sexta-feira, 12 de dezembro de 2014


Quem não gosta do horário mais debatido do Viva, o da meia-noite? Foi desta faixa que surgiram os maiores sucessos do canal, tramas que ficaram no imaginário do grande público e eram exaustivamente pedidas pelo público (nem tanto assim, em casos como O Dono do Mundo). Outros grandes sucessos ainda são sugeridos pelos telespectadores e nós não poderíamos ficar de fora desses palpites...


Viva, nos conceda esta dança!
Estreia de Manoel Carlos no horário nobre, nunca reprisada, é boa opção para meia-noite.

Quando Baila Comigo estreou, muitos duvidaram de seu sucesso. Parecia um impiedoso folhetim, que nada ia acrescentar à já batida trama de gêmeos que cresceram desconhecendo a existência um do outro. Ledo engano. Assim que foi ao ar o último capítulo da novela de Manoel Carlos, estreando como titular às 20h, o público já queria sua reprise. Reprise esta que quase aconteceu em 86, em dois tempos: no Vale a Pena Ver de Novo, quando foi preterida por Feijão Maravilha, e às 18h, por ocasião da suspensão das atividades do horário após a exibição de Sinhá Moça (que acabou substituída por Locomotivas). Quem nutria muita curiosidade pela novela, acabou adquirindo os DVDs de uma versão exibida em Portugal (com os quais meu amigo Zé Filho me presentou). Mas nada é igual a acompanhar na íntegra, com vinheta de numeração no início e cenas do próximo capítulo no final. Por isso é que imploramos... #BailaComigoNoVIVA!

Rio de Janeiro, 1981. A obstetra Lúcia (Natália do Vale) traz ao mundo duas novas criaturinhas. Irmãos gêmeos. Idênticos! Assim como os que o doutor Plínio Miranda (Fernando Torres) trouxe à luz, há quase 27 anos atrás: João Victor e Quinzinho (ambos Tony Ramos), que desconhecem a existência um do outro. E no que depender da mãe deles, Helena (Lilian Lemmertz), continuarão na mais completa ignorância, por toda a vida. Hoje casado com Helena, Plínio se ressente pelo ato do passado, quando Helena, optando por um dos gêmeos, permitiu que o outro ficasse com Joaquim Gama (Raul Cortez), pai dos meninos. Como Quim já era casado, a solução para que ele pudesse criar o filho, sem se indispor com a esposa, Marta (Tereza Rachel), foi induzi-la a acreditar que era estéril. Desconhecendo a origem do menino, Marta o aceitou. Mas pouco depois, descobriu-se grávida. O nascimento de Débora (Beth Goulart) lhe deu a certeza de que fora enganada pelo médico e pelo marido.

Lisboa, 1981. Guiada pelo ressentimento, Marta passou a ignorar a existência de João Victor, um dos nomes em ascensão nas empresas de Quim, que sofrera um enfarte recentemente. Decidido a corrigir os erros do passado, e recompensar seu outro herdeiro pela ausência de todos esses anos, o empresário decide voltar ao Brasil, a contragosto da esposa e da filha. O filho irá permanecer em Lisboa, à frente das negociações que serão realizadas por lá. Visando aproveitar-se desse afastamento temporário, e torná-lo definitivo, Marta diz a João Victor, no dia em que este completa 27 anos, que ele não é filho de sangue do casal; portanto, tem menos direitos do que Débora na divisão de bens. A revelação atordoa João Victor, que passa mal.

Voltamos ao Rio. Plínio, o médico, lê no jornal que Quim está voltando. Ele transmite a notícia à esposa, que teme a proximidade do ex-amante. Receosa, Helena decide pedir perdão a Quinzinho, o filho que ela criou, assim batizado em homenagem ao pai biológico. Caixa de banco, moderno e descolado, Quinzinho sequer entende o que Helena quer lhe dizer ao pedir perdão a ele. Não vê nenhum deslize no comportamento da mãe e duvida que isso, um dia, irá acontecer. Sai para um passeio de moto pela orla, e subitamente, sente-se mal, colidindo com o carro de Lúcia. O mal estar coincide com os momentos em que João Victor descobre que não é filho de Marta e, como ele e ela supõem até o momento, Quim.

O acidente envolvendo Lúcia e Quinzinho dá início à história de amor do casal, ameaçada pela presença de Marcelo (Fábio Pillar), ex-namorado da moça. É Marcelo quem une Quinzinho ao seu verdadeiro pai. Uma vez no Brasil, Quim pede a seu amigo e fiel escudeiro Guilherme (Cláudio Cavalcanti) que localize a família de Helena. Não demora muito e logo ele obtém o endereço de seu grande amor do passado: o bairro de Santa Teresa. Julgando ser perigoso aproximar-se repentinamente do filho e de Helena, Quim decide ir até o banco em que Quinzinho trabalho. Lá, testemunha uma briga armada por Marcelo, que ataca o bancário sem dó. Quinzinho revida, fazendo com que o pai biológico passe mal diante da confusão. Com os ânimos mais calmos, no entanto, Quim defende o herdeiro perante o gerente do banco, iniciando assim uma grande amizade. Ao saber pelo filho que ele e Quim se conheceram, Helena surta. Ela já havia ido ao aeroporto se certificar da ausência de João Victor entre os Gama que voltaram ao Brasil, o que a tranquilizara na ocasião. Agora, temendo as intenções de Quim, ela quebra o pacto de silêncio existente entre os dois e liga para ele, implorando que se afaste do gêmeo que ele enjeitou.

O que nem Helena, nem Quim, e muito menos Quinzinho, podem imaginar é que João Victor decidira voltar ao Brasil sem comunicar nada a ninguém. Com duas pessoas idênticas vivendo em uma mesma cidade (ainda que seja uma cidade do tamanho do Rio de Janeiro), os conflitos passam a ser inevitáveis. E se iniciam ainda no aeroporto, onde Lúcia foi buscar sua mãe, Sílvia Toledo (Fernanda Montenegro). E não fosse a chegada da esfuziante atriz, Lúcia certamente teria abordado João Victor. O gêmeo rico escapa do flagra da médica, mas sofre com a violência de Marcelo, que o confunde com Quinzinho. Assim como Lúcia, que desconhecendo a existência de outro ser igual ao seu namorado, questiona este sobre sua presença no aeroporto, instalando entre eles a desconfiança que irá minar o relacionamento, mais adiante.

As confianças cessam quando João Victor vai para o Sul, onde descobre o médico responsável pelos partos da região naquela época: Plínio Miranda. Munido desta nova informação, Victor retorna ao Rio, sendo surpreendido por uma surra aplicada pelos capangas de Caio Fernandes (Carlos Zara), pai de Lúcia e dono de uma academia de ginástica e dança. O sogro antipatiza com Quinzinho tão logo o conhece e, no intuito de afastá-lo de Lúcia, contrata alguns homens para que lhe deem uma surra. Qual não é a sua surpresa ao encontrar Quinzinho sem nenhum ferimento? Somada à antipatia de Caio, o namoro de Lúcia e Quinzinho padece com a intromissão de Mira Maia (Lídia Brondi), que sempre arruma um jeito de atazanar a vida da atual de seu ex-namorado, e também com Helena, que implora a Lúcia que termine o namoro, evitando maiores aborrecimentos. Incomodada com a presença constante de Mira na vida de Quinzinho, Lúcia decide dar um tempo na relação. Doente de saudade, no entanto, ela resolve procura-lo e se surpreende ao ver o bancário beijando Mira. Pouco depois, testemunha um encontro de João Victor e Débora, e acreditando tratar-se de Quinzinho, decide procura-lo, despejando desaforos que o rapaz, nem de longe, merecia ouvir.

