois
ainda namoravam. De 1991, época em que a novela fora reprisada, guardo poucas
lembranças. Cenas avulsas, que se confundiam em minha memória e só foram
encaixadas em um determinado contexto quando tive a oportunidade de acompanhar Cambalacho em DVD, numa gravação caseira
referente a tal reprise no Vale a Pena
Ver de Novo.
Mas como seria bom acompanhar a novela
de Silvio de Abreu, brilhantemente dirigida por Jorge Fernando, na íntegra, com
todas as cenas dos próximos capítulos e a vinheta de numeração que vinha depois
do primeiro intervalo, exibido imediatamente após a cena que fechava o capítulo
anterior e a abertura da trama. Cambalacho
figura, ao lado de Tititi, no posto de maior audiência das 19h nos anos 80.
Algo acima dos 60 pontos, que permitiram, inclusive, que a novela se mantivesse
a frente de Selva de Pedra, cartaz
das 20h da época, tradicionalmente o produto de maior audiência da TV Globo. A
fórmula do sucesso? Uma trama muito bem urdida, uma direção eficaz e um elenco
pra ninguém botar defeito.
A começar pelos protagonistas,
Fernanda Montenegro e Gianfrancesco Guarnieri, ou Naná e Jejê, dois
cambalacheiros de marca maior que, com pequenos golpes conseguem sustentar a
prole recolhida por Naná das ruas de São Paulo e manter sua filha biológica em
um colégio interno na Europa. Do outro lado da terra da garoa está o milionário
Antero Souza e Silva (Mário Lago). Cansado da solidão, decide se casar com uma
mulher misteriosa, oculta até mesmo de seu fiel mordomo, Olívio (Fábio Sabag).
Antero também deseja aplacar a tristeza reencontra a filha que tivera com um
grande amor do passado e que, na ocasião, se recusara a assumir. O endinheirado
até tivera outro filho, Thiago (Edson Celulari), rechaçado pelo genitor por ter
escolhido seguir carreira no balé, atividade pouco comum para um homem. Como
contraponto ao jovem, Ana Machadão (Débora Bloch), filha de Jejê, deixa a
feminilidade de lado para se dedicar à função de mecânica, na oficina que
coordena ao lado do ingênuo Porthos (Maurício Mattar).
A administração da Physical é a
principal atividade de Amanda (Susana Vieira), advogada de formação, casada com
o também advogado Rogério (Cláudio Marzo). Assessor jurídico de Antero, Rogério
é o primeiro a se opor ao casamento às escuras que o velho pretende realizar. A
oposição se intensifica quando, em pleno altar, a identidade da noiva é
descoberta: Andréia (Natália do Vale), ninguém mais, ninguém menos do que a
irmã de Amanda, que, ao dividir o mesmo que esta e o cunhado, aproveitou para
se jogar nos braços de Rogério, mesmo sendo constantemente rechaçada.
Rogério tenta persuadir Antero, mas o milionário está decidido a se casar com Andréia e assim o faz. A caminho da lua de mel, no entanto, começam os problemas conjugais do casal. Em pleno voo, Antero confessa a agora esposa que busca pela filha desaparecida. Embora aparente contentamento, Andréia se desespera ao saber que pode não herdar toda a fortuna de Antero. Aciona o irmão, Wanderley (Roberto Bonfim), para que este descubra, antes do velho, a identidade da criança enjeitada. Wanderley é casado com Ceci (Rosamaria Murtinho), exemplo de retidão de caráter e contraponto a irmã carreirista, que sempre leva o irmão para seus golpes. Longe de ter a sagacidade de Andréia e sempre confrontado com a honestidade de Ceci, Wanderley tem problemas com sua investigação acerca da filha de Antero. Sem saber a quem recorrer, procura Madame Narda, mais um dos disfarces de Naná, em seus muitos cambalachos.
A pobre ficou desesperada ao receber
uma carta da filha que reside na Europa. Na última correspondência, Naná havia
dito que estava morando em uma bela casa, com emprego de carteira assinada e
casada com Jejê. Tudo mentira! Jejê foge de compromisso como o ‘coisa ruim foge
da cruz’, os cambalachos são recorrentes e Naná ainda não deixou a Rua da
Ponte, onde recebe a visita de uma assistente social, Matilde (Maria Helena
Pader), após a denúncia de Lili Bolero a respeito das crianças abandonadas que
a trambiqueira está abrigando. Matilde não leva os pequenos, diante do apelo
emocionado de Naná, mas avisa que irá levantar a ficha da criminosa e agendar
uma audiência no Juizado de Menores, para que possam certificar a adoção dos
menores.
Precisando de dinheiro para melhorar o
visual das crianças e a casa onde mora, antes de se encontrar com o juiz, Naná
adota o pseudônimo de Madame Narda e passa a atender interessados em recuperar
o amor perdido em três dias ou encontrar uma pessoa desaparecida, caso de
Wanderley. Ludibriado pela cambalacheira, o irmão de Andréia entrega todo o
ouro ao bandido, contando os detalhes da rejeição de Antero à criança e até a
existência de um sinal de nascença na mãe da moça que, provavelmente, deve ter
se perpetuado no bebê. Até mesmo um desenho da tal marca é entregue a Naná, que
só não vai mais fundo no golpe, porque Jejê, interessado na história, se
recosta numa das paredes falsas da sala de Madame Narda, derrubando todo o
cenário. A tal madame que vê o passado e prevê o futuro é desmascarada, mas
Naná já tem munição suficiente para orquestrar um novo golpe. E para
auxiliá-la, surge um oportuno anúncio publicado por Antero, na volta da lua de
mel de um casamento que ainda não se consumou. Ao colocar nos jornais que está
em busca de sua filha desaparecida, o velho é surpreendido por toda a sorte de
senhoras, interessadas em sua fortuna. Apenas uma, no entanto, possui a marca
que Antero também deseja ver: Naná, que tatuou o sinal no lado direito das
costas, tal e qual Wanderley havia lhe contado, iludido por Madame Narda.
A emoção é tanta que Antero desmaia em
sua cadeira. Com medo de terem matado o milionário, Naná e Jejê tentam fugir,
mas Olívio, a mando do patrão, os impede. Antero jura estar diante de sua filha
e promete que irá recompensá-la por todos esses anos de abandono. Provando que
é capaz de usar a má fé mais do que a colega de cambalachos, Jejê inventa uma
triste história para justificar a miséria em que Naná vive. Consegue assim uma
bolada de Antero, capaz de solucionar todos os problemas imediatos de Naná e
seus filhos. Ao tomar conhecimento do ocorrido, Andréia, enfim, se deita com o
marido, temendo que a rejeição a qual vem submetendo Antero a coloque para fora
do testamento do velho. Enquanto isso, Naná, com a consciência pesada, decide
que não irá utilizar o dinheiro que recebeu. Jejê tenta demovê-la da idéia, mas
a mulher só se convence da necessidade de empregar a quantia após Matilde
procurá-la novamente, lembrando que a audiência se aproxima. O problema é que,
a essa altura, o cheque desapareceu!
Enquanto procura pela folhinha, Naná é
surpreendida com a visita de Antero. Querendo se aproximar da filha, o
milionário a convida para morar, com todas as suas crianças, em sua mansão.
Naná, temendo que a farsa venha à tona, recusa o convite e se empenha em achar
o cheque para sanar o quanto antes os seus problemas. Mas é Jejê quem, ao
consertar o sapato de um dos pequenos, encontra o dinheiro, correndo ao banco
para descontá-lo, sem sequer avisar a amiga. Ao despertar a desconfiança do
gerente, Jejê vê seus intentos irem por água abaixo, quebra tudo na agência
bancária e acaba preso. Não bastasse a noite no xilindró, Jejê ainda toma uma
coça de Naná, em plena cela, numa das cenas mais divertidas da novela (e que
guardei nas memórias da tal reprise de 91).
A pedido de Antero, Rogério e
Wanderley partiram para Roma, decididos a convencer Thiago a voltar ao Brasil e
se entender com o pai. Aproveitando-se da viagem, e da conseqüente solteirice,
Rogério seduz a artista circense Debbie Day (Christine Nazareth), a ponto de
propor casamento à ela. Casamento que, de fato, acontece. Não como manda o
figurino, claro. Afinal, Rogério já é casado com Amanda, cujo irmão, Wanderley,
compactua com a traição do cunhado, servindo até como falso juiz na cerimônia
que une Debbie e Rogério. Embora inveje o advogado por suas conquistas
amorosas, Wanderley não consegue pular a cerca, medroso que é, mesmo tendo em
suas mãos beldades como Cláudia Raia, Luiza Brunet e Rosemary, participações
especiais que abrilhantaram ainda mais a narrativa de Cambalacho.
Rogério agora tem duas esposas,
enquanto Andréia almeja matar seu único marido. Após assistir diversos filmes
de suspense, com exposição de crimes perfeitos, a vilã orquestra o plano
perfeito para se ver livre de Antero. Convence o velho a ir para o Guarujá,
onde pretende desfrutar de sua lancha. Em alto-mar, Andréia mistura um poderoso
veneno à bebida de Antero e deixa a embarcação em seguida, para ver, de longe,
Antero morrer ao passar mal enquanto comandava a lancha, fazendo com que esta
se espatifasse contra as pedras que cercam a praia. A cena, memorável, foi
repetida à exaustão no Vídeo Show, especialmente por conta do especial TV Ano
50, que, com uma eleição veiculada dentro do vespertino, buscava eleger a maior
vilã da TV de todos os tempos. Andréia Souza e Silva era uma das candidatas, ao
lado de rivais inesquecíveis, como Odete Roitman (Beatriz Segall), de Vale Tudo. Quem também presencia o
acidente é Naná, levada por Athos ao litoral, onde pretendia pedir a Antero que
intercedesse para que Jejê fosse posto em liberdade.