É... O Rio de Janeiro é pequeno demais para os dois. Tanto Quim, quanto Helena, já perceberam isso. Ele encontrara Quinzinho em um bar e para impedir que Marta visse o gêmeo de seu filho adotivo tratou de manchar a blusa dela com vinho. Helena, por sua vez, se encontra com João Victor em um restaurante; sua emoção é tanta, que chega a desfalecer. E os gêmeos passam a circular pelos mesmos ambientes, o que aumenta a tensão existente em torno do primeiro encontro. É Plínio quem decide pôr fim à situação. Procura Quim e exige que ele se afaste de sua família, sem sucesso. Leva o empresário, então, até a casa em que ele vive com Helena, disposto a colocar o casal frente-a-frente. Helena vai direto ao ponto: Quinzinho acredita que Plínio é seu pai; ama esse pai com todas as suas forças. Ela não seria capaz de destruir as ilusões do filho e, por isso, decide preservar a mentira. O que ninguém imagina é que Marta colocaria João Victor ainda mais próximo de Plínio. Ela contrata um detetive particular, que lhe dá o endereço do médio. E após um tenso encontro com ele, no qual expõe sua mágoa por ter sido enganada com relação à sua fertilidade, exige que Plínio lhe dê explicações sobre a origem de João Victor. Diante das negativas do doutor, Marta decide colocar o filho adotivo à par de tudo: entrega a ela o telefone de Plínio.

E os gêmeos que ainda não se conhecem, escutam a voz um do outro. Tony Ramos, grande ator, diferenciou João Victor e Quinzinho apenas com mudanças de penteado, postura e entonação de voz. Um trabalho sensível que seduziu público e crítica naquele ano de 1981. Ao ligar para Plínio, João Victor é atendido por Quinzinho, que combina com o rapaz uma visita à noite. Ao avisar os pais do encontro, o bancário quase provoca um surto em Helena e Plínio, que, com a ajuda de Guilherme, consegue tirar o rapaz de casa, evitando o encontro dos dois. Guilherme passou a ser chefe de Quinzinho, cujo curso de piloto de helicóptero lhe rendeu uma vaga nas empresas de Quim, forma que o empresário encontrou para ficar próximo do filho. Helena suspira aliviada, sem imaginar que João Victor voltaria a procurar por Plínio. Compadecida, a mãe leva o filho para uma igreja, e diante do altar, inventa mais uma mentira, continuando a manter João Victor e Quinzinho separados. Diz que seus pais morreram tão logo os gêmeos nasceram; ela assumiu a criação de um e Quim, de outro. Não bastasse enganar o filho, Helena ainda lhe pede para que não procure Quinzinho, uma vez que não quer que ele descubra sua verdadeira origem. A cena é uma das mais belas de toda a trama.

Sem ter como se aproximar do irmão, João Victor passa a verificar seu trabalho na empresa, de longe. Até que, tomado por uma repentina coragem, vai ao encontro do gêmeo, na companhia de Débora. Pela primeira vez diante do irmão, João Victor se emociona. Ao chegar em casa, arrependido por não ter se aproximado do rapaz, ele se volta para o espelho, imaginando como seria o diálogo entre os irmãos. Decidido a manter-se próximo de Quinzinho, o gêmeo de Quim passa a frequentar os mesmos lugares que ele. Sabendo disso, Helena decide desabafar com alguém a respeito das mentiras que inventou. E quem mais poderia ajuda-la senão Lúcia, que já a amparou em outro momento? A história comove Lúcia, que vai a uma recepção na casa de Quim, apenas para ver o irmão de seu amado e prometer que vai ajuda-lo. Sabendo do sofrimento de João Victor, Helena decide que irá consola-lo. Mas tão logo chega ao seu apart-hotel, é surpreendida pela presença de Quim. João Victor sequer imagina que está diante dos pais biológicos e, sem medo de se expor, revela que tem visto Quinzinho com frequência. O mesmo Quinzinho que, de repente, se vê diante de uma briga ferrenha entre Quim e Marta. Já afeiçoado ao filho, o empresário decide doar a ele uma porcentagem dos bens de sua família; em especial, da parte que cabe a João Victor.

Quinzinho sequer pode imaginar que a boa ação de Quim tem a ver com seu passado. Em uma conversa com Helena, na qual descobre que o atual patrão fora o primeiro amor da vida dela, brada aos quatro ventos que não aceitaria outro pai que não fosse Plínio. E, decidido a se aproximar cada vez mais da família dos patrões, vai até o apart-hotel de João Victor, que ao ver o irmão pelo olho mágico, não o atende. Os dias seguem e Quinzinho se vê obrigado a partir para uma viagem em Portugal. Querendo marcar presença na vida do irmão, João Victor faz com que chegue até ele, antes de embarque, um livro com uma dedicatória sua. Quinzinho retribui a gentileza, ligando para João Victor e dizendo que tão logo ele volte ao Brasil, os dois vão se encontrar. A esta altura, Débora namora, a contragosto de Marta, com Caê (Lauro Corona), um tremendo pobretão. Ao ir à casa da namorada, o jovem vê João Victor, que não tem outra alternativa, a não ser contar tudo sobre os gêmeos. Desesperado com a gravidade da situação, Caê decide desabafar com o padrasto Otto (Milton Gonçalves, que causou uma polêmica racial por ser esposo, na novela, de Beatriz Lyra (Letícia)). O problema é que Mira ouve tudo e movida pelo seu faro jornalístico decide ir atrás de João Victor. Um homem a imagem e semelhança de Quinzinho... Tudo o que Mira queria!

O que não poderia acontecer, nesta altura do campeonato, acaba acontecendo. Caio, inimigo de Quim e de Quinzinho, descobre o segredo em torno dos gêmeos e passa a chantagear o empresário. Numa tentativa de neutralizar as investidas criminosas de Caio, seu sócio em uma empresa de táxi aéreo, Quim havia colocado a bela Paula (Susana Vieira) em seu encalço. Instruída por Guilherme, Paula seduz Caio, mesmo sendo casada com Mauro (Otávio Augusto), um ciumento piloto de avião que tão logo descobre o romance da esposa com o dono da academia, decide mata-lo. Para isso, joga sua aeronave em cima de Caio, causando a morte deste e a sua. Os gêmeos estão livres do vilão, mas não de Mira, que procura Helena, com um bolo nas mãos. No topo do doce, dois bonecos: o gêmeo feliz, Quinzinho, e o gêmeo triste, João Victor. Helena se desespera com as palavras de Mira e, pouco depois, com a certeza de que sua filha Lia (Christiane Torloni) está próxima de descobrir seu segredo. Com medo, ela confessa à menina tudo o que fez e é aconselhada a abrir a história de uma vez.

Até porque a presença de João Victor começa a instigar Quinzinho. Ele reata o namoro com Lúcia, mas morre de ciúmes ao vê-la com outro homem, que sequer imagina ser João Victor; a esta altura, já envolvido com Mira. É chegada, mesmo, a hora de Helena abrir o jogo. Ela procura Quinzinho, diz que ele é filho de Quim, e mais: João Victor é seu irmão gêmeo. Pouco depois, é João Victor, também por intermédio de Helena, quem descobre tudo sobre sua origem. Os dois correm ao encontro um do outro, mas um blecaute atrapalha os planos dos gêmeos. Quando enfim encontram uma lanterna, a luz retorna e aí podem ficar frente-a-frente, sem mais mentiras, nem escuridão. Assim se encerrava aquele capítulo de sábado, 05 de setembro, três semanas antes do término da novela. Pouco depois, Quinzinho declara seu amor ao irmão e também ao pai, Plínio. Quanto a Quim, os dois prometem ser amigos, até que o destino fortaleça a relação entre eles. Os momentos finais guardam os diversos pedidos de perdão de Helena: a João Victor, Quinzinho e Plínio. E também os casamentos de Caê e Débora, Quinzinho e Lúcia, e João Victor e Mira, que dá a luz a gêmeos.

A trama principal, embora ótima, não condizia com o título. Baila Comigo se justificava pela presença da academia de ginástica e dança, sintetizada pela figura de Joana Lobato (Betty Faria). Ao longo da narrativa, a professora se envolvia com Caio, João Victor e Quim. Mesmo estando em meio aos principais personagens, sua trama não se desenvolveu a contento. O doutor Saulo também ficou a mercê da principal estória da novela. Reginaldo Faria, intérprete do médico, chegava a abrir os créditos de novela (o que incomodara o ator, uma vez que o protagonista era Tony Ramos). Ainda assim, seu personagem não cresceu, como parecia que ia crescer, a princípio. Entretanto, era interessante acompanhar sua relação de amor e ódio com a ex-namorada Dolores (Arlete Salles), que já havia vivido um casamento desestruturado, e seu namoro com Lia, irmã de Quinzinho.

Manoel Carlos já havia figurado no horário nobre como colaborador de Gilberto Braga, em Água Viva. Baila Comigo, aliás, tem muito de Água Viva e também de Dancin’ Days, ambas já exibidas no Viva. As cenas são longas, a psicologia dos personagens muito bem definida, e os diálogos extensos. Nada da dramaturgia rasa e veloz que temos hoje, onde os personagens se moldam ao sabor das conveniências do roteiro. Em Baila Comigo, não há quem não haja com coerência, possibilitando ao público entender e perdoar certas atitudes (em especial, as de Helena). Uma novela deliciosa, com Manoel Carlos em sua melhor forma e com todos os seus corriqueiros personagens (até mesmo a empregada intrometida; aqui, Conceição (Maria Alves)). Sabemos que o público do Viva é apaixonado pelas novelas do autor. Fica a dica...


Confira a nova edição da Viva Revista, tudo sobre os próximos capítulos das novelas do Viva! Clique aqui!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


As “novas” novelas
Uma análise de O Dono do Mundo e Tropicaliente, últimas estreias do Viva.

Entre o final de outubro e o começo de novembro estrearam as novas novelas do Canal Viva: O Dono do Mundo, à 00h00, e Tropicaliente, 15h30. Ambas com a árdua missão de manter os números e a repercussão de suas antecessoras; respectivamente, Dancin’ Days e História de Amor. Passada a ressaca das novelas anteriores, e com ambas as tramas atingindo um mês de exibição, já é tempo de fazer uma análise mais detalhada do que O Dono do Mundo e Tropicaliente nos oferece, em termos de trama, elenco e produção.

A reprise de O Dono do Mundo nos permite elucidar os motivos que levaram à rejeição da trama. Márcia (Malu Mader) se entregar a Felipe (Antonio Fagundes), apenas três ou quatro dias após conhecê-lo, soou pouco convincente. É claro que Felipe usou de toda a sua dissimulação para conduzir o jogo de forma que ele saísse vitorioso, e que Walter (Tadeu Aguiar) menosprezou as vontades da mulher, privilegiando o trabalho. O que incomodou, e bastante, foi ver Márcia, mesmo desamparada por Felipe após a morte de Walter, continuar se iludindo, a ponto de tornar a se encontrar com ele e insistir em acreditar em suas mentiras, mesmo com dezenas de evidências apontando para o caráter sórdido do cirurgião. É difícil ver uma pessoa se rastejando por alguém que não a quer, quando na verdade deveria estar sofrendo pela culpa de ter causado a morte de um noivo tão bonzinho, seguindo um pensamento simplista, comumente adotado pelo telespectador médio. Mais: Gilberto Braga pretendia, com a novela, criticar as elites. Mas a trama foi construída de tal forma que a tal “elite” soa muito mais inteligente do que os pobretões que engana. E não são poucos os enganadores e enganados! Além de Márcia seduzida por Felipe, tivemos Xará (Jorge Pontual) caindo na lábia de Constância (Nathália Timberg) e Taís (Letícia Sabatella) sendo conduzida por Olga (Fernanda Montenegro), quase sem notar, ao caminho da prostituição de luxo.

O perfil realista dos personagens, se agride por um lado, por outro traz desempenhos brilhantes do elenco competentíssimo de O Dono do Mundo. Fernanda Montenegro está soberba como Olga, sempre distribuindo tiradas politicamente incorretas; Nathália Timberg deita e rola com Constância, muito bem amparada pelo apagado Altair, de Paulo Goulart; e Maria Padilha já nos faz detestar sua Karen. Cabe destacar também Stenio Garcia (Herculano) e Cláudio Corrêa e Castro (Vicente). O trio de protagonistas (Antonio Fagundes, Glória Pires e Malu Mader) também defende com primazia os seus personagens. E quanto talento vemos em Daniela Perez, a Yara. A cada cena dela, sentimos um aperto no peito. Triste...

Outra estreante de O Dono do Mundo, Letícia Sabatella, também se sai muito bem como Taís. Seu parceiro de cena, Ângelo Antônio, o Beija-Flor, está correto, mas o personagem não vai além das discussões sobre honestidade, o que o torna chato. No geral, os casais da novela não agradam. Impossível torcer por Felipe e Márcia, como a sinopse original previva, difícil querer a obstinada Taís com o apagado Beija-Flor, e desestimulante ver Stella (Glória Pires) se sacrificando para salvar o depressivo Rodolfo (Kadu Moliterno). Cenários e figurinos são arrasadores! Enquanto a classe alta exibe apartamentos belíssimos, o pessoal do subúrbio se abriga em casas concebidas com muita veracidade, diferente dos tempos atuais, em que casa de pobre em novela é entulhada de elementos vendidos à exaustão pela Globo Marcas.

Para concluir os comentários sobre a novela de Gilberto Braga, tem valido a pena ver O Dono do Mundo. Buscar entender os erros, a reação do público de 1991, e acompanhar as mudanças realizadas no roteiro para que a audiência voltasse aos trilhos pré-estabelecidos. A tal comentada cena da virada, em que Márcia fere Felipe com um bisturi, trouxe novos ares para a novela. Já estou roendo as unhas à espera do Felipe pobretão!

Tropicaliente não sopra forte como os ventos de Fortaleza. A novela de Walther Negrão é impregnada com o estilo do Ceará. Não só pelas paradisíacas locações, mas também pelos cenários e figurinos. Todos abusam dos tons claros, de vidros, madeiras, flores naturais. A concepção de Helena Brício (figurinos), Mário Monteiro (cenografia) e Tisa de Oliveira (produção de arte), dentre outros nomes, foi impecável. O colorido encantador, no entanto, se dissipa diante do desenvolvimento lento do roteiro. As cenas de dança na aldeia já irritam (e nós já sabemos que ainda serão vistas à exaustão). Mas se as coisas demoram a acontecer, ao menos acontecem com um texto muito bem elaborado por Walther Negrão. É como o ritmo de História de Amor, cujas tramas demoravam a se finalizar, mas permaneciam interessantes em virtude do texto de Manoel Carlos.

História de Amor, no entanto, além da trama romântica central bem elaborada, trazia diversas tramas paralelas que garantiram o gás necessário aos mais de duzentos capítulos da novela. O mesmo não se pode dizer de Tropicaliente. O fio condutor é bastante frágil e não evolui a contento. A paixão de Letícia (Sílvia Pfeifer) e Ramiro (Herson Capri), que deveria ser a principal trama da novela, é ofuscada pelo entrelaçamento dos personagens paralelos, com destaque para Açucena (Carolina Dieckmann, com uma imagem bastante diferente da que vemos hoje) e Vitor (Selton Mello). O psicológico fragilizado do rapaz é o grande destaque do texto de Negrão e da interpretação de Selton; de longe, o melhor desempenho do elenco. Ainda vamos ver muitas loucuras de Vitor, obcecado pelo poder e pela conquista.