Já livre, o golpista vê os destinos de
Naná e Andréia se cruzarem em definitivo. Ao abrir o testamento de seu cliente,
Rogério lê, para a incrédula viúva e a surpreendida Amanda, o último desejo de
Antero: deixar toda a sua fortuna para Leonarda Furtado, a Naná. Jejê, que por
acaso estava na mansão Souza e Silva no momento da leitura do testamento, se
desespera, partindo em disparada ao lado da filha Ana, que o acompanhava. A
fuga marca o primeiro encontro de Machadão e Thiago, de volta ao Brasil por
conta da morte da mãe. O rapaz tenta impedi-la de sair desabalada da mansão e
Ana, com raiva da intromissão do bailarino, atira uma pedra em sua direção,
acertando a cabeça do pobre coitado. Os dois se esbarrariam de novo, tempos
depois, em um acidente de trânsito, no qual Ana, em um caminhão, joga o carro
de Thiago para fora da estrada. Ela presta socorro e o acarinha no hospital,
enquanto o jovem está inconsciente.
Assim como suposto irmão, Naná também
fica com a cabeça em frangalhos quando Rogério vai até sua casa tratar da
herança. Temendo que seu golpe tenha sido descoberto, ela desanda a falar e só
entende de fato a situação ao ser apresentada a Amanda, que lhe trata como a
herdeira de Antero. O problema é que o encontro das duas acontece na Physical,
sob os olhos de Tina e Aramis. A maluquinha mal chega na Rua da Ponte e já
espalha, tendo o amado como testemunha, que dona Naná agora é rica! O que ela
não imagina, e nem os vizinhos que clamam por um auxílio financeiro, é que a
cambalacheira, mais uma vez preocupada com seus perigosos trambiques, decidiu
recusar a bolada.
Sem grana novamente, Naná quase cai na
esparrela de Andréia, que a procura para lhe ofertar uma significativa soma. Em
troca, a cambalacheira deve abrir mão da herança de Antero. Só que Jejê, que
não é bobo nem nada, logo percebe o golpe. Com o cheque em mãos, Naná pode ser
acusada por Andréia de ser uma pessoa de má fé. E se ela tem tanto interesse em
fazer com que a golpista recuse o que é seu de direito, logo esse patrimônio
deve ter um valor inestimável. Convencida pelo amigo, Naná procura Rogério e
diz que irá aceitar o dinheiro. Jejê fica exultante com a possibilidade de
tirar o seu desse bolo, sem imaginar, no entanto, que Naná tem belos planos para
ele: os dois irão se casar para que Jejê possa assim ter direito sobre a
fortuna. O sacana não está disposto a topar o acordo, embora suas dívidas com
agiotas, o leve a aceitar. Só que Lili Bolero, apaixonada pelo cunhado, decide
que irá impedir essa união. Para amedrontar Naná, se veste como a falecida
mulher de Jejê e invade o quarto da cambalacheira na calada da noite, causando
espanto na pobre coitada, que põe fim aos planos de se unir a seu grande amor.
Falando em amor, Ana e Thiago
conseguem se acertar. Por telefone! Ao ligar para a casa da moça que o ajudou
após o acidente de trânsito, Thiago é atendido por Ana. Mas a voz doce da moça,
que destoa por completo do seu temperamento agressivo, o faz se apaixonar. Numa
confusão, porém, Ana mente a Thiago que se chama Cristina, o que o leva a
pensar, inclusive, que ele está apaixonado por Tina Pepper. O bailarino só
descobre que Ana mora com Tina quando decide procurar pela casa de sua amada.
Ana, consertando a fiação da sala, acaba por causar um novo acidente com o
rapaz. Os dois só acertam os ponteiros quando Ana conserta o carro de Thiago.
Grato, ele passa a tratar a moça com mais carinho, ao qual ela retribui. Pouco
depois, Ana confessa a Thiago, durante uma briga, que vem falando com ele usando
a identidade de Cristina. O bailarino não leva fé na história e a mecânica,
irritada, atira novamente uma pedra em sua direção. Ao vê-lo desmaiado, Ana se
aproxima do rapaz e começa a falar de forma meiga, fazendo com que Thiago, num
sobressalto, acorde e admita: Ana é sua tão amada Cristina! Os dois então
iniciam um romance, marcado pelas diferenças gritantes no perfil de ambos. É
hilária, por exemplo, a cena em que Thiago leva Ana a um restaurante chique e
ela, com seu estilo inigualável, é confundida com um homem ao entrar no
banheiro feminino.
Enquanto isso, Amanda e Rogério se separam.
O advogado arma uma festa surpresa para comemorar o aniversário da esposa. Só
que é ele quem acaba surpreendido, quando Debbie Day sai de dentro de um enorme
bolo, em uma armação arquitetada por Andréia para minar o relacionamento da
irmã. Tão logo sai do bolo, Debbie vai até Rogério e o beija apaixonadamente,
atirando sobre Amanda, em seguida, o registro de seu casamento na Itália com o
advogado. Revoltada com a traição, a dona do Physical pede a separação e alerta
o marido: a partir daquele instante, ela volta a atuar como advogada e irá
defender Naná nos tribunais, enquanto ele, ludibriado por Andréia, tomará
partido da viúva. Pouco depois, Ceci reconhece Naná como Madame Narda, a quem
conheceu ainda na época do golpe da cambalacheira. Ela comenta suas suspeitas
com o marido e Wanderley, intrigado, decide ir até a Rua da Ponte tirar essa
história a limpo. Descoberta toda a armação de Naná para conseguir se passar
pela filha de Antero, Wanderley a pressiona: também quer seu quinhão!