O elenco, no geral, é interessante. Como é gostoso ver Carla Marins como Dalila, tão distante da Joyce de História de Amor; o mesmo para Ana Rosa, aqui como Ester, e Stenio Garcia, cujo Samuel nada lembra o Herculano da novela da meia-noite. Lúcia Alves (Isabel), Cinira Camargo (Manoela), Nelson Dantas (Bujarrona) e os protagonistas Sílvia Pfeifer e Herson Capri se destacam. Ao lado de Selton Mello, a ótima Paloma Duarte dá o tom perfeito à sua ainda menina e já obstinada mulher Amanda. Quem também merece menção honrosa é Cássio Gabus Mendes, que consegue se safar bem do perfil excessivamente chato de Franchico. E Regina Dourado está fantástica como Serena. Já de cara a torcida para que ela consiga manter-se ao lado de Ramiro é muito maior do que a que quer o pescador com Letícia.

Tropicaliente não precisa ser acompanhada com afinco. Muitos capítulos irão passar sem que nada de realmente importante para o desenvolvimento da trama aconteça. Os imbróglios entre Letícia, Ramiro e seus familiares norteiam a novela até o fim, e chegam a ficar cansativos, tamanho é vai-e-vem envolvendo os personagens. Uma boa novela, que, entretanto, não figura entre as melhores do autor, nem entre as mais interessantes das que já foram exibidas pelo Viva.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014


Viva Cult! O horário ideal para novelas que não foram bem na audiência, não repercutiram como esperado e não são tão lembradas pelo grande público. Novelas que muitos chamariam de fracassos, mas que nós aqui do blog preferimos tratar por “cult”. Tramas que merecem uma segunda chance, nem que seja para que possamos ter certeza de que não eram, mesmo, grandes coisas. Com vocês, nosso cartaz de hoje!


Cuidado... Peruas!
Novela celebra o estilo de Carlos Lombardi

Maria Aparecida, a Cidinha (Vera Fischer), e Leda Vallenari (Sílvia Pfeifer) nasceram no mesmo dia, na mesma maternidade, cresceram juntas e ingressaram na mesma faculdade. Só se afastaram porque ambas se apaixonaram por Belo (Mário Gomes), tipo que engravidou as duas ao mesmo tempo. Casou-se com Cidinha, mas não esqueceu Leda. Quando soube que sua filha com a esposa nasceu morta, trocou o bebê com o da amiga rejeitada, de forma a manter sua relação harmoniosa com Cidinha e ficar próximo à filha que tivera com a outra. A menina Andréia, a Tuca (Natália Lage), cresce, enquanto Leda faz carreira no exterior, e Cidinha sucumbe à vida doméstica. Mas com o regresso de Leda, as coisas mudam de figura: uma amiga passa a ter inveja do que a outra conquistou.

Somada a essa rivalidade, traições, cenas de ação, família de mafiosos, policiais atrapalhados e muitas loucuras sexuais. Essa era a receita de Perigosas Peruas, novela de Carlos Lombardi que, apesar da boa repercussão, terminou com estigma de trama sem fôlego, diante da queda de ritmo de sua metade para o final. Eu, particularmente, guardo boas lembranças. Em um VHS antigo, de uma das minhas festinhas de aniversário, todas as crianças estão sentadas na sala, entretidas com os momentos finais da novela. Mas Perigosas Peruas passou longe de ser uma novela para crianças. Apesar do horário, 19h, a trama se aproveitou da ausência de censura para investir em corpos sarados, tiroteios e insinuações de sexo.

Para começar, a protagonista sempre tivera consciência do caráter infiel do marido. Cidinha sabia que Belo estava longe de ser o mais correto dos homens. Mas não suportou flagrá-lo transando com a madrinha de um casamento do qual participam. Deixou a festa e foi sozinha para uma boate, onde bebeu e fez um strip-tease. Acabou caindo desmaiada no colo de Paulinho Pamonha (Tato Gabus), policial na delegacia comandada por Venâncio (Flávio Migliaccio), seu pai. Dias depois, pediu a Leda que cuidasse de seus filhos caso lhe acontecesse algo. Leda pressentiu o pior, seguiu a rival e, ao impedir que ela se jogue de um pontilhão, despencou em cima de Babyface (Flávio Colatrello), impedindo que o pistoleiro matasse um deputado, a mando de Dom Franco Torremolinos (Cassiano Gabus Mendes), chefe do clã de mafiosos. Diante da prisão de Babyface, o poderoso chefão ordenara: Belo deveria se livrar das peruas que atrapalharam os planos da família.

Belo opta por eliminar Leda, a princípio. Mas é mal sucedido em todas as suas tentativas. Desesperado, procura o sogro, diz ser um bandido e conta tudo sobre o plano de eliminar as duas mulheres de sua vida. O delegado e sua equipe, no entanto, só se dão conta de que ele é o capanga dos Torremolinos quando Jaú (Alexandre Frota) intervém na história e leva Belo da cadeia. Tipo atlético, e muito misterioso, o belo Jaú balança o coração de Leda, ao mesmo tempo em que batalha para levar Dom Franco e seus descendentes à prisão, uma de suas missões como agente federal. Em seu caminho, surge um enorme, e delicioso, problema: Manoela (Cláudia Lyra), a fogosa neta de Dom Franco, que de posse da verdadeira identidade do rapaz, consegue leva-lo para a cama. Paulinho também descobre os intentos do rapaz e passa a auxiliá-lo em sua missão. Como é um fracasso nas diligências, Pamonha fica incumbido dos trabalhos científicos da delegacia. É quando toma posse de um disquete obtido por Jaú com dados de todas as transações da máfia.

Enquanto isso, as peruas seguem com suas vidinhas. Leda não acredita quando Jaú lhe diz que Belo é um gangster; e Cidinha é incentivada pelo marido a fugir, quando ele inventa que Babyface fugiu da cadeia. A loira, no entanto, cai nas mãos de Hector (Guilherme Karan), o filho mais ordinário de Franco, que planeja seduzi-la antes de dar cabo de sua vida. O problema é que Hector é casado com a ciumenta e alcoólatra Diana (Beth Goulart), que delata o marido e possibilita que Belo, com a ajuda de João Maluco (Felipe Martins), seu cunhado, e Tuca, consiga salvar a esposa. Cidinha, entretanto, não fica livre do perigo. Ao ir à delegacia fazer o reconhecimento de Babyface, é feita refém pelo criminoso, que atira em Paulinho Pamonha, quando este tenta salvar sua amada loira da morte. Tanta paixão afastam Paulinho de sua esposa, Caroline (Françoise Forton), deixando o policial sempre aos cuidados da sogra, Vivian (Nicete Bruno). Babyface continua rondando Cidinha e chega a invadir sua casa. A esperta Tuca é quem dá um jeito de se livrar do criminoso, usando as armações que aprendeu com Esqueceram de Mim, o filme de Macaulay Culkin. Logo em seguida, Leda e Cidinha são convidadas para um jogo de paintball, onde Babyface, disfarçado, atira com balas de verdade. Venâncio é quem salva a filha e a amiga dela dessa vez. Ciente de que Belo não quer fazer o mal à família, Venâncio passa a lutar a seu favor. Diz para seus homens que Belo é agente infiltrado na casa dos Torremolinos e destrói o disquete comprometedor no qual Paulinho Pamonha vinha trabalhando.

Mesmo sendo apaixonado por Cidinha, Belo não resiste a Leda. Tenta de todo jeito leva-la para a cama, mas quase nunca chega ao ato final. Numa das mais engraçadas sequências dessa fase, os dois se encontram em um hotel, mas como as chuvas em São Paulo eram intensas (na época), o quarto termina alagado e Leda vai parar com a cama no meio da rua. Enquanto isso, Hector se vê ameaçado pelo pai, que cobra explicações sobre mercadorias roubadas. Querendo sair de inocente na história, Hector contrata uma gangue para assaltar o depósito dos Garcia, rivais de sua família, e repor as mercadorias no armazém dos Torremolinos. A reação é imediata: os Garcia promovem um tiroteio contra a mansão do clã, justo no dia em que Belo levou sua filha ao “trabalho”. A menina não tem mais dúvidas: seu pai é um bandido. E dos mais perigosos! Visando conquistar a herança que lhe é prometida pelo velho Franco, Belo mais uma vez se vê obrigado a matar Cidinha e Leda. Mas Babyface também possui o mesmo intento. Invade a casa de Cidinha, e para eliminá-la, liga todos os aparelhos eletrônicos, causando um curto-circuito. Com a casa às escuras, Babyface acredita que não será surpreendido pela polícia e poderá executar seu crime. No entanto, Venâncio desloca as viaturas para lá e o bandido, atingindo por dois tiros, disparados por Giovanni (Gerson Brenner) e Joana (Fabiana Scaranzi, a jornalista), acaba gravemente ferido em um hospital.

Franco tem aversão aos filhos, Hector e Cervantes (John Herbert), e por este motivo, além de nomear Belo como herdeiro, inclui Jaú em seu testamento (sem desconfiar da verdadeira identidade do rapaz). E Cervantes apressa em fazer sua filha Manoela se divorciar de Flavinho (Gibran Chalita) para se casar com o novo chefão da máfia. Mas o rapaz sabe que Jaú tem um caso com Leda e destrói as esperanças de Manoela de se unir ao tira. A disputa pelo comando dos negócios se intensifica quando Belo rechaça a herança, com medo de Babyface. Dom Franco promete neutralizar o bandido, mas como ainda quer eliminar Leda e Cidinha, exige que os filhos salvem Babyface, como forma de voltarem a disputar a herança. Inúmeros sequestros são planejados por Hector e Cervantes, mas é Belo quem acaba com Babyface em suas mãos, ainda que não consiga liquida-lo.

Belo vai se ver numa enrascada e tanto, logo em seguida. Flavinho, ao descobrir que Jaú é agente federal, lhe dá três tiros, e todos acreditaram que o bonitão está morto, uma vez que seu corpo cai em um rio e desaparece. Hector vê nessa confusão a oportunidade de se livrar do queridinho do pai. Rouba a arma de Belo e lhe entrega a Manoela, para que ela possa se livrar do marido, como vingança por ele ter dado cabo de Jaú. Com laudos periciais na arma, Hector ameaça Belo: ou ele desiste da herança ou vai ser entregue a polícia pelo assassinato de Flavinho. O mafioso se alegra com a chantagem e abandona Dom Franco, que desmaia diante da atitude do bambino. Hector fica em êxtase, até Diana lhe mostrar um documento em que Franco renuncia à paternidade do vilão e de Cervantes. Ou seja: sem o pai, eles estão na miséria! Franco não morre. Pelo contrário! Ao ver o primo Branco (José Lewgoy) se alegra todo. Isso até receber a notícia de que o patriarca dos Garcia (uma participação de Mário Lago) morreu. Franco gosta tanto da desgraça do inimigo que, enfim, morre: de tanto rir.

Quem fica de molho, mas não morre, é Venâncio. Cidinha passa a noite com o pai no hospital, enquanto Belo fica sozinho com Leda no apartamento desta, onde ele e a família estão hospedados desde o último atentado de Babyface. Após expulsar Caroline, que tentou seduzir o mafioso, de lá, Leda se deita com Belo. Enfim, tem a chance de ser, outra vez, do seu grande amor. Mas o garanhão não é mais o mesmo. Belo falha, desapontando Leda, que dias depois, jura ter cruzado com Jaú na rua.

A convivência sob o mesmo teto propicia dolorosos momentos para Leda e Cidinha. A última insiste em enaltecer sua vida de casada, o que irrita a jornalista, a ponto dela revelar, enfim, que também tivera uma filha com Belo. O mafioso ouve tudo e se ressente ao ver Leda visitar o túmulo da suposta filha morta. Pouco depois, Belo e as duas amigas se unem de novo para salvar Tuca das mãos de Babyface, que a sequestrara. O trio, com a ajuda de Paulinho Pamonha, se sai bem-sucedido, mas quando partem em alta velocidade para abandonar o cativeiro, sofrem um acidente que deixa Tuca gravemente ferida.

Belo, em breve, retorna também para o seio dos Torremolinos, numa exigência de Branco, nomeado herdeiro do primo. O macho-alfa resiste, mesmo precisando de dinheiro para cuidar da filha acidentada. A história se complica quando Diana, bêbada, conta a Hector que Belo trocou suas filhas na maternidade. Este segredo passa também a atormentar Tuca. Após receber uma carta anônima na qual está escrito que ela não é filha de Cidinha e Belo, a menina começa a ter ideias mirabolantes e desconfia que, na verdade, não é filha apenas do pai. Tuca chega a procurar o médico que fez seu parto, mas nada descobre com ele. Pouco depois, confirma que seu tipo sanguíneo não condiz com o dos pais. As investigações cessam com uma nova investida de Babyface contra Tuca e Cidinha. Desta vez, no entanto, Belo consegue matar o bandido, ainda que involuntariamente.

Antes de morrer, Babyface também amedronta Leda, que ao fugir do bandido dá de cara com Jaú, que surge disfarçado como o traficante Pablo e enfim, revela ser um agente de missões sigilosas. Já o delegado Venâncio se vende à família Torremolinos, quando Branco o procura para contar que sabe que ele protegera Belo e aceitou suborno do genro, com dinheiro da máfia. Venâncio chega a prejudicar seus policiais, Giovanni (Gerson Brenner), Téio (Rômulo Arantes) e Johann (Irving São Paulo), os delatando para uma quadrilha de puxadores de carro que estava sendo investigada. Com o silêncio comprado pela família, Venâncio pouca importância dá as denúncias de Diana, que se cansa de ser desprezada por Hector e deixa de beber. Sóbria, no entanto, ela se torna mais atrapalhada e acaba raptada por Rodrigo Garcia (Rodolfo Bottino), o comandante do clã rival dos Torremolinos. Cansado de aturar a moça, Garcia resolve devolvê-la e o faz na companhia de seu irmão afetado Ângelo, que é ninguém mais, ninguém menos que Jaú, no seu novo disfarce.


Com medo de a filha descobrir tudo sobre o seu segredo, Belo mente à Tuca, dizendo que ele é fruto do romance de Cidinha com Paulinho Pamonha. A menina se esforça para descobrir o tipo sanguíneo do policial, e ao constatar que é incompatível com o seu, torna a procurar Belo, que lhe conta: ela é filha dele com Leda. A mesma Leda com quem ele se deita pouco depois, e desta vez, consegue ir até o fim. Enquanto uma se realiza como mulher, a outra se vê diante de uma chance de ouro como profissional. Ao escrever um artigo sobre sua experiência com Babyface, é contratada pelo mesmo jornal em que Leda trabalha. As duas chegam a se estapear diante da cantora Marina, ao disputarem uma entrevista com ela. O episódio leva à demissão das duas. Ainda enciumada, a morena dá um jeito de fazer com que Cidinha flagre Belo na cama com ela. Sem sucesso, para a sorte do amante. A alegria do mafioso, no entanto, dura pouco: Leda se descobre grávida e tem certeza de que o filho é do italiano, sem se recordar da noite de amor que teve com Jaú.