Acuada, Naná decide se abrir com
Amanda. Revela todo o golpe para cima do milionário, inclusive a falsa tatuagem.
Athos, sacana como sempre, ouve toda a conversa e decide guardar essas
preciosas informações para usá-las quando surgir a oportunidade. Já Amanda
precisa reverter tal quadro e fazer com que Naná, perante a juíza (Zilka
Salaberry), omita toda a história do golpe. Amanda bem que se esforça... Ela
acusa Andréia de ter tentado subornar a cambalacheira, usando o cheque que a
irmã deu a Naná. Já Rogério, na defesa de sua cliente, pressiona Naná até que ela
confesse em alto e bom som que não é a filha desaparecida de Antero. A saída é
Amanda ler a íntegra do testamento, no qual o milionário deixa claro que quer
que sua fortuna vá para as mãos de Naná. É assim que a juíza dá ganho de causa
à pobretona.
A cambalacheira, nesse instante, está
passando por um revés até então inimaginável. Em meio a sua festa de recepção
na alta sociedade, o administrador dos bens de Antero, Ourives (Moacyr
Deriquém), procura Amanda, para lhe dizer que as ações herdadas por Naná são
falsas e a verdadeira fortuna do velho está desaparecida. Amanda espera a festa
passar para só depois contar a Naná e Rogério o que acontecera com os bens de
Antero. Athos, novamente, ouve tudo e decide procurar a fortuna. Abre o cofre
da mansão sorrateiramente e se surpreende ao encontrar ali apenas um ursinho de
pelúcia. Decepcionado, atira o brinquedo pela janela. O que ele nem imagina é
que o ursinho em questão esconde muito segredos, como demonstra Olívio ao
encontrar a pelúcia no jardim e guardá-la com todo cuidado.

A chegada de Daniela (Louise Cardoso),
filha de Naná, movimenta a narrativa de Cambalacho,
no terço final da trama. Acompanhada do noivo, o conde Jean Pierre (Luiz
Fernando Guimarães), e de seu sogro, duque Armand (Oswaldo Loureiro), a moça se
instala na mansão da mãe e causa alvoroço com seu comportamento suspeito. Por
conta de seu namoro com Ana, que agora vive com o pai na mansão, Thiago acaba reencontrando
Daniela, uma antiga namorada sua, que ele sabe vivia de pequenos golpes na
Europa. O charme da arrivista, no entanto, faz com que o moço fique balançado,
o que impede de contar a Naná que sua filha não tem a boa índole na qual a mãe
acredita e o leva a se separar de Ana. Daniela prejudica também os seus irmãos
adotivos, ao convencer Naná a interná-los em um colégio interno e subornar a
diretora da instituição (Renata Fronzi), exigindo que ela aplique castigos
severos nas crianças.
Sabendo que a presença de Daniela é
nociva a todos que a cercam, Thiago a agarra em plena mansão Souza e Silva,
fazendo com que ela confesse a Naná que os dois foram namorados enquanto viviam
na Europa. Mais: levanta a ficha de Armand e Jean Pierre, descobrindo que os
dois são brasileiros, procurados pela polícia por conta de seus cambalachos.
Daniela se faz de inocente e diz que, por dever uma grande soma a Armand,
concordou em apresentá-lo a sua mãe, com quem o falso duque pretende se casar e
assim roubar todo seu dinheiro. Mas Thiago não precisava nem ter se esforçado
para derrubar os dois trambiqueiros. Os próprios se denunciam ao se verem envolvidos
com Lili Bolero e Tina Pepper. Esta, desfilando por um shopping, arrebata Jean
Pierre, que a persegue por todas as lojas. Acuada, Tina foge, deixando o sapato
para trás. Jean batalha até reencontrar sua Cinderela, a quem confessa ser João
Pedro, malandro carioca, disposto a largar o mundo do crime para ficar com sua
Tina.
Armand, por sua vez, é reconhecido por
Lili Bolero como sendo Armandinho da Cruz, o homem que a deflorou no passado. O
reconhecimento se dá após um golpe orquestrado pelo bandidão, que dopa Jejê e o
coloca em um flagrante de adultério, o que faz com que Naná o expulse da
mansão. Decidido a provar sua inocência, Jejê, com a ajuda de Lili, sequestra Armandinho.
Lili, no entanto, se vê obrigada a soltar o refém, quando este diz saber que
ela não é cunhada de Jejê, uma vez que fora criada no orfanato e nunca teve
irmã nenhuma. Para manter o ex de bico calado, Lili confessa a ele que Tina é
sua filha, o que causa um surpreendente surto de consciência em Armadinho,
agora decidido a ajudar a filha.

O problema é que Andréia pretende,
cada vez mais, complicar a vida de Naná. Ao saber por Athos que a golpista
estava presente na cena da morte de Antero, Andréia induz o amante a procurar
Rogério e contar uma nova versão do crime. Não tarda para que a polícia procure
Naná, avisando que ela será intimidada a depor sobre o caso Antero Souza e
Silva. Enquanto isso, Andréia continua se empenhando em seduzir Thiago,
flagrado por Ana aos beijos com a madrasta, o que causa o rompimento definitivo
do casal e uma conseqüente reaproximação com Daniela, a quem o bailarino
surpreende quando lhe conta que Naná não recebera herança alguma. Temendo se
complicar ainda mais, Daniela diz a mãe que nada sabia sobre a farsa de Armand
e Jean. Naná, sentindo-se culpada, chama Jejê de volta à mansão e pede que ele
expulse Armandinho dali. O cambalacheiro adora a ideia! Sem pensar duas vezes,
solta os cachorros em cima do amado de Lili Bolero...