Quem se alegra com a gravidez de Leda é Gema, mãe de Belo. Sempre lembrada com um dos melhores trabalhos de Nair Bello, Gema chegou a ofuscar as protagonistas e roubou a cena com seu perfil venenoso. Era o perfeito protótipo da sogra odiosa! Gema comemora muito quando Cidinha abandona o marido, após descobrir seu envolvimento com a máfia. Os dois transam pela última vez e, no dia seguinte, Cida vai embora de casa com as crianças. O que Cida ainda não sabe é que Leda está grávida. E o que Leda não sabia, mas logo descobre é que Jaú está de volta com um novo disfarce, e ainda mais apaixonado por ela. O melhor de tudo: o agente está livre de Manoela, que se encantou por Téio, prejudicando seu casamento com Téia (Bianca Byington). O casal, embalado pela lindíssima ‘Tears in Heaven’, de Eric Clapton, foi uma das sensações da novela, com as constantes brigas motivadas pelo ciúme excessivo de ambos. Mesmo em guerra constante, os dois enfrentam a paraplegia de Téio, após ser ferido em um assalto, facilitado por Venâncio, que continua auxiliando os Torremolinos, até ser descoberto por Vivian, sua namorada.

Pouco depois, um crime coloca Leda a par da troca de bebês. Hector oferece dinheiro para Edson Marcondes (Vicente Baccaro), médico que executou o plano a mando de Belo, manter a boca fechada e sumir do país. Só que o obstetra passa a fazer jogo duplo e marca um encontro com Leda, disposto a revelar a verdade em troca de alguns milhares de dólares. Hector descobre a jogada e elimina a principal testemunha da troca de crianças. No entanto, o médico já havia revelado a Leda que sua filha estava viva, o que a coloca em uma busca desesperada pela criança. Em meio a confusão, Leda começa a desconfiar do envolvimento de Jaú com a máfia. Ele é tratado por Ambrósia (Leina Krespi), a dona da pensão em que Cidinha vai morar depois do divórcio, como seu filho desaparecido. Mas o incompetente policial Romano (Alberto Baruque), filho de Ambrósia, diz que tudo isso não passa de invencionice e Jaú nada é mais do que um parente distante, pertencente à família Garcia.

Enquanto se preocupa com os dilemas de seu outro amor, Leda sofre a rejeição de Belo, que decide ser fiel, mesmo estando longe de Cidinha. A vizinha Zu (ótima participação de Cissa Guimarães) bem que tenta conquista-lo, e Gema empurra todas as mulheres do mundo para cima dela. Em vão! Gema é obrigada a procurar Cidinha e implorar que ela volte para o marido, que está definhando. Cida, entretanto, se nega a ajuda-lo, principalmente após descobrir que Leda está grávida. A busca pela filha desaparecida prossegue e Belo usa de toda a sorte de artifícios para impedir que a verdade venha à tona (de contratar um homem para dizer que comprou a criança e ela morreu pouco depois até impedir a restauração de uma foto sua no computador). Só que Valquíria (Rosita Thomas Lopes), governanta e fiel escudeira de Leda, fosse descobrir o nome de Cida na lista de parturientes do hospital. Valquíria exige que Belo conte tudo a Leda antes do nascimento do filho dos dois. O problema é que, para aumentar a tragédia na vida da jornalista, Leda acaba abortando.

Cida, por sua vez, continua tentando provar que pode ser feliz longe do marido. Emprega-se como garçonete e assiste, desiludida, ao casamento de Belo e Leda. Após Cidinha exigir o divórcio, o mafioso pede a outra em casamento, para recompensar todo o mal que lhe fez. Mas Leda quase desiste da cerimônia ao descobrir que Belo é um gângster. E ele, por sua vez, implora a Cida que o faça desistir do casamento, sem sucesso. Quem se realiza com a união é Gema, que nunca suportou a loira falsa. Mas sua felicidade dura pouco. Ela é abandonada pelo marido, Michelangelo (Carlos Kroeber), que exige que ela deixe de ser uma megera. Mas a ardilosa Gema logo reconquista o amado. E parte para praticar seu esporte preferido: atazanar noras. Leda se incomoda com a presença constante da sogra, se atrapalha toda na cozinha, e ainda tem que enfrentar a agressividade de Tuca, que leva Leda e Belo a se indisporem com Cidinha. A loira também enfrenta Hector, que apaixonado por ela, sabota todas as tentativas dela se dar bem com seu novo empreendimento: um buffet para festas.

Na delegacia, o clima esquenta com a confissão de Venâncio para a sua equipe de que é um policial corrupto. A equipe decide ajudar o chefe a acabar com a chantagem que vem sofrendo por parte de Hector, que quer ajuda nas sabotagens à Cidinha. E por Cidinha, Paulinho Pamonha faz de tudo! Ele a auxilia nos negócios, até conseguir conquista-la. Já Téio, recuperado, é posto para fora de casa, após estrelar um anúncio de cuecas. Enciumada, sua esposa não quer explicações e o coloca para fora de casa. O que Téio nem desconfia, e só vai descobrir depois, é que Téia também está exibindo o corpinho por aí, como dançarina de boate, numa tentativa de conseguir dinheiro para realizar o tratamento de sua infertilidade.

Na casa dos Belotto, a coisa anda complicada. Belo é esfaqueado, ao auxiliar Jaú a fugir de uma das armadilhas dos Torremolinos. E Gema, que continua afrontando Leda, “a girafa que perdeu as manchas”, é posta na rua. Sem ter pra onde ir, Gema acaba debaixo da ponte, catando papel, e lamentando ter separado Belo da “abnegada” Cidinha, que se une a Gema para salvar a vida de sua caçula, Zazá (Adriana Tausz), gravemente doente. Belo se ressente ao ver a mãe nesse estado, mas tem outras questões para se ocupar no momento. Com a ajuda de um astrólogo (participação de Raul Cortez), Leda descobre que sua vida está atrelada a de Cidinha. É quando ela se dá conta de que as duas tiveram filhas no mesmo dia e confirma as suspeitas que passam a lhe atormentar ao notar uma mancha de nascença na perna de Tuca. A menina, no entanto, se recusa a aceitar Leda como mãe. Nesta época, surge uma das maiores polêmicas da novela. Dividida entre o amor pela mãe biológica e a necessidade de proteger a mãe adotiva, Tuca decide dar um fim a sua vida. A cena em que ela induz seu namoradinho Caco (Victor Hugo) a travar o mecanismo de uma roda-gigante, no momento em que a adolescente está no ponto mais alto do brinquedo e pronta para saltar de lá, não foi ao ar, por imposição da Globo.

As cenas fortes, no entanto, continuariam dominando Perigosas Peruas. Leda disparou três tiros contra Belo, para arrancar dele a verdade sobre a troca de bebês; Gema disparou contra bandidos que perseguiam o filho e também contra o marido, que tivera um envolvimento com Valquíria. Jaú também se revelou como Ângelo Garcia, obrigando Belo a fugir do país para não ser morto. Antes de partir, o mafioso negocia disquetes e fitas que incriminam os Torremolinos. Só que Branco sequestra Tuca, Zazá e Toninho (Igor Logullo), os filhos de Belo e Cidinha, exigindo as provas como resgate. Belo assim o faz e fica nas mãos dos italianos, só conseguindo fugir ao se vestir de noiva, surrupiando o vestindo que Manoela usaria para se casar, no intuito de unir os mafiosos, com Jaú, contra a sua vontade, já que está apaixonada por Téio. O alívio cômico se dá com Paulinho Pamonha e Cidinha. Ele decide transar com a moça no salão de cabeleireiro que ela está prestes a abrir. Só que Cidinha tem soluços bem na hora, e como Paulinho possui “síndrome de identificação de sintomas”, ele logo passa a soluçar também. O romance entre os dois não pode mesmo deslanchar. Cidinha continua amando Belo, que passa a procura-la com mais frequência depois de seu casamento com Leda, tal e qual fazia anteriormente com a outra. Cidinha consegue se refugiar com os filhos em Campos do Jordão. Belo, assim que toma consciência deste fato, vai atrás dela, e consegue reconquistá-la. Revoltada com a traição, Leda procura Cidinha e atira sobre ela os documentos que comprovam que Tuca é sua filha.

As duas então iniciam um processo pela posse da menina. Em breve, ainda vão se ver enrascadas quando Diana planeja a morte de Belo, para livrar Branco da influência do pupilo. O plano envolve Zu, que conta a Leda que Cida jurou matar Belo, por ele ter decidido depor a favor da morena no processo de guarda. A mesma história é levada por Zu até Cida, com os personagens invertidos. Leda e Cida partam atrás de Belo, sem saber que Diana já está com ele. Zu, do lado de fora da casa, desliga as luzes. Ouve-se um tiro, que traz o imediato retorno da iluminação. Belo está no chão e Cidinha com uma arma em suas mãos. Leda a acusa pelo disparo, que fere Belo gravemente, a ponto dos médicos cogitarem sequelas irreversíveis. Quando o mafioso acorda do coma, é um novo homem: educado, compreensivo e honesto. Sequela mesmo ou fingimento?

Enquanto isso, Téia descobre que Téio teve um filho com uma antiga namorada. Ela tenta esconder o bebê, sem sucesso. O rapaz percebe suas semelhanças com a criança e, ao decidir que irá assumi-la, é surpreendido pelo desaparecimento da mãe e do bebê. O que ele nem imagina é que Téia sabe onde a moça se refugiou e decidiu que só irá revelar o endereço ao marido caso engravide. Enquanto isso, Téio e os companheiros da delegacia descobrem uma academia de luta livre, na qual os Torremolinos mantém um laboratório de refinamento de cocaína. Jaú, agora do lado da máfia, decide se vingar do golpe e instala uma bomba-relógio na delegacia, desarmada pelo atrapalhado Romano. Quem se vê obrigada a encarar as leis é Cidinha. Pensando em se safar da justiça, ela vai à delegacia prestar seu depoimento sobre o tiro que quase matou Belo e acaba presa. Leda aproveita a situação para chantagear Cida: só retira a acusação de tentativa de assassinato se ela desistir de Tuca. A loira responde com uma série de insultos e diz preferir encarar os tribunais.

As gêmeas-astrais continuam ligadas pelo cosmo. Tanto que se descobrem grávidas, no mesmo dia e na mesma hora. Mesmo gestante, Cida vai a julgamento e, com o depoimento de Zu, acaba condenada a seis anos de prisão. Só que durante a audiência, Belo correu para o banheiro com a Cidinha, e depois de transar com a ex, recobrou a memória, relembrando que fora Diana quem o atingiu. A terrível Diana, a esta altura, já descobriu que Jaú está tentando se vingar da morte de sua mulher e seu filho, em um atentado dos Torremolinos contra os Garcia. Após entregar o agente à Branco, Diana o envenena e o enterra no jardim de sua mansão. Destino cruel também para Téio, Johann e Giovanni. Venâncio, mais bandido do que nunca, contrata a prostituta Violeta (Isabela Garcia) para acusa-los de estupro, e os três acabam afastados da delegacia. Téio se vê em uma enrascada maior ainda: ele dorme com a companheira de trabalho, Joana, até então virgem, e a engravida. No mesmo momento, Téia se descobre grávida.

Já Cida, ameaçada pelas companheiras de cela e correndo risco de perder o bebê, empreende uma fuga com Belo. Mas ao chegar às ruas, é denunciada por Leda, com ciúmes da harmonia familiar de seu grande amor, Cidinha e as crianças. Nos momentos finais, a jornalista conhece Anthony Belotto, mafioso americano, muito parecido com Belo. E decide voltar para o exterior em sua companhia. Lá, Leda escreve um livro de muito sucesso, enquanto Cidinha, no Brasil, livre da cadeia, envereda pela culinária, lançando o seu ‘Cozinha Maravilhosa’. Eis que as duas amigas podem celebrar, enfim, a conjunção astral que as uniu desde sempre.

Dentre as tramas paralelas de Perigosas Peruas, se destaca o caso de amor de João Maluco e Maria Doida (Sílvia Buarque). Os dois sempre se encontram em situações de perigo e se perdem em seguida. A princípio, ela a salva de um incêndio. Depois, impede que ela morra afogada em uma inundação. Em cima de um colchão levado pela água, os dois se amam e prometem não se separar mais. Mas ao serem resgatados, em ambulâncias diferentes, tomam rumos opostos, outra vez. Os dois se reencontram quando João é induzido a participar de um assalto a banco, com seus companheiros de Febem, onde passou a juventude, acusado de matar a própria mãe. A relação do casal foi se deteriorando durante a novela, a ponto de Maria se casar por interesse com Cervantes e João se transforma em garoto de programa. Uma mostra dos desajustes pelos quais a novela passou.


Embora divertida, Perigosas Peruas padeceu com muitas idas e vindas, que desgastaram o enredo e afastaram o telespectador. Mas numa época em que tudo na Globo era sucesso, passou apenas como mais uma novela das 19h. Novela essa que a gente adoraria avaliar outra vez... 

O Viva Que Eu Quero Ver traz sempre uma atração que gostaríamos de ter na tela do Canal Viva. No último mês, relembramos Você Decide, que, aparentemente, irá ganhar novas edições na TV Globo. Hoje, aproveitando a entrada de dezembro, vamos resgatar os especiais de fim de ano de Roberto Carlos e Xuxa, marcas registradas desta época.


O Rei e a Estrela-Guia
Fim de ano no Viva seria mais atraente com dupla de sucesso da Globo

Um episódio especial de Sai de Baixo, outro do Cassino do Chacrinha e também um da Família Dinossauro. Talvez um especial inédito com Xuxa Meneghel. Está é a programação de festas do Viva. Atrações que ficam a dever para uma época tão especial como esta, principalmente se formos pensar nos programas que o canal já exibiu, como os de Angélica e os especiais de dramaturgia, e no acervo de programas que a Globo possui, voltados para o Natal e Ano Novo. Dois grandes nomes, em especial, deveriam figurar entre as atrações de dezembro no canal.


Há 40 anos, Roberto Carlos figura entre as atrações de fim de ano da Globo. Seu especial é sempre aguardado pelo público, e comentado durante praticamente todo o ano, principalmente com as informações sobre gravações, convidados e músicas do repertório. Alguns programas, no entanto, obtiveram mais destaques que outros e se tornaram emblemáticos na história do cantor com a Globo. Selecionamos abaixo cinco programas do Rei que adoraríamos ver ou rever:

Roberto Carlos Especial - 1979
“São 15 anos de vida, venha conhecer o nosso circo eletrônico. Ele é feito de gente como você. Venha comigo!”. Assim Roberto Carlos abriu o especial que reverenciava os 15 anos de TV Globo, completados em 1980. Além dos tradicionais números musicais, o Rei protagonizou esquetes com o elenco dos programas humorísticos da casa (Agildo Ribeiro, Chico Anysio, Jô Soares e Os Trapalhões). As canções eram entremeadas também por um recital de poesia, com Dina Sfat, Francisco Cuoco, Paulo Gracindo e Vera Fischer. Christiane Torloni, lindíssima, surge em uma cena sobre os dilemas de um casal e a canção ‘Grito de Alerta’, que embalaria Água Viva no ano seguinte, era defendida no palco por Maria Bethânia. E o maestro João Carlos Martins, ao lado de Arthur Moreira Lima, acompanhou Roberto em ‘Detalhes’.