Thiago, por sua vez, continua agindo
como um verdadeiro herói. Descobre que Andréia tentou lhe passar a perna e,
para castigá-la, anuncia que irá doar seu dinheiro a Naná. Também conta a Jejê
que Daniela compactuava com as armações de Armandinho e João Pedro. A revelação
coincide com outra descoberta, feita por parte de Dominique: Daniela não é a
verdadeira filha de Naná. Acuada, a interesseira decide se livrar de Naná e a
entrega a polícia. A cambalacheira resolveu fugir com Jejê após se atrapalhar
toda com o depoimento a respeito da morte de Antero e, assim, ter sido
indiciada.

Armandinho, por sua vez, convence Lili a emprestar sua voz para um disco a ser gravado por Tina. Com o hilário hit ‘Você me Incendeia’, Tina alcança o estrelato, chegando a se apresentar no Cassino do Chacrinha. Famosa, a moça dispensa João Pedro e se une a Aramis. Já Lili não tem a mesma sorte. Termina como estrela da churrascaria Traseiro de Boi, assessora, claro, por seu amado e mentor, Armandinho.
É aí que se inicia uma dos finais mais
surpreendentes de todos os tempos! Sílvio de Abreu, mestre em transformar o
destino de suas vilãs em cenas grandiosas (vide o suicídio de Laurinha Figueroa
em Rainha da Sucata), induz o público
a acreditar que Andréia, passando mal, pediu a Athos que voasse mais baixo, o
que fez perder o controle do avião e bater contra uma casa, causando a explosão
de aeronave. Ledo engano! Athos morreu na explosão, mas Andréia, que todos
acreditavam ter tido o mesmo destino, ressurge na Espanha, após ter saltado de pára-quedas
minutos antes da tragédia, gastando a fortuna que surrupiou de Naná. Só que o
dinheiro escondido no quarto das crianças era falso! Logo, Andréia é capturada
pela Interpol, deportada, julgada tendo Rogério como advogado de acusação e
presa! Foi ou não foi uma trajetória surpreendente? Talvez o único caso de vilã
a princípio morta, depois impune, e por fim, castigada.
Em meio ao destino de Andréia, vemos
que Amanda e Rogério enfim se acertaram. Já Ana e Thiago, após discutirem no
trânsito, mais uma vez, se entregam ao amor. E o ursinho do rapaz que Olívio
guardara revela, enfim, a verdadeira identidade da filha de Antero. Quatro
suspeitos são apresentados: Naná, Lili Bolero, dona Dedé (Leina Krespi),
moradora da Rua da Ponte, e seu Biju, que fora criado como menina na infância.
É dona Ubiratânia (Henriqueta Brieba), grande amor de Antero, quem conta a
verdade. Após reconhecer objetos escondidos dentro do ursinho que comprovavam
seu romance com o milionário, Ubiratânia revela ter perseguido a filha a vida
toda. E a tal filha é... Naná! Milionária, agora por direito, a cambalacheira
se casa com Jejê e recebe a verdadeira filha, Daniela (Cristina Pereira).
Radiante, Naná diz que adoraria ver sua felicidade se espalhar pelo mundo todo!
É assim que a cidade de São Paulo começa a dançar ao som da música da novela. E Cambalacho chega a seu final... Um sucesso que o Canal Viva não pode deixar pra trás!
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Mais uma novela da nossa enquete! A
sugestão de hoje é para uma faixa que adoraríamos ver no Viva: dedicada apenas
a novelas que não funcionaram como esperado (poderiam exibir Pecado Capital (1998) sem problemas
nessa tal faixa!). Salomé, belíssima
produção de 1991, pouca lembrada pelo público, está em cartaz! Vamos relembrar
a trama?
Sedutora, mas nem tanto...
Salomé, bela produção das 18h, não empolgou, mas merece ser revista.
São Paulo, 1932. O fazendeiro Venâncio
(Herval Rossano) padece com a decadência do café. Sem saída, tira a própria
vida, durante uma festa na qual seu filho, Duda (Petrônio Gontijo) canta para
os convidados, após noivar com Mônica (Mayara Magri). Três anos se passam. Em
Paris, Salomé (Patrícia Pillar) escandaliza a sociedade ao realizar a dança dos
sete véus. Seu padrasto, Antunes (Carlos Alberto), decide trazê-la de volta ao
seio familiar. Ao seu lado, os amigos Berta (Suzy Rêgo) e Ruggero (Matheus
Carrieri). À sua espera, a mãe, Santa (Imara Reis). Em seu caminho, Duda, hoje
radialista e pretenso cantor, envolvido também com Santa.