Roberto Carlos Especial - 1981
Os 40 anos de Roberto Carlos foram celebrados com o nascimento de Leonardo, filho de Wanderléa, visitado ainda na maternidade por ele e por Roberto Carlos. A história do Rei fora recuperada, desde sua participação como Cantor Mascarado no programa do Chacrinha até o sucesso com a Jovem Guarda. Entre os convidados, novamente Maria Bethânia e Tom Jobim. Roberto homenageava Vinícius de Moraes e também John Lennon, assassinado no ano anterior, com Imagine. A atração não seguia os moldes atuais: era feita quase toda em estúdio, sem auditório, e com poucas gravações em externas. Foi também o primeiro especial em que o clássico ‘Emoções’ foi executado.

Roberto Carlos Especial - 1982
Charles Chaplin, que vemos todas as noites na abertura de O Dono do Mundo, inspirou a concepção deste programa. Meus Amores da Televisão, divertida canção de Roberto e Erasmo, ganhou um clipe animado que contava com Bruna Lombardi, Christiane Torloni, Lídia Brondi e Regina Duarte, além das estrelas da novela Sol de Verão: Carla Camuratti, Débora Bloch e Irene Ravache. A presença feminina foi forte também nos números musicais, com as presenças de Jane Duboc, Joanna, Joyce, Zizi Possi e Maria Bethânia, novamente. Na época, Roberto Carlos namorava Myrian Rios, para quem compôs a canção A Atriz, anos depois. Com ela, o Rei cantou Cama e Mesa, que viria a entoar com Dira Paes, no especial de 2009.

Roberto Carlos Especial - 1988
O especial deste ano já vale pela entrevista de Roberto Carlos com um dos grandes nomes do esporte brasileiro, e um dos maiores ídolos do país: Ayrton Senna. Ainda, a musa do Globo de Ouro, Isabela Garcia, na época protagonista de Bebê a Bordo, em um número musical ambiente nos anos 50. E Rosanah, outra figura tarimbada da parada musical, surgia com seus hits e também em duetos com Roberto, como ‘Falando Sério’, ‘Olha’ e ‘Outra Vez’. O grande destaque, entretanto, foi dado ao show do Rei em Atlantic City e ao seu passeio pelas ruas de Nova Iorque. Aqui, o auditório já marcava presença.

Roberto Carlos Especial - Amigo
Exibido em 1992, o especial ganhou tal subtítulo por conta do falecimento de Augusto Cesar Vannucci, costumeiramente o diretor de especiais do Rei. Entre os convidados, outros grandes amigos, como Erasmo Carlos e Caetano Veloso, para quem Roberto compôs ‘Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos’. Ainda, a afilhada musical de Roberto, Kátia, famosa por suas participações no Globo de Ouro. Lembro-me deste especial com um dos primeiros que vi do Rei. Naquela noite de 25 de dezembro, o que mais me chamou a atenção fora o clipe em que vários atores da Globo entoavam a canção ‘Eu Quero Apenas’. E também a participação de Daniela Perez em um Auto de Natal exibido em meio aos números musicais.


O Natal era, costumeiramente, a data em que podíamos ver Xuxa no horário nobre global. Em 1987, pudemos acompanhar uma edição noturna do Xou da Xuxa, intitulada Natal da Xuxa. Apenas dois anos depois a apresentadora passaria a explorar seu lado atriz, configurando o estilo que marcaria seus programas seguintes: uma história lúdica, entremeadas com números musicais e entrevistas. Confira a seguir a nossa lista com cinco especiais de Xuxa que gostaríamos de rever!

Xuxa Especial - 1989
Ao chegar aos estúdios do Teatro Fênix, Xuxa é informada de que não haveria gravação naquele dia. Desolada, ela começa a conversar com um assistente de estúdio (interpretado pelo Menudo Robby Rosa), e diz que aquele seria o seu melhor Natal, já que ela poderia ser o Papai Noel de centenas de crianças, uma referência à sua fundação, criada recentemente. O especial trouxe uma homenagem de Xuxa à sua produção, incluindo nomes marcantes para a trajetória da apresentadora, como Andréia Sorvetão, Andréia Veiga e Angel, que participavam de uma gincana na qual ganhavam presentes e presenteava uma determinada instituição de caridade, com um Uno (sensação da época!). Ainda, a presença de irmã Dulce, cuja trajetória fora transformada em filme, recentemente.

Xuxa Especial - Fábrica de Ilusões
Talvez a minha primeira lembrança de um especial de Natal de Xuxa, que aqui surgia como Moleque, um garoto que invade a sala de projeção de um antigo cinema, no qual o responsável pelas fitas, Velho (Renato Pupo), decide exibir a película ‘Fábrica de Ilusões’. O programa foi todo entremeado por números musicais do álbum Xou da Xuxa Seis, diferentemente do de 1989, em que as canções de Xuxa quase não foram executadas. A atração trouxe clipes bastante coloridos, ambientados na tal fábrica de ilusões que deu nome à produção, e contou com Sérgio Mallandro, que estrearia seu programa infantil nas manhãs da Globo no ano seguinte.


Xuxa Especial - 1992
O álbum Xou da Xuxa Sete, último da série Xou da Xuxa, trouxe sucessos como Marquei um X. Com diversos clipes gravados em externas (de praia a acampamento cigano), e outros momentos produzidos em estúdio, o especial chamou a atenção pela caracterização de Xuxa como uma velhinha, que a partir de um álbum de recordações, trazia a história de seus antepassados, vistos nos clipes musicais. Este especial é marcante para mim, por se tratar do primeiro Natal em que nem todos os familiares se reuniram na noite do dia 24. No almoço do dia seguinte, no entanto, o assunto era um só: a beleza da Xuxa e a qualidade do programa.

Xuxa Especial - Crer Para Ver
Em 1994, Xuxa voltava a comandar uma atração infantil, após o término do Xou da Xuxa. O Xuxa Park, exibido aos sábados pela manhã, veio embalado por um novo álbum, Sexto Sentido. As canções deste disco, como Hey DJ e Jogo da Rima, abrilhantaram o especial, cujo maior destaque foi Gracinha Curiosa, a personagem vivida por Xuxa, que ficara encarregada, pelo duende Nicolau (Patrick de Oliveira), de entregar uma carta do Papai Noel à Rainha dos Baixinhos. Em sua jornada, Gracinha é confrontada por personagens clássicos das histórias infantis, insatisfeitos com seus destinos.

Xuxa Especial - Deu a Louca na Fantasia
Pegando carona no sucesso do especial anterior, a atração de 1995 recorria novamente às histórias infantis. Quando a luz da fantasia é aprisionada pelo Mestre do Mal, Xuxa precisa se unir às forças do bem para realocar as coisas em seus devidos lugares. O elenco de primeira contava com Ariclê Perez, Cláudia Jimenez, Miguel Falabella, Pedro Paulo Rangel e Tom Cavalcante. Nos números musicais, versões das músicas ao álbum Luz do Meu Caminho, que trazia sucessos como Salada Mista. Ainda, a presença da banda Mamonas Assassinas, sensação daquele ano.


E você, qual especial de Roberto Carlos ou de Xuxa gostaria de rever? Vamos nos mobilizar para que o Natal de 2015, no Viva, seja mais recheado do que este.