Projeto antigo do diretor Herval
Rossano, a adaptação de Salomé,
original de Menotti del Picchia, caiu nas mãos de Sérgio Marques quando este
colaborava com o texto de Pacto de Sangue,
outra produção obscura das 18h, também dirigida por Herval. Concebida como uma
novela de 150 capítulos, acabou sendo escolhida para inaugurar um novo projeto
de dramaturgia da TV Globo, sendo reduzida para 60 capítulos. A produção, no
entanto, ficaria excessivamente cara, o que levou Salomé, por fim, a ter 107 capítulos. Talvez por ter sido exibida entre
dois grandes sucessos, Barriga de Aluguel
e Felicidade, a novela acabou caindo
no esquecimento. Lembro-me, no entanto, que a trama repercutiu bem em 1991. Em
casa ninguém perdia um capítulo!
Apaixonada por Duda, e notando o
interesse do rapaz em Salomé (após flagrá-la em um saliente banho de
cachoeira), Santa, que também já notou o excesso de zelo de Antunes para com a
enteada, induz o marido a afastar os dois. Mas Antunes é um homem de medidas
práticas e, ao invés de procurar soluções mais brandas, decide matar Duda. Para
isso, conta com o auxílio do pistoleiro Capivara (Anselmo Vasconcellos), que
executa o serviço no momento em que Duda se dirigia a São Paulo para romper com
Mônica, podendo então firmar compromisso com Salomé. Tonho (Ênio Santos) e sua
esposa, Mariana (Míriam Pires), acodem o radialista, que preferem manter no
obscurantismo, evitando assim que sua vida seja posta em risco novamente. A
proteção, no entanto, gera um terrível mal entendido: Salomé acredita que Duda
preferiu ficar com Mônica em São Paulo; já está última tem certeza de que fora
abandonada pelo noivo.
Fragilizada, a pobre Mônica cai na lábia
da própria mãe, Graça (Priscila Camargo), senhora ambiciosa que almeja a ascensão
social, em contraponto ao marido, Albino (Abrahão Farc), sujeito fraco. Sabendo
da péssima situação financeira em que o cônjuge se encontra, Graça induz a
filha a aceitar o assédio do banqueiro americano McGregor (Rubens de Falco),
que detém as dívidas da família. A mãe, tão nociva para a filha quanto Santa é
para Salomé, logo trama uma situação constrangedora entre Mônica e McGregor,
flagrados por Duda, justamente quando este se recupera e vai a São Paulo
prestar esclarecimentos a até então noiva. O radialista sai a toda, seguido
pela apaixonada Mônica, que se surpreende ao encontra-lo no portão de sua casa,
partindo ao lado de Salomé. Mônica então tira suas próprias conclusões: Duda só
havia ido até lá para humilhá-la, exibindo a nova namorada. Não resta mais dúvidas:
é com McGregor que ela deve ficar.
O que Mônica sequer imagina é que
Salomé, neste instante, nada mais é do que uma amiga de Duda. Os dois, apesar
da forte atração existente entre eles, não conseguem se entender. Desiludido
com as mulheres, Duda mergulha de cabeça em seu sonho de ser cantor. Para tal,
deixa de entoar suas canções românticas e passa a integrar um coro de
marchinhas, orquestrado por Cotti (André Valli), professor de música e
sonoplasta da rádio. O tal coro faz sua estreia para a sociedade local em um
sarau, arquitetado por Salomé. Decidida a incentivar o grupo e promover Carmem
(Andréa Veiga), a estrela do coral e sua grande amiga, a loira induz McGregor a
acreditar que está diante de um adido cultural americano (na verdade, Cristiano
(Marcelo Galdino), um amigo de Salomé), conseguindo assim que o banqueiro
custeie o sarau. Só que se por um lado Salomé está pregando uma peça no
banqueiro, por outro o destino resolve brincar com ela. Carmem faz o maior
sucesso no sarau, principalmente após assumir perante os convidados o seu
namoro com o colega de palco, Duda.
Carmem e Duda logo alcançam o
estrelato. Convidados para uma excursão nos Estados Unidos, se consagram cantando
marchinhas de carnaval. O mocinho, no entanto, continua na mira do pistoleiro
Capivara. Salomé bem que tenta auxiliá-lo, lhe enviando bilhetes anônimos nos
quais pede ao radialista que tome cuidado.
Nesta fase da novela, a política ganha
destaque, com a abordagem dos comícios da Aliança Nacional Libertadora e a
Intentona Comunista. O escultor Nelo (Ricardo Petráglia), grande expoente das
artes, se torna vítima dos repressores, especialmente do mau-caráter Rosendo
(Edwin Luisi), tido pela própria esposa, Laura (Tessy Callado), como um homem
capaz de qualquer baixeza. Com a ajuda de Boiardo (Cândido Damm), falso aliado
dos membros da cena artística de Salomé,
Rosendo enche uma das esculturas de Nelo com nitroglicerina, enquanto simula um
atentado com o mesmo material em uma fábrica. Salomé, no entanto, se apaixona
pela peça, comprando-a e a levando para a casa. Ao descobrir o plano, Nelo
furta a escultura da casa da amiga, com a ajuda de Capivara, que, por ser também
membro da polícia, se vê obrigado, pouco depois da explosão na fábrica, a ir até
o ateliê de Nelo, para encontrar a escultura-bomba, segundo denúncia de Rosendo.

No lado romântico da estória, Mônica
enfim aceita a corte de McGregor e lhe rouba um beijo. Os dois sobem ao altar
pouco depois. A cerimônia, comandada por Padre Nazareno (Elias Gleiser), tipo
ingênuo e inconveniente, é marcada pela felicidade do banqueiro e a tristeza de
Mônica, que pouco antes de seguir para a cerimônia descobre que seus pais a
venderam a McGregor. O até então devotado e paciente noivo se transforma no mais
implacável dos vilões, ao surrar Mônica e exigir que ela entre na igreja radiante,
poupando assim a sua família da mais completa miséria. Vivendo sob o mesmo
teto, Mônica passa a ser submetida a toda a sorte de humilhações por parte do
marido, que chega a estupra-la na noite de núpcias, após a esposa se recusar a
recebê-lo e até mesmo tentar agredi-lo com uma estatueta. Em decorrência dessa
violência, Mônica engravida, para desespero de McGregor, que odeia crianças. Por
sorte do banqueiro, e dela mesma, a moça sofre um aborto espontâneo, pouco
depois de enfrentar um tumultuado comício de comunistas.
A Intentona Comunista é marcada também
pela inauguração do bistrô As Desvairadas da Paulicéia, de propriedade de Salomé.
O espaço passa a abrigar os expoentes da cena artística dos anos 30, o que
causa manifestações contrárias à suas atividades, por parte de conservadores e
rivais políticos. Pelo bistrô transita a espevitada Carolina (Flávia Monteiro),
que cai de amores por Ruggero, mas se desilude ao roubar uma carta do amado, na
qual pode ler informações sigilosas sobre a situação da família do rapaz:
nobre, mas falida. Assim, Carolina não pode conseguir o empréstimo que
pretendia com o amigo de Salomé, para abrir seu ateliê de moda, em parceria com
Isolda (Dedina Bernardelli), que, assim como Carolina, é grande amiga de Mônica.
Na inauguração de seu espaço, Salomé
dança sensualmente ao lado de um belo bailarino, causando ciúme de Duda, com
que havia trocado beijos apaixonados pouco antes. No bistrô, começam as
primeiras perseguições do Governo aos comunistas. E o alvo inicial é Nelo, que
acaba preso, motivando Salomé, Duda e Padre Nazareno a se unirem em prol dos
artistas ameaçados. A loira promove uma festa para arrecadar fundos para os
presos políticos. Mas como apenas esta investida é pouco para a libertária
Salomé, a moça decide partir em parceria com Duda, De Paulo e Ruggero para o
resgate de Nelo do cativeiro em que o pobre coitado se encontra. Após o
resgate, Salomé recebe um tiro de raspão no ombro, de um dos carcereiros de
Nelo. O ferimento sem gravidade não a impossibilita de seguir com a fuga,
permitindo que McGregor se aproxime do cativeiro e mate o carcereiro que baleou
Salomé. Após certificar-se de que o homem está morto, o banqueiro se aproxima
do corpo, depositando ao seu lado um revólver furtado da fazenda de Antunes,
assim incriminando Salomé. O que pode, entretanto, mudar o rumo desse ardiloso
plano é o fato de McGregor receber um tiro na mão do carcereiro morto, pouco
antes de sua execução.
Em seu estabelecimento, Salomé se gaba
de seu feito, exibindo o ferimento no ombro. A ingenuidade do gesto e a
carabina da família encontrada junto ao carcereiro levam ao decreto da prisão
preventiva da moça. Duda, temendo o futuro da amada, a esconde na casa de
Carmem, a essa altura, uma renomada cantora, distante do agora ex-namorado
Duda, cada vez mais apaixonado pelos ideais libertários de Salomé e enfeitiçado
pelo charme da moça. Só que a loira reluta em ceder ao rapaz. Testemunha de uma
violência sexual de Antunes contra Santa, quando ainda era uma criança, Salomé
se sente incapaz de se entregar verdadeiramente a um homem.
Enquanto o romance do casal
protagonista não engrena de vez, os personagens periféricos vivenciam experiências
amorosas. Como o beijo entre os amigos Berta e Ruggero, que o separa em
definitivo de Carolina, agora interessada em Guto (Jandir Ferrari), irmão de
Carmem. Viciado em futebol, Guto vive na boa vida, para desespero da irmã
cantora e da mãe, Leocádia (Aracy Cardoso), que criou os filhos em uma situação
de extrema pobreza. Já Albino dá o seu grito de liberdade, abandonando a autoritária
Graça. Com isso, a defensora da moral e dos bons costumes padece com o
julgamento da sociedade, que condena mulheres descasadas. Envergonhada, Graça
viaja com Santa para o Rio de Janeiro.
No retorno de ambas, um novo crime
agita a Fazenda Pindorama. Ernestina (Lília Cabral), louca que vive de favor naquelas
terras, esperando o retorno do marido que fora assassinado, tem o seu destino
traçado por um misterioso criminoso. Suspeitos não faltam: Capivara e Rosendo a
haviam procurado pouco antes, para descobrirem podres de Santa; Albino estava
hospedado na fazenda no momento do crime e Santa, de quem Ernestina servia como
consciência, mentira que ainda não havia regressado do Rio na ocasião do crime.
Lília Cabral arrasou como Ernestina, minha lembrança mais forte de Salomé. Me recordo de cenas em que ela
andava por um descampado; em outras, montada à cavalo e também em seu fogo de
lenha, sempre mexendo um caldeirão, numa alusão às bruxas de contos infantis.

Se Duda resiste, Mônica insiste em
tentar fugir das garras de McGregor. Cansada de ser mantida dopada em um quarto
escuro trancado a mando do marido, Mônica compra a governanta da casa com um
colar, levando-a a misturar calmante com a bebida do banqueiro. Assim, a moça
pode fugir para a casa dos pais, de onde McGregor bem que tenta leva-la. Só que
Albino, fazendo jus à sua função de pai, proíbe o vilão de colocar Mônica em
seu carro e ameaça contar tudo o que sabe a seu respeito para a sociedade
local. De fato, McGregor parece ter muito a esconder. Após chorar abraçado a foto
de uma mulher, uma grinalda e uma aliança de compromisso, o banqueiro vai até o
cemitério e diante do túmulo de Leonor Salles, jura se vingar de Antunes, uma
vez que já destruiu Venâncio e Albino, bem como dos herdeiros dos três: Salomé,
Duda e Mônica.
Salomé se aproxima do final com um grande
baile de máscaras que agita As Desvairadas da Paulicéia. Mônica, protegida por
seu disfarce, se encontra com De Paula, por quem se apaixonou. O jornalista
reconhece a moça e os dois vivem momentos românticos, ocultos pelas máscaras. McGregor,
por sua vez, planeja acabar com a farra, ordenando que Rosendo pague a Capivara
para que este jogue uma bomba no salão, em plena festa. Chica Treme-Treme (Tânia
Loureiro), prostituta que deu a luz a um filho de Capivara logo no início da
novela, sendo obrigada a encarar a sociedade e trabalhar na legalidade, decide
usar seu herdeiro para humanizar o pai da criança. Procura Capivara e diz que
se ele levar seu plano adiante será responsável pela morte do próprio filho. Temeroso,
o policial-bandido devolve o pagamento antecipado a Rosendo e McGregor, que,
furioso, promete vingança.
O baile de máscaras seria responsável
pela comemoração da libertação de Salomé, conquistada por Antunes. Em gratidão
ao padrasto, a moça não vai a própria festa, para cuidar de um falso mal-estar
relatado por ele. Só que Antunes nada tem a fazer. Salomé está apaixonada por
Duda, e nem mesmo a descoberta de que ele se envolvera com sua mãe, é capaz de
afastá-la do radialista. Livre de seu trauma, Salomé se entrega a Duda em meio
ao mato da Fazenda Pindorama. A cena que ocorre no último capítulo da novela
deixa Santa desnorteada.
Antes, porém, Santa é presa pelo
assassinato de Ernestina. Decidido a se livrar da esposa e repreendê-la pelo
caso extraconjugal que tivera com Duda, Antunes forja provas que a incriminam.
Entretanto, atormentada por uma crise de consciência, Graça confessa ao
delegado que fora ela a responsável pela morte de Ernestina. Santa é posta em
liberdade, no mesmo momento em que Antunes confessa a enteada sua paixão por
ela. Temerosa com o desejo do padrasto, ela decide procurar Duda, a esta altura
embarcando para Paris, e se entender com ele. Sozinho em sua fazenda, Antunes é
confrontado por McGregor, a quem confessa: fora ele quem violentou Leonor
Salles, a noiva do banqueiro, na juventude, causando sua morte e consequentemente,
a vingança de McGregor. Este tenta atirar em Antunes, mas o coronel é mais rápido
e o mata. Santa presencia a cena e, ao se ajoelhar diante do marido clamando
por sua vida, aproveita-se para pegar a mão de McGregor e aperta com os dedos
do morto o gatilho, levando todos a acreditarem que um vilão matou o outro.
Com a morte do banqueiro, Mônica fica
livre para se unir a De Paula. E com o falecimento de Antunes, Duda consegue
reaver a fazenda que fora de seu pai, de onde expulsa Santa. Sem os vilões, Salomé se debruça sobre os finais românticos
de seus personagens: Berta fica noiva de Ruggero, enquanto Carolina dispensa
Guto para se unir a um diretor de cinema italiano. Já Carmem se casa com o
maestro Cotti, enquanto Nelo descobre que sua esposa, Tereza (Cláudia Borioni),
está grávida. Capivara se redime e se une a Chica para cuidar do filho, mesmo
estando na prisão; Rosendo, por sua vez, não tem salvação: termina pobre, mas mantém
sua arrogância.
Duda e Salomé, enfim, vivem felizes. A
novela Salomé, no entanto, não teve
uma passagem repleta de felicidade pelo horário das 18h. Pouco lembrada, a
trama dificilmente terá uma chance no Viva. Nem mesmo sua belíssima abertura a credenciaria para as atuais faixas de novela do canal. Mas não custa sonhar com sua
reprise e com uma nova faixa, só para tramas esquecidinhas...
Confira a cena em que Salomé (Patrícia Pillar) realiza a dança dos sete véus, logo nos primeiros capítulos da trama.
Neste domingo...
